CPDOC Guaianás valoriza cultura periférica de São Paulo

Grupo de professores, pesquisadores e artistas se uniram com o objetivo de estabelecer um local de referência para a preservação da memória social de Guaianazes

A 12ª edição do Encontro Paulista de Museus tem, entre as atividades virtuais, a sessão “Experiências Museológicas”, em que instituições e grupos de pesquisa apresentam práticas museológicas inspiradoras. O Coletivo de Pesquisadores Periféricos do Centro de Pesquisa e Documentação Histórica (CPDOC) Guaianás, atuante nos bairros de Guaianases, Lajeado, Cidade Tiradentes e São Mateus, está entre os convidados.

Vamos saber mais?

Criado em 2012 por um grupo de professores, pesquisadores e artistas, o CPDOC tem por objetivo estabelecer um local de referência para preservação da memória social, além de valorizar pesquisas e registros de bens materiais e imateriais da cultura periférica de São Paulo. A iniciativa é realizada junto com o Movimento Cultural de Guaianazes.

O CPDOC promove uma série de ações e entre elas está o Inventário Participativo. Alan Cunha, explica que essa atividade segue a metodologia do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), voltada para o mapeamento e coleta de dados dos patrimônios consolidados e preservados pelas comunidades.

“No caso dos bens materiais, nós fazemos a identificação dos patrimônios, considerando a natureza do bem, a propriedade, o estado de preservação, conservação, o contexto. Também é importante a data de inauguração desse patrimônio, o endereço e se tem algum dono, ou coletivo que cuida desse espaço”, detalha Alan Cunha.

Para compor o Inventário o CPDOC conta com a contribuição dos trabalhadores e moradores de Guaianases, Lajeado, Cidade Tiradentes e São Mateus. São pessoas que possuem documentos, registros, fotografias e vídeos sobre a história e cultura desses locais. Foi a partir da coleta desse material que surgiu outra importante ação do Centro de Pesquisa, o Histórias do Meu Bairro.

O projeto consiste em uma série de entrevistas com os moradores locais feitas em espaços públicos e de passagem como mercados e estação de trem. “Abordávamos as pessoas, entre jovens e pessoas mais velhas, para perguntar qual a relação delas com o território, se chegaram a acompanhar as transformações do bairro, o que colocariam em um museu, o que preservariam”, relata Alan. Os vídeos foram compartilhados nas redes sociais, com amplo engajamento da população.

O Centro também desenvolve um processo de formação para o público e a própria equipe da iniciativa. As atividades são promovidas anualmente e contam com a presença de especialistas em áreas como urbanismo, arte e cultura e sociologia. Os encontros acontecem em espaços públicos como centros culturais e biblioteca possibilitando cada vez mais a conexão entre a população e o CPDOC.

Para mais informações acesse o site: cpdocguaianas.com.br