Soluções Sistêmicas para o futuro que queremos: Deficiência e Acessibilidade em Museus

Os museus são instituições realmente democráticas? Quão abertas estão suas portas, exposições e atividades para que os públicos possam fruir do patrimônio cultural? As equipes estão preparadas para atender à diversidade de visitantes? Os museus possuem processos de trabalho acessíveis a todas as pessoas que atuam na área?

Ao longo dos anos, Sonhar o Mundo tornou-se uma das principais políticas do SISEM-SP, voltada à discussão e estruturação de diretrizes de atuação dos museus em respeito e defesa dos Direitos Humanos. Nos 50 anos da Mesa Redonda de Santiago do Chile, as ações do Programa Sonhar o Mundo: Direitos Humanos nos Museus voltam-se à promoção da visibilidade e protagonismo às pessoas com deficiência, cuja atuação contribuirá para a elaboração de indicadores que identificam o quão acessíveis são os museus paulistas.

Assim, o SISEM-SP garante a continuidade de um ciclo de ações voltadas à inserção dos museus em debates contemporâneos, reforçando seu potencial agregador e propositivo para a promoção de transformações sociais.


Oficinas “Deficiência e Acessibilidade em Museus”

As oficinas “Deficiência e Acessibilidade em Museus” dão continuidade ao ciclo de 2022 do Programa Sonhar o Mundo: Direitos Humanos nos Museus. Divididas em cinco módulos de dois encontros, as atividades apresentarão as diferentes dimensões da acessibilidade, com o objetivo de fomentar a cultura do acesso e a inclusão das pessoas com deficiência no campo cultural. Os temas das oficinas serão:

Oficinas "Deficiência e Acessibilidade em Museus"
Módulo 1 - "Acessibilidade como técnica"
Encontro 125/08/2022, das 15h às 18h1. História do movimento social das pessoas com deficiência.
2. Histórico de exclusão de pessoas com deficiência dos ambientes museais.
3. Discussão conceitual sobre Deficiência e Acessibilidade.
4. Modelo médico, modelo social. Conceito de barreiras e de acessibilidade.
5. Marcos legais – convenção, LBI, Lei da Acessibilidade.
6. Barreiras físicas, comunicacionais e recursos técnicos/normativos.
7. Desenho universal.
Encontro 226/08/2022, das 15h às 18hRecursos técnicos e seus diferentes usos no campo cultural (Libras, legendagem, audiodescrição).
Módulo 2 - "Acessibilidade atitudinal"
Encontro 106/10/2022, das 15h às 18h1. Deficiência e interseccionalidades.
2. Deficiência como corpo político.
Encontro 207/10/2022, das 15h às 18h1. Contracartilha de acessibilidade.
2. Capacitismo, anticapacitismo e emancipação social.
3. Condições de trabalho de PCDs em Museus.
4. Acessibilidade e Inclusão profissional.
Módulo 3 - "Acessibilidade como experiência"
Encontro 124/11/2022, das 15h às 18hPerspectiva feminista, cuidado e interdependência. Perspectiva relacional e situacional do encontro entre pessoas com e sem deficiência.
Encontro 225/11/2022, das 15h às 18h1. Práticas de mediação/tradução cultural.
2. Experiências co-criativas.
Módulo 4 - "Acessibilidade como criação"
Encontro 109/02/2023, das 15h às 18h1. O que pode um corpo? Debates sobre as múltiplas sensorialidades da deficiência e a multiplicidade dos corpos.
2. Deficiência como diferença.
3. Perspectiva transformativa.
4. Poéticas do acesso.
Encontro 210/02/2023, das 15h às 18h1. Ampliação de mundos sensoriais, estéticos e políticos no encontro com a diversidade corporal das deficiências.
2. Acessibilidade como criação.
Módulo 5 - "Aleijar as museologias"
Encontro 123/03/2023, das 15h às 18h1. Musealização da deficiência – A quem se destinam as exposições museológicas?
2. Como são formados as coleções e os acervos e qual a representatividade das pessoas com deficiência?
3. Discursos museológicos, tipologias de museus, deficiência e acessibilidade.
4. Área de salvaguarda do museu – tecnologia e sistema de documentação acessível.
Encontro 224/03/2023, das 15h às 18h1. Teoria Crip - Arte defiça.
2. Crítica à dicotomia modelo social/modelo médico.
3. Formas de criação que provocam fissuras, descolonização da deficiência no campo da arte.

As oficinas são destinadas a profissionais de todas as áreas de museus sediados no estado de São Paulo e ocorrerão por meio da Plataforma Zoom.


Sobre o programa

A Campanha Sonhar o Mundo foi concebida como uma iniciativa da Secretaria de Cultura e Economia Criativa de São Paulo, por meio da Unidade de Preservação do Patrimônio Museológico e do Sistema Estadual de Museus, realizada com a articulação do Memorial da Resistência, Museu Afro Brasil, Museu da Diversidade Sexual, Museu da Imigração, Museu Índia Vanuíre, Museu da Inclusão e da Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência.

A campanha buscava articular e mobilizar os museus para questões relacionadas aos Direitos Humanos, partindo do pressuposto de que eles devem atuar como instrumentos de transformação social. Suas atividades ao longo do ano foram marcadas pela realização de um curso sobre Direitos Humanos e sensibilização sobre o tema nas mídias sociais.

Na semana do Dia Internacional dos Direitos Humanos, estruturava-se uma programação diversa. Tais ações visavam reconhecer a contribuição dos museus para a formação de uma mentalidade coletiva, sensibilizando para a solidariedade, o respeito à diversidade cultural, o combate ao preconceito, à discriminação e à violência.

Em 2020, a Campanha Sonhar o Mundo foi reestruturada como um programa com gestão direta do SISEM-SP, buscando garantir a perenidade de ações durante o ano. Em 2022, o SISEM-SP criou o Programa Interseccional de Museus para os Direitos Humanos, com a Campanha Sonhar o Mundo, marcada por programações participativas e colaborativas de museus de todo o estado, sendo uma de suas atividades estratégicas.