Ibram lança Programa Nacional de Educação Museal

 

 Por meio de carta que deve ser encaminhada, esta semana, a educadores de museus, especialistas e pessoas envolvidas com ações de educação museal, oInstituto Brasileiro de Museus – Ibram dará início à consulta pública participativa para a formulação doPrograma Nacional de Educação Museal – PNEM. O objetivo, segundo o documento, é incentivar a discussão em todo o país para a construção de um programa que subsidie a atuação dos educadores, fortaleça o campo profissional e garanta condições mínimas para a realização das práticas educacionais nos museus.
 
Os primeiros passos para a construção do programa que, segundo o Ibram, deverá pautar-se pela diversidade, foram dados, ainda em 2011, com a apresentação pública da Carta de Petrópolis: Subsídios para a construção de uma Política Nacional de Educação Museal. De acordo com o diretor do Departamento de Processos Museais do Ibram, Cícero de Almeida, os museus brasileiros já se dedicam há décadas à perspectiva educativa e à dimensão pedagógica, discussão iniciada ainda no princípio do século 20. “Temos museus com uma tradição de ação educativa muito forte, como o Museu da República, no Rio de Janeiro, ou o Museu Lasar Segall, em São Paulo”, afirmou o diretor.
 
“Os museus e seus grupos de educadores atuam com projetos de várias naturezas: projetos de inclusão de públicos especiais, projetos permanentes com formadores e professores, projetos com estudantes. A ideia de educação nos museus, de uns anos para cá, é bastante estimulada pelas políticas públicas. A Educação é um dos eixos da Política Nacional de Museus”, explicou Almeida, para quem a educação e a perspectiva pedagógica nos museus devem ser entendidas como um estreitamento dos laços com a sociedade, uma devolução, para a comunidade, dos saberes guardados pelos museus.
 
Orientado por uma compilação de documentos que definem a política pública para a área museal – a Política Nacional de Museus, o Plano Nacional Setorial de Museus, o Plano Nacional de Cultura e a Carta de Petrópolis –, o texto base para a construção do PNEM define nove eixos temáticos para o programa: Perspectivas conceituais; Gestão; Profissionais de Educação Museal; Formação, capacitação e qualificação; Redes e parcerias; Estudos e pesquisas; Acessibilidade; Sustentabilidade; e Museus e Comunidade.
 
“Vamos lançar o Programa Nacional de Educação Museal e vamos lançar um blog dividido entre os eixos temáticos para estimular o aprimoramento da discussão do programa”, disse Almeida. A plataforma digital faz parte da metodologia de discussão do PNEM e, por meio dela, qualquer pessoa interessada poderá participar, colaborativamente, da construção do programa.
 
Segundo Almeida, o Blog do PNEM já está pronto e aguarda a articulação entre os coordenadores de cada eixo para ser lançado, o que se dará até o 5º Fórum Nacional de Museus, realizado entre os próximos dias 19 e 23 de novembro, em Petrópolis (RJ). A plataforma digital disponibilizará fóruns para o debate de cada um dos nove eixos temáticos do PNEM, formando, assim, Grupos de Trabalho para cada eixo. Os fóruns serão abertos no dia 26 de novembro e receberão contribuições durante 90 dias a partir da data de seu lançamento. A partir dos debates, o documento final será, então, consolidado em um encontro presencial com a participação dos interessados na área.
 
Pontos de Memória e Redes de Educadores de Museus
 
De acordo com o diretor do Departamento de Processos Museais do Ibram, oPontos de Memória destaca-se como o programa que mais avançou entre as políticas públicas para a área museal. O programa reconhece e identifica lugares, grupos, sociedades e movimentos sociais que lidam com a questão da memória em suas ações e lutas.
 
“Para fazer uma comparação, é semelhante à ideia dos Pontos de Cultura, mas são grupos cuja luta em construção – seja a luta pela terra, seja a luta pelo reconhecimento de alguns fazeres locais – tem a memória como articulação. Isso, para nós, faz parte de uma perspectiva de educação porque significa a devolução dos saberes dos museus, do que se guarda nos museus, para a sociedade, e significa o estreitamento da relação entre a sociedade e esses saberes”, explicou Almeida.
 
Os Pontos de Memória mapeados, segundo o diretor do Ibram, serão convidados para participar do 5º Fórum Nacional de Museus, que também abrigará a reunião das Redes de Educadores de Museus – REM. Espalhadas por onze estados brasileiros, as redes articulam educadores e profissionais da área museal. “A REMtem nosso apoio desde que foi criada porque a gente acredita, de uma perspectiva política, em estimular a formação de redes e sistemas. Existem, atualmente, onze estados com redes articuladas de educadores e estamos trabalhando na articulação dos educadores do Espírito Santo”, contou o diretor do Ibram.
 
Fonte: Bernardo Vianna / blog Acesso