Dia do Museólogo: profissão se moderniza atenta às demandas locais

SISEM-SP celebra a data trazendo diferentes perspectivas sobre o setor em São Paulo


Neste domingo (18/12), comemora-se o Dia do Museólogo no Brasil. Instituída em 2004, por decreto presidencial, a data comemorativa é uma homenagem a  esses profissionais e também um momento dedicado ao reconhecimento da importância do ofício para o setor cultural no Brasil. De grande relevância para o funcionamento de instituições públicas e privadas, o museólogo participa da elaboração de projetos de museus, cuida da organização e conservação de acervos, contribui com informações acerca das coleções e realiza ações educativas e culturais. E seu trabalho não para por aí!

Os museólogos também contribuem fortemente para a profissionalização do setor. Para Wilton Guerra, representante do Conselho Regional de Museologia, São Paulo é um grande exemplo disso. “Os museus paulistas são referência nacional e internacional, não só na importância do patrimônio alocado, mas sobretudo pela estruturação técnica alcançada”.

Ele cita como exemplo a recente inauguração de três instituições de grande porte na capital paulista que servem como exemplo de estruturação técnica: Museu da Diversidade Sexual, Museu das Favelas e Museu das Culturas Indígenas.

Além disso, o setor conta com grandes nomes na museologia. Waldisa Russio, que hoje empresta nome à Medalha do Mérito Museológico, entregue pelo Governo Estadual de São Paulo, foi uma das primeiras museólogas no país, atuando junto com outros profissionais para a legalização da profissão aqui no Brasil ainda na década de 1980. Na medalha está entalhada uma frase sua que ressoa até os dias de hoje: “O trabalhador de museus é um trabalhador social”.

Desafio

Para além das conquistas realizadas, Guerra ressalta que há muito o que ser feito no setor museal de São Paulo. “As instituições museológicas devem compreender que é fundamental a presença de museólogos em seus quadros, pois são profissionais capazes de qualificar o trabalho desenvolvido, fazendo com que as instituições possam cumprir o que preconiza a nova definição de museus aprovada pelo ICOM”, conclui.

De acordo com o Conselho Internacional de Museus (ICOM), “um museu é uma instituição permanente, sem fins lucrativos, ao serviço da sociedade, que pesquisa, coleciona, conserva, interpreta e expõe o patrimônio material e imaterial. Os museus, abertos ao público, acessíveis e inclusivos, fomentam a diversidade e a sustentabilidade. Os museus funcionam e comunicam ética, profissionalmente e, com a participação das comunidades, proporcionam experiências diversas para educação, fruição, reflexão e partilha de conhecimento”.

É interessante notar que há profissionais na categoria que atuam em diferentes frentes para garantir o que está escrito na nova definição de museus. Daniela Moreira, museóloga na Secretaria de Cultura da prefeitura de Sorocaba, responsável por dois museus municipais, relata sua experiência.

“Eu saí do Rio de Janeiro para assumir o cargo de museóloga no interior de São Paulo, então percebi uma grande diferença na gestão. Em um museu grande, localizado numa capital, o museólogo trabalha em uma área específica. Já num museu menor, no interior, o museólogo assume uma série de funções: gestão do museu, gestão da equipe, curadoria da exposição, planejamento de atividades, entre outras”, conta a profissional.

Para a museóloga, as múltiplas frentes de atuação na gestão de museu no interior são desafiadoras que ela encara como algo positivo, pois o museólogo ganha um papel central dentro da instituição e se qualifica em diferentes áreas da instituição cultural. “Então a gente vai para além da qualificação técnica e aprendemos a lidar com diferentes grupos e funções. É uma oportunidade para crescer de diferentes formas”, explica.

Assim, Daniela se junta ao time de profissionais que são notórias referências ao setor museal. A todos vocês, um feliz Dia do Museólogo!