10 anos do Encontro Paulista de Museus

Cecília Machado*

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Ao assumir a diretoria do Grupo Técnico do Sistema de Museus do Estado de São Paulo, havia para mim uma sensação de que grandes desafios se desenhariam, mas sem dúvida, as expectativas foram grandemente superadas.

Já era de meu conhecimento a realidade dos museus do estado. Havia trabalhado na equipe do DEMA, capitaneado por uma das mais generosas museólogas que tive o prazer de conhecer, Dina Jobst. Ela foi durante mais de uma década a responsável pelas ações junto aos museus do interior do estado.

Quando assumi o seu cargo em 2008, a perspectiva da Secretaria era delinear uma nova política para a área de Museus.

Não só no estado, como em todo o Brasil essa era a tônica. O IBRAM se institucionalizava, a Politica de Museus se convertia em documentos que tramitavam na direção do Estatuto de Museus e havia em toda a área ventos bastante promissores. Vivíamos uma embriaguez de fatos que para nós, já vividos na museologia, pareciam sonhos: A concretização de uma Politica Pública para a área museológica no Brasil.

No estado, as perspectivas eram de consolidação de uma gestão com a participação da sociedade. Do ponto de vista administrativo o compartilhamento da gestão dos museus com a sociedade civil organizada – Organizações Sociais – tornava-se cada vez mais engendrado.

Para o Sistema de Museus cabia naquele momento a atualização de suas ações em relação às questões técnicas necessárias ao ambiente museológico paulista.

O primeiro passo foi iniciarmos um diagnóstico profundo de quem eram os museus do estado. A impressão era de um distanciamento e desconhecimento dessa realidade.

Em função de um histórico de escassez de recursos do departamento – até 2007 era DEMA [Departamento de Museus e Arquivo] e a partir da reformulação da SEC passou a se chamar UPPM [Unidade de Preservação do Patrimônio Museológico] – sem verbas e pessoal, as ações eram pontuais, com cursos de capacitação e assessoria técnica, que atendiam minimamente as demandas.

A partir dos primeiros momentos da reformulação do SISEM, processamos a revisão do Decreto do Sistema e a partir disso deu-se início a uma grande imersão no mapeamento da realidade museal paulista.

A nova perspectiva de ação do Sistema era a descentralização por meio da formação de núcleos regionais e a finalidade precípua do Grupo Gestor seria a partir daquele momento a mediação da articulação entre as instituições museológicas do estado.

Iniciaram-se visitas a mais de 180 municípios cujas instituições museológicas de alguma maneira solicitaram auxilio a UPPM. Essas solicitações foram tabuladas e começamos a estabelecer parcerias com as Organizações Sociais com o intuito de atender a essas demandas. Verificou-se a necessidade de um planejamento e posterior e imediata execução de Cursos e Itinerâncias de exposições a partir dos diálogos regionais. Nesse momento o IBRAM já era um importante parceiro.

O primeiro objetivo que era de estabelecimento de contato e apresentação das propostas ao universo museológico paulista já estava iniciado e no inicio de 2009 a Coordenação da UPPM convida o SISEM a compartilhar por meio de um Encontro Estadual as novas metas e perspectivas da Política Museológica estadual e nacional.

O maior desafio se configurava. Haveria a adesão das prefeituras a essa inciativa?

Era de fato a comprovação do resultado de um ano de trabalho insano de uma equipe diminuta, destemida e inabalável.

Colocamos no trilho o primeiro Encontro Paulista de Museus.

O “frio na barriga” acompanhou toda a produção do Encontro. Sabíamos que deveria ser de grande porte, pois o que estávamos presenciando era um fenômeno cultural abrangente e com muitos protagonistas. Milhares.

Mas eles viriam discutir sobre museologia?

Vieram.

Mais de 900.

E o trem seguiu.

Muitas ações foram desempenhadas nesses 10 anos. Hoje a articulação é um fato concreto e a museologia paulista anda. De forma independente e atuante. Executada por seus agentes. Como deve ser.

Parabéns Secretaria e parabéns GT SISEM. O Sistema é um sucesso graças ao empenho e qualificação técnica da equipe do GT e sucesso aos milhares de integrantes da Museologia Paulista, que desenham esse bonito mapa museológico.

Muito ainda há para ser feito, mas o caminho andado já é bastante.


* Cecília Machado é formada em História pela PUC-SP e pós-graduada em Museologia pela FESP-SP. É diretora da empresa Profissionais da Informação desde 2002, e coordena o Curso Técnico em Museologia na ETEC – Parque da Juventude (2006) e o Espaço Memória Carandiru, tendo atuado no SISEM-SP como diretora entre 2008 e 2011.