EPM retoma atividades presenciais, debate nova definição de museus e aprofunda parcerias

O 12º Encontro Paulista de Museus (EPM) ocorreu entre 8 e 10 de novembro no recém-inaugurado Museu do Ipiranga, em São Paulo. O evento promoveu painéis sobre território, bem-viver e antirracismo, além de apresentar experiências museológicas inspiradoras

Após dois anos em formato online, a 12º edição do Encontro Paulista de Museus – EPM 2022 retomou as atividades presenciais no Museu do Ipiranga, localizado na capital paulista. Organizado pelo Sistema Estadual de Museus de São Paulo, instância da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, o evento ocorreu entre os dias 8 e 10 de novembro. Ao longo dos encontros, foram realizados painéis sobre a nova definição de museus e grupos de trabalhos com parcerias nacionais e internacionais.

A retomada dos encontros presenciais foi recebida com alegria e emoção pela classe museal. A cerimônia de abertura contou com a presença de mais de 200 pessoas, que lotaram o auditório do Museu do Ipiranga. Ao todo, o EPM 2022 contou com 767 participantes oriundos de 44 municípios – estes distribuídos por dez estados brasileiros, além do Distrito Federal.

O Secretário de Cultura e Economia Criativa, Sergio Sá Leitão, abriu o evento anunciando o tema que iria nortear os debates do EPM 2022: a nova definição de museus, promulgada pelo Conselho Internacional de Museus (ICOM) durante a Conferência de Praga neste ano. O Secretário também recomendou a inserção dos termos da nova definição de museus nos equipamentos de São Paulo e destacou o trabalho realizado no estado. “Ampliamos a rede de equipamentos culturais, qualificamos os espaços, aumentamos o alcance das atividades”, disse.

Painéis de debate

Com a temática “Bem-viver, território, antirracismo, diversidade: com quantos termos se faz um museu?”, o EPM 2022 realizou uma série de painéis acerca dos termos-chaves  propostos pelo Brasil na consultado acerva da nova definição. “Eles nos serviram de inspiração para discutir os museus que queremos e como colaborar com a construção do futuro da política estadual de museus”, explicou Renata Cittadin, diretora do SISEM-SP.

Desse modo, o primeiro dia de evento foi dedicado a debater a definição de museus aprovada na Conferência de Praga e a homenagear a Conferência de Santiago, um marco na museologia internacional que completa 50 anos em 2022. Maria Ignez Mantovani Franco, mediadora de um dos debates e integrante do ICOM Brasil, lembrou a ampla participação dos brasileiros no texto aprovado este ano. “Tivemos 1800 pessoas envolvidas no processo de definição e considero a redação dos termos um dos aspectos mais importantes, pois são muito característicos do Brasil e da América Latina”, ressaltou.

O segundo dia de evento ressaltou a importância da presença da comunidade na elaboração dos museus, chamando atenção para a presença da periferia na elaboração de políticas culturais. “São as pessoas das periferias que constroem e movem as cidades”, indicou Ana Sanches, doutoranda no Programa de Mudança Social e Participação Política na Escola de Artes Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (USP).

A questão também levanta a problemática do território, muito discutido na arte contemporânea como motor de transformação social. “O museu deve contemplar diversas vozes e memórias, trazendo a realidade  para dentro das instituições. Isso promoverá o pertencimento de pessoas que nem sempre são representadas nos museus”, disse Esmeralda Serpa, participante do evento e docente em Turismo na ETEC Martinho Di Ciero em Itu, interior paulista.

O último dia de debate afirmou a necessidade de uma postura antirracista dos museus e também levantou a responsabilidade das instituições com o futuro. “O novo museu, o museu do futuro deve trazer o que há de único, a memória e a história em diálogo com os tempos contemporâneos. O maior objetivo é trabalhar a serviço da sociedade”, afirmou Paula Ferreira, coordenadora da Unidade de Preservação do Patrimônio Museológico (UPPM).

Experiências museológicas

A sessão “Experiências museológicas” foi uma das ações assíncronas presentes na programação. Doze instituições museológicas e coletivos de pesquisa do Estado de São Paulo foram convidados a criar um vídeo-depoimento, experiências museológicas inspiradoras – todas com potencial de promover discussões dentro da comunidade museal, em consonância com a temática do EPM 2022.

Participaram da atividade: Museu Comunitário do Jardim Vermelhão; Espaço Memória Carandiru; CPDOC Guaianás; ArquePerifa; Grupo Ururay; Museu das Favelas; Museu da Língua Portuguesa, Museu das Culturas Indígenas; Ecomuseu dos Campos de São José; Museu Tekoa Jopoi’; Casa de Cultura Fazenda Roseira; e Museu do Folclore de São José dos Campos. Os vídeos podem ser acessados no canal de YouTube do SISEM-SP: https://www.youtube.com/channel/UC6Kco064ia5bBDArFGq3qgA

Grupos de trabalho

O EPM promoveu reuniões entre o SISEM-SP e instituições nacionais e internacionais com o objetivo de articular parcerias e construir pontes para políticas públicas na área museológica. Uma das reuniões foi realizada em parceria com o Centro Universitário da Baviera para a América Latina (BAYLAT), instituição que estabelece cooperação científica e acadêmica entre instituições de ensino superior da Baviera e da América Latina. “A proposta é criar uma rede de especialistas no Estado de São Paulo para, posteriormente, abranger outros países da América Latina”, explicou Irma de Melo-Reiners, diretora da instituição.

O evento também promoveu o encontro do Grupo Técnico de Coordenação do SISEM-SP com representantes dos Sistemas Estaduais de Museus dos estados do Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Goiás, Pernambuco e São Paulo para a restauração da Rede de Museus do Brasil, criada em 2012 e desativada posteriormente. A reunião entre as instituições reforçou a necessidade do estabelecimento de Sistemas Estaduais de Museus em todos os estados brasileiros, além da criação de uma instituição em âmbito nacional para articulação e interlocução dos trabalhos na área museal. “O nosso encontro foi fundamental para reativar a nossa rede e, claro, nos articularmos para estabelecermos uma parceria para demandas na política nacional de cultura”, explicitou Luciane Figueiredo, coordenadora do Sistema Estadual de Museus (SIM-RJ).

Planos para 2023

A equipe do SISEM-SP fechou a programação do EPM 2022 apontando as novidades para o ano seguinte. Renata Cittadin, diretora da instituição, afirmou a criação de um novo portal que facilitará ainda mais a comunicação com os gestores dos equipamentos culturais, até mesmo com os que não realizaram o cadastro no SISEM-SP.

Além disso, a diretora também contou que um dos objetivos para 2023 é iniciar um processo de consulta que culmine na elaboração de  um Plano Estadual de Museus. A ideia é expandir o mapeamento no estado por meio de uma busca ativa, permitindo os espaços que não estão institucionalizados a também fazer parte do cronograma. “É importante reconhecermos outros modelos museológicos. O SISEM precisava caminhar nessa direção”, observou. “Precisamos identificar, inclusive, as cidades que não têm museus”, completou.