Yasmin Pereira, 13 anos: a palestrante mais nova do Encontro Paulista de Museus

Ela é gestora de museu no sertão do Ceará e falou com propriedade sobre sua vida e sua experiência na área da museologia

 

No segundo dia do 10º Encontro Paulista de Museus (10EPM), pouco antes de entrar para compor a mesa 2 “Fazendo juntos – gestão e governança”, Yasmin Pereira, não escondia a ansiedade em participar do maior evento do setor museal paulista, com cerca de mil participantes na plateia, entre eles, renomados profissionais de museus e gestores públicos de cultura.

“Nunca participei de um evento deste tamanho. Já fiz duas palestras, mas em locais menores e sempre fico com um certo nervosismo. Espero conseguir fazer todos entenderem o objetivo do trabalho na Fundação Casa Grande e porque ele é feito por crianças e não por adultos. É difícil explicar como a gente gerencia um museu de Arqueologia e Mitologia de criança para criança, né? Mas estou aqui para isto”, explicou a gestora, que entra para a história do EPM como a palestrante mais nova de todas as edições.

Acompanhada por Alemberg Quindins, fundador da Fundação Casa Grande e também componente da mesa, ela sensibilizou a todos que a assistiram com sua simplicidade e sua história de vida, que acumula tantas experiências, de dar inveja a muitos adultos.

“Eu sempre falo que minha história se confunde com a da ‘casa’. Minha mãe trabalhou por 14 anos na fundação, então desde a barriga eu já estava lá e continuo até hoje. Já passei por vários laboratórios, mas sempre me encantei com o de rádio. Fiz muitos programas, criando roteiro, mexendo na mesa de edição, atendendo ligação, recebendo as visitas que muitas vezes não acreditavam que era uma criança mesmo que estava comandando o programa e queriam conhecer pessoalmente. Justamente por conhecer tão bem a Casa, acabei me tornando gestora. Não é fácil, é muita responsabilidade, mas me sinto realizada”, avalia Yasmin, que também já foi recepcionista, auxiliar de biblioteca infanto-juvenil e participou de pesquisas arqueológicas sobre os índios Cariri.

Desde pequena, ela vai à escola de manhã e à tarde se dedica a outras atividades na Fundação e ainda encontra tempo para escrever poesias e música. Para ela, a responsabilidade só a faz crescer e acreditar que está no caminho certo. “Sinto que aqui estou me preparando para a vida, fazendo muitos amigos, aprendendo valores importantes como o respeito pelos mais velhos, pela história, pelo patrimônio, pela natureza.  Para comandar o museu, preciso lidar com as pessoas mais novas e as mais velhas que eu. Coordenar pessoas de outras idades exige paciência e um exercício de se colocar no lugar do outro”, complementa.

A mesa da qual Yasmin e Alemberg fizeram parte no 10EPM também contou com a participação de José “Soró” Queiróz e Clébio “Dedé” de Souza, da Comunidade Cultural Quilombaque, com mediação de Andrea Nogueira do Centro de Pesquisa e Formação do SESC-SP.

Sobre a Fundação Casa Grande – Memorial do Homem Kariri

Organização não- governamental, cultural e filantrópica criada em 1992, com sede em Nova Olinda, Ceará, Brasil. Sua criação se deu a partir da restauração da primeira Casa da Fazenda Tapera, hoje cidade de Nova Olinda, ponto de passagem da estrada das boiadas que ligava o Cariri ao sertão dos Inhamuns, no período da civilização do couro, final do século XVII. Tem como objetivo proporcionar a crianças e jovens e seus familiares a formação social e cultural através da vivência em gestão de vários projetos educacionais, culturais e ambientais.

Fonte: SISEM-SP