Pesquisa Museus e Conectividade do SISEM-SP fez um mapeamento sobre a conectividade à internet nas instituições paulistas

Dados obtidos servirão de base para futuras atuações para cada uma das linhas de ação do SISEM-SP

Como está a questão da conectividade à internet nos museus paulistas? Este foi o questionamento norteador da pesquisa Museus e Conectividade que o Sistema Estadual de Museus de São Paulo (SISEM-SP), instância da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado, realizou no período de 14 de maio a 26 de junho deste ano.

O objetivo foi reunir informações para entender quais são as condições de acesso à rede nas instituições museológicas do estado e levantar dados sobre as capacidades de conectividade e presença na internet em um cenário como o atual, de pandemia, em que as instituições suspenderam suas atividades presenciais e migraram para o universo virtual para manter sua visibilidade. Visitas virtuais, exposições digitais e lives passaram a integrar cada vez mais a programação cultural dos museus, entretanto, mesmo com seu valor educacional e de entretenimento, o engajamento digital não proporciona a experiência enriquecida da visita presencial a um museu.

“A pesquisa foi um passo inicial neste processo de desvelamento sobre a realidade dos museus paulistas acerca dos desafios postos para a inserção no mundo digital. A partir destas informações obtidas, é possível para o SISEM-SP desenhar com mais acuidade ações e até mesmo instrumentos de políticas públicas visando a apoiar os museus neste caminho”, explica Luiz Fernando Mizukami, do Grupo Técnico de Coordenação do SISEM-SP, um dos responsáveis pela pesquisa.

Excluídas as duplicidades, foram contabilizadas 164 respostas provenientes de 88 municípios, percorrendo 22 das 24 representações regionais do SISEM-SP. Somente as RRs Oeste SP e Vale do Paranapanema estiveram ausentes.

As regiões com maior número de museus estão entre as que tiveram mais respostas (Capital, com 25,61%; Campinas e Baixada Santista, ambas com 6,10% cada; Vale do Paraíba, com 9, 15% e Sorocaba, com 7,93%) e as regiões com menor número de museus equivalem com a proporção de respostas (Vale do Ribeira, Barretos e Itapeva; todas com 0,61% cada). As exceções observadas são Noroeste (com 3,05% das respostas; sendo que esta é uma região com poucos museus mapeados) e Franca e Vale do Paranapanema, que apesar de terem museus mapeados, não tiveram respostas registradas.

Existência de computadores e acesso à internet

As conclusões provenientes dos dados coletados surpreendem pela quantidade de computadores declarada. Mais de 70% apontam para a existência de mais de dois computadores, entretanto, esses equipamentos destinam-se ao uso interno em sua maioria. Algumas incongruências foram percebidas e precisariam de maior aprofundamento, como a declaração de que existem computadores, mas que não são utilizados pela equipe. Dos que declaram não usar computador no museu, quase a metade oferece como motivo a falta de recursos para aquisição de equipamentos e problemas técnicos e equipamentos lentos ou obsoletos.

Sobre o acesso à internet, há o uso por mais de 96% dos respondentes, sendo que destes, a maioria declara que o museu possui acesso. Porém, uma pequena parcela disse que usa a internet, mas quando cruzadas as respostas com a existência de acesso à internet no museu, há a surpresa de que o mesmo não conta com tal acesso. “Esse tipo de situação nos leva a crer que esses museus utilizam a internet acessando de outra forma, provavelmente, em aparelho celular e com pacote de dados próprio”, comenta Michael argento, da equipe técnica da ACAM Portinari, um dos realizadores da pesquisa.

Quanto à presença em redes sociais, as três mais citadas foram Facebook, Instagram e YouTube. “Esse é um dado coerente com informações obtidas no radar de popularidade de apps no Brasil, edição junho 2020 e pode ser um indicativo para considerar a transmissão de conteúdos vinculados ao SISEM-SP nestas três plataformas”, diz Mizukami.

Perspectivas de ação do SISEM-SP

A partir dos dados obtidos, o SISEM-SP levantou diversas possibilidades de atuação para cada uma de suas linhas de ação. Em “apoio técnico”, ressalta-se a necessidade de verificação também da familiaridade da equipe de apoio ao SISEM-SP, da ACAM Portinari e da própria equipe do GTC SISEM-SP em assuntos relativos às ações possíveis de atuação dos museus na internet. Discussões sobre o que se compreende, por exemplo, por exposições digitais e suas necessidades prévias, além da prospecção de exemplos criativos de atuações de museus durante este período de pandemia.

A “formação” pode incluir a familiarização dos profissionais de museus com as possibilidades de atuação na internet e no uso das redes sociais. “Ações como a série de webinários do Museu do Futebol, em parceria com o SISEM-SP, são acertadas e devem ser intensificadas”, diz Davidson Kaseker, diretor do GCT SISEM-SP. Assuntos mais específicos, versando sobre comunicação digital, sempre tendo a instituição como foco, também devem ser trabalhados.

Em “articulação”, há a convergência das plataformas mais utilizadas pelos museus com as plataformas nas quais o SISEM-SP também possui perfil. Assim, ações como a realização de lives no Instagram, que possuem uma grande permeabilidade entre os respondentes, possam ser facilmente acessadas por este público. “Além disso, a indicação destas plataformas também possibilita a concepção dos próximos eventos a serem hospedados nestes meios. Não apenas a hospedagem a posteriori das gravações de seminários virtuais no canal do YouTube no SISEM-SP, mas também a utilização destes meios para transmissão.

Em “fomento”, visto a fragilidade dos museus em relação à presença na internet, pode-se já imaginar um edital específico visando à aquisição de equipamentos e serviços de acesso à internet. “Esta pesquisa abre um horizonte de possibilidades a ser explorado pelo SISEM-SP, merecendo posteriormente um aprofundamento metodológico”, finaliza Kaseker.

Live no Youtube

Em 12 de agosto, foi realizada uma live no canal do SISEM-SP, no Youtube, sobre o resultado da pesquisa. Os dados foram apresentados por Luiz Fernando Mizukami, do GTC SISEM-SP e Michael Argento, da equipe técnica da ACAM Portinari, com análise e comentários de Marília Bonas, membro da diretoria do Conselho Internacional de Museus no Brasil (ICOM). Clique aqui para ver o vídeo completo e ter acesso ao relatório com os dados da pesquisa na íntegra.

SERVIÇO

Canal do SISEM-SP no Youtube:  https://www.youtube.com/channel/UC6Kco064ia5bBDArFGq3qgA

Fonte: SISEM-SP