Museu das Favelas nasce com o objetivo de potencializar vozes periféricas

O novo espaço cultural propõe uma conexão direta dos visitantes com as diversas experiências daqueles que vivem em áreas faveladas

Neste ano, o 12º Encontro Paulista de Museus – EPM 2022 adotou o formato híbrido e diversas atividades online, a serem divulgadas nas redes sociais do Sistema Estadual de Museus de São Paulo (SISEM-SP).

A sessão “Experiências Museológicas” traz instituições e grupos de pesquisa a apresentarem suas atividades e destrezas que possam inseridas dentro das práticas museológicas. Convidamos então o Museu das Favelas, equipamento público da Secretaria de Cultura e Economia Criativa de São Paulo, gerido pelo IDG – Instituto de Desenvolvimento e Gestão.


Vamos saber mais?

O Museu das Favelas tem como premissa máxima o trabalho colaborativo com as pessoas que vivenciam o cotidiano das favelas e periferias, potencializando suas vozes, lutas e memórias.

De acordo com a ativista e produtora Carla Zulu, que atua como coordenadora de relações institucionais do museu, o novo espaço cultural “propõe uma conexão direta com as experiências de quem vive nas favelas no cotidiano, em sua dimensão individual e coletiva, partindo de um local de pluralidade e diversidade de narrativas, que surge com a proposta de ser um ponto de encontro, de passagem, de acolhimento e de potencialização das favelas de suas memórias e produções”.

Além disso, o museu busca ampliar o olhar, para além de uma imagem cristalizada do que é a favela e, também, do que é um museu. “Ele constrói uma visão expandida que inclui também as vivências que partem de periferias, quebradas, ocupações, assentamentos, malocas, regiões quilombolas, ribeirinhas, entre outras; espaços distintos, mas que compartilham histórias de segregação e resistência.”

O diferencial do Plano Museológico do Museu das Favelas parte da nova definição de museus, recentemente aprovada na Conferência Internacional do Conselho Internacional de Museus – ICOM, onde é estabelecida uma mudança importante, fruto de um intenso debate e quebra de paradigmas na área museológica.

O Museu das Favelas nasce alinhado com a nova definição de Museus, que parte da inclusão, da diversidade, pelo compartilhamento de conhecimento e do trabalho fomentado pelas favelas e periferias.

“O Museu vem trabalhando por meio de várias frentes de escuta e do processo participativo. Uma dessas frentes é voltada à concepção das exposições, partindo do ciclo de encontros online Ser Favela, que começou no mês de junho, e que quinzenalmente, vem propondo diálogos e reflexões de diferentes interlocutores de vários estados brasileiros, contribuindo com o conceito do Museu, e partindo das experiências de pessoas que vivenciam as favelas, periferias, ocupações, cohabs, quilombos, e tantos outros territórios e aspectos que revelam um cotidiano fruto de um processo de exclusão histórica e social em comum. São atravessamentos que devem ser dialogados também no âmbito museológico”, explica.

Foto de Carlos Pires

O primeiro grande acervo histórico do Museu é a sua sede, o Palácio dos Campos Elíseos. Trata-se de um patrimônio histórico cultural, tombado pelo CONDEPHAAT em 1977.

“Essa ocupação abre uma importante frente de diálogo a respeito desse padrão de moradia, desse lugar de poder, que foi sede do governo estadual, lugar simbólico das elites aristocráticas, das elites econômicas, agora ocupado pela população favelizada”, afirma Carla Zulu.

No que se refere aos demais tipos de acervo: o Museu terá uma Biblioteca, que além de um acervo bibliográfico, contará com um arquivo de memória institucional, constituindo ainda uma política de acervo por meio das ações de pesquisa, que serão encabeçadas pelo seu Centro de Referência.

O Centro de Referência tem a missão de entender junto com as favelas e periferias, qual será a premissa para a composição de acervo do Museu, ou seja, se o Museu irá trabalhar somente com itens digitais ou digitalizados – o que é uma tendência contemporânea para os museus. “Essa tendência é reflexo da grande produção de conteúdo em vídeo, crescente devido ao uso das mídias sociais como forma de criação e disseminação cultural.

É um fenômeno recente e a proposta é entender como seria o processo de musealização desse conteúdo, transformando-o em acervo do Museu”, conclui a coordenadora.

Mais informações você encontra no site museudasfavelas.org.br e nas redes sociais.