Educação em museus: uma discussão (ainda) necessária

Michael Argento – ACAM Portinari

O momento é de resiliência e reflexão aos profissionais da cultura. Em épocas de distanciamento social, os olhares sobre setores relacionados à extroversão do patrimônio cultural se tornam mais evidentes, sobretudo no que concerne à sua adaptabilidade à virtualização de suas atividades.

Se o desafio da democratização do acesso à cultura é um dos objetos de reflexão da educação museal, seu avanço depende sobremaneira da maturidade dos serviços prestados por estes profissionais. É neste contexto que “Conceitos-chave da Educação em Museus” torna-se uma importante contribuição.

A publicação, redigida no formato de documento aberto, é uma iniciativa de um dos Grupos de Trabalho do Comitê Educativo da Unidade de Preservação do Patrimônio Museológico da Secretaria de Cultura e Economia Criativa de São Paulo (UPPM/SCEC), que, junto dos comitês de Acervo e Infraestrutura, são responsáveis por estabelecer diretrizes para as políticas culturais aos museus do Estado. A composição dos comitês, englobando profissionais dos museus da SCEC e membros das equipes da UPPM, bem como o protagonismo dos primeiros na redação dos conceitos que compõem o título, são dois dos elementos que contribuem para seu caráter dialógico.

Capa da publicação “Conceitos-chave da Edicação em Museus”

A necessidade de se reconhecer as especificidades das ações educativas em museus é o destaque que abre a primeira parte da publicação, destinada a apresentar brevemente um histórico da área, retornando à década de 1970 e avançando até os dias atuais. Ao situar o tema no tempo, a publicação demonstra a necessidade das instituições e profissionais de museus refletirem sobre suas próprias práticas. Afinal, qual o grau de autonomia que as ações educativas possuem no museu? Qual seu grau de participação na construção de conhecimentos?

A obra avança sobre os resultados das discussões referentes aos desafios quanto a prática da educação museal, devendo equacionar as características institucionais e a acessibilidade cognitiva e atitudinal dos processos educativos, devendo proporcionar saber e lazer ao público.

As funções dos profissionais dos setores educativos também são destaques no título. Apesar de se evidenciar uma hierarquização quanto à complexidade das práticas, é notório o reconhecimento da relevância de todas as atribuições. Isso se torna uma condição ainda mais determinante quando pensamos na realidade de parcela significativa das instituições museológicas, que dispõem de equipes reduzidas e devem, muitas vezes, atuar em diferentes frentes e executar tarefas que variam de acordo com as demandas dos públicos. A obra ainda reflete sobre a organização dos Núcleos de Ação Educativa, usando como referência a área de gestão de projetos, e é finalizada com possíveis caracterizações para os públicos de museus.

A organização em temas que podem tanto ser consultados livremente, conforme a demanda do leitor, quanto absorvidos do forma uníssona faz com que “Conceitos-chave da Educação em Museus” atue como uma fonte inicial relevante para reflexões sobre as práticas da educação museal e abra a discussão para que profissionais da área as apliquem em suas próprias realidades institucionais. Por sua vez, o desafio das atuais políticas de distanciamento social impõe sobre o setor a necessidade de se ampliar seus espectros de atuação e agir criativamente para demonstrar o caráter contemporâneo, protagonista e combativo dos museus.

Para ler mais, acesse a publicação na íntegra:

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