Seminário Mulheres Transformam os Museus no Museu Afro Brasil: Histórico, balanço e horizontes

Nesta sexta-feira, dia 10 de dezembro, às 10h, o Museu Afro Brasil e o Sistema Estadual de Museus de São Paulo (SISEM-SP), instância da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado, realizam o seminário “Mulheres Transformam os Museus no Museu Afro Brasil: histórico, balanço e horizontes”.

O evento integra a programação da Sonhar o Mundo, cujo tema neste ano são as “Soluções Sistêmicas para o futuro que queremos: Mulheres”. Essa edição dá continuidade ao ciclo de sensibilização iniciado no final do ano passado, cuja temática da campanha, realizada em parceria com o coletivo transnacional “Mujeres cambian los museos”, foi “Equidade de gênero”.

“Mulheres Transformam os Museus: da igualdade à equidade” tem como proposta configurar uma cartografia contemporânea de boas práticas sobre as questões da memória através do protagonismo feminino e narrativas de comunidades, por meio da análise das práticas museológicas, educacionais e artísticas envolvidas com os territórios, promovendo a equidade de gênero e os direitos humanos em contexto ibero-americano.

O seminário “Mulheres Transformam os Museus no Museu Afro Brasil: histórico, balanço e horizontes”, ocorrerá em formato híbrido (presencial e on-line) e será organizado em dois momentos de diálogos e trocas.

A primeira mesa contará com a participação da Profa. Dra. Lilian Amaral (Artista Multidisciplinar, Diretora do Projeto Mulheres Transformam os Museus no Brasil/DIVERSITAS USP), Daniel Perseguim (Mídia-designer e educador) e Davidson Kaseker (diretor do Grupo Técnico de Coordenação do SISEM-SP (GTC/SISEM-SP).

Nela serão discutidas as conquistas, obstáculos, recursos e demandas que emergiram dos processos de escuta e intercâmbio desenvolvidos ao longo de 2021 pelos três países articuladores do projeto Mulheres Transformam os Museus – Espanha, Argentina e Brasil. Estes processos envolveram uma centena de museus e espaços, compondo diretrizes das discussões para este encontro que fará uma avaliação do projeto em processo, bem como discutirá desdobramentos e novas articulações nacionais e internacionais.

A segunda mesa terá como convidadas a artista transdisciplinar Maré de Matos (participação on-line) e a Coordenadora do Núcleo de Educação do Museu Afro Brasil, Simeia Mello. A mesa será mediada pela Coordenadora de Planejamento Curatorial da instituição, Sandra Salles. Será apresentada a vídeo-carta produzida pela artista em parceria com o Museu, como um dos desdobramentos da ativação de sua obra “Púlpito Público”, exibida desde maio de 2021 na área externa da instituição, no Parque Ibirapuera.

Mulheres Transformam os Museus 

Fortalecer redes, ampliar o intercâmbio, dar visibilidade às práticas e pesquisas em torno da arte e da memória lideradas por mulheres em contexto iberoamericano estão entre os desafios permanentes do projeto intercontinental em debate neste seminário.

Além do site, desenvolvido para agregar as múltiplas vozes, com participação de pesquisadoras, artistas, museólogas, educadoras e gestores participantes das ações em 2020 e 2021, seminários periódicos, oficinas de narrativas audiovisuais, produção de vídeo-cartas e encontros de escuta ativa participativa, associam-se ao estudo para implementação de autodiagnóstico junto a museus no Brasil, bem como a edição de um vídeo-livro que será publicado em 2022 como um dos diversos resultados gerados pelo projeto colaborativo.

Púlpito Público

Com trabalhos que se situam no vão entre os territórios da imagem e da palavra, a artista Maré de Matos busca exercitar, por meio de linguagens híbridas, o tensionamento entre versão e verdade; história única e contra narrativas polifônicas.  Com o Púlpito Público, a artista problematiza o monopólio do uso da palavra, dominado por alguns poucos porta-vozes que ocupam o espaço público do museu, propondo a polifonia como partilha e o respeito às diferenças como direito fundamental.

Concebida como uma plataforma, na qual diferentes trajetórias, simbolizadas por três escadas partindo de pontos distintos, convergem, o Púlpito Público representa o encontro e os múltiplos caminhos que levam até ele. A obra conta com megafones instalados em seu topo, de modo a evocar, através de sua ativação, a pluralidade de vozes.

Sobre a ativação da obra Púlpito Público e a vídeo-carta

Dentre as inúmeras violências perpetradas em corpos negros no Brasil, resultante da permanência das lógicas coloniais e consequentemente do racismo, está o genocídio que, nesse momento, encontra-se marcadamente acentuado em jovens negros, como dados denunciam de forma contundente. São inúmeras vidas que, apenas por carregarem em seus corpos a insígnia da cor, são exterminadas brutalmente, esgarçando suas redes de afeto, interrompendo sonhos, continuidades e possibilidades múltiplas. 

Tal projeto resultante da desumanização e da criminalização de corpos negros vem possibilitando que essa brutalidade cotidiana seja naturalizada pela sociedade, cujos tentáculos se constituem ainda em períodos coloniais, perpetuando-se e se intensificando em momentos de ruptura democrática como a ditatura militar.  

Sonhar o Mundo, portanto, nesse cenário, pressupõe a possibilidade de construção de mundos diversos e plurais em que a juventude negra seja parte constitutiva dessa sociedade, não mais entendida como corpos a serem abatidos, mas como vidas e potências que não podem ser apagadas e exterminadas pelo racismo.

É aqui que se encontra o mote da vídeo-carta produzida junto ao Projeto Mulheres Transformam os Museus pelo Museu Afro Brasil conjuntamente com a artista Maré de Matos: Sonhar o Mundo é interromper esse extermínio. Portanto, não se trata apenas de denúncia, mas de perceber a vida que esses corpos portam em si. Não exterminar vida é não exterminar talentos. 

SERVIÇO

Seminário “Mulheres Transformam os Museus no Museu Afro Brasil: histórico, balanço e horizontes”

Local: Museu Afro Brasil – Auditório Ruth de Souza

Data: 10/12/2021

Horário: 10h

Haverá transmissão on-line pelo Youtube e certificado de participação

Não é necessária inscrição prévia

Fonte: Museu Afro Brasil