Desafios da gestão de museus é tema de conferência no primeiro dia do EPMi Sudoeste

Atividades do evento promovem a qualidicação dos profissionais

A agenda do Encontro Paulista de Museus itinerante Sudoeste (EPMi Sudoeste), que acontece nos dias 30 e 31 de outubro, no Sesc Sorocaba, contará com diversas apresentações que propiciam o fomento à qualificação e troca de experiências de quem trabalha em museus.

No primeiro dia do evento, haverá a conferência proferida pela coordenadora do Memorial da Resistência do Estado de São Paulo e membro da diretoria do Conselho Internacional de Museus no Brasil (ICOM), Marília Bonas, que abordará os desafios da gestão de museus. 

O evento, organizado pelo Sistema Estadual de Museus (SISEM-SP), instância da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, em parceria com a ACAM Portinari, será a oportunidade dos profissionais de instituições da macrorregião de Sorocaba terem uma visão sobre os desafios da gestão de museus sob a ótica de Marília Bonas, que tem larga experiência na área. Em conversa com o SISEM-SP, ela  adiantou um pouco o que abordará no Encontro.

SISEM-SP – O tema de sua apresentação é “Desafios da gestão de museus”. Quais são esses desafios?

Marília – Museus são instituições ainda pouco conhecidas da maior parte da população, com fama de chatos e de lugar de “coisa velha”. Nos últimos 10, 15 anos, os museus de todos os tipos e tamanhos, no Brasil, vêm se modernizando, atualizando seus discursos e abrindo suas portas em muitos sentidos para os mais diversos públicos e comunidades. No entanto, vivemos um momento em que muitas pessoas entendem a cultura como algo supérfluo e os desafios dos museus estão muito ligados à defesa desses espaços e do conhecimento como um todo. Passam, então, desde da sustentabilidade dessas instituições à ausência de políticas públicas e parcerias.

 SISEM-SP – Como os museus podem “driblar” esses desafios? Há algum exemplo prático que possa citar?

Marília – São muitos os desafios. O que observo como casos de sucesso são os museus que têm uma participação radical da sociedade. Na escala dos museus paulistas, o Museu Histórico e Pedagógico Prudente de Moraes (Piracicaba) e o Museu Major Novaes (Cruzeiro) trabalham junto a escolas e moradores, abrindo seu espaço para atividades da cidade, aulas de ioga e discussões sobre temas importantes. Quando a comunidade entende que o museu é dela, mais chance de o poder público apoiar a instituição e mais força os gestores têm para lutar por contratações e manutenção de suas atividades.

SISEM-SP – Há ainda uma visão arraigada de que museus são espaços de elite. Como reverter isso? É uma questão que precisa ser revista e “combatida”, inclusive por quem é da área?

Marília – Os museus nasceram como um espaço de elite, como um lugar cheio de “nãos”, onde a maior parte de nós se sente desconfortável ou, simplesmente, não entendendo nada do que está exposto. Mas o trabalho das equipes educativas, historicamente, vem mudando esse cenário. O mais difícil é fazer as pessoas entrarem no museu. Então, sim, precisamos combater isso. Museus são para todos, são de todos e devem nos dizer respeito. A coisa mais bonita de se trabalhar em museus é receber demandas, como grupos que querem falar de sua história, trazer um tema ou fazer uma discussão. Como gestores, precisamos estimular essa apropriação.

SISEM-SP – Como manter uma dinâmica de visitação nos museus? Muitas pessoas ainda pensam que um museu é para ser visitado uma única vez e pronto.

Marília – Uma das estratégias para manter a dinâmica de visitação é, exatamente, essa ativação do museu como um espaço dinâmico de atividades culturais. A cessão de espaços para grupos de dança, teatro, música, de moradores faz com que tenha sempre algo acontecendo ali e estimula a curiosidade. Programações regulares como apresentações de música uma vez ao mês, por exemplo, também incluem os museus na rotina dos moradores e interessados.

SISEM-SP – Qual sua expectativa em relação ao EPMi Sudoeste e a importância de um evento como esse ser itinerante.

Marília – Estou muito entusiasmada! Tenho enorme admiração pelos trabalhadores de museus fora da capital, que lidam sempre com a instabilidade política, a luta por recursos e a participação dos públicos. Aprendo demais, sempre. E é fundamental que o Encontro Paulista seja itinerante exatamente por essa razão: a maior parte dos trabalhadores de museus do interior não contam com apoio para participação de eventos fora de sua região e sua contribuição nas discussões museológicas paulistas é fundamental. 

SISEM-SP – Você participou da conferência do ICOM em Kyoto, qual sua avaliação sobre o evento e os debates sobre a nova definição de museus?

Marília – Foi uma conferência histórica, onde a gestão de risco, a função social dos museus e seu compromisso com a emergência climática e os direitos humanos foram os grandes eixos de discussão. Os debates sobre a nova definição foram muito intensos e sua votação foi adiada. A ausência da palavra “instituição” e “educação” para o cenário brasileiro, são questões centrais a serem discutidas e o ICOM Brasil, agora, está trabalhando junto com o comitê de museologia, o ICOFOM, para dar sua contribuição à discussão.

SERVIÇO

Encontro Paulista de Museus itinerante Sudoeste (EPMi Sudoeste)

Quando: 30 e 31 de outubro

Onde: SESC Sorocaba

Endereço: Rua Barão de Piratininga, 555 – Jardim Faculdade – Sorocaba/SP

Gratuito

Fonte: SISEM-SP