Uma viagem pelo tempo com motocicletas históricas

Motos Históricas

 

Por reunir veículos de várias décadas e nacionalidades, a 3ª Expo Museu Sorocabano 2 Rodas, que vai acontecer nos dias 13, 14, 20 e 21 de julho, no Colégio Véritas do Jardim São Paulo, permite ao visitante visualizar a passagem do tempo e a evolução da tecnologia através das motocicletas. Mas mais do que isso, a mostra promete resgatar a memória afetiva das pessoas e provocar emoção em quem tem paixão por motos e bicicletas. A entrada vai custar R$ 5,00 e o evento é beneficente: vai reverter a renda para o Colégio Ressurreição Mantiqueira, mantido pelo sistema Vésper de ensino que acolhe 170 crianças carentes residentes na zona rural de Tremembé, interior de São Paulo.

A ideia da Expo Museu Sorocabano 2 rodas surgiu despretensiosamente numa conversa entre quatro colecionadores e apaixonados por moto e antiguidade – Francisco Domingues Ramos, Fabrício Frejat, Iran Fernandes e Ivaldo de Oliveira – que quando se deram conta de que suas coleções juntas batiam em quantidade alguns museus e eventos que costumam reunir as raridades em duas rodas. Em 2009, eles resolveram fazer a primeira exposição, realizada numa garagem e que teve grande sucesso de público. Tanto que eles conseguiram promover a segunda mostra no ano retrasado, também no Véritas, que cedeu o espaço e a estrutura para o evento. “Aliás, a estrutura e a organização dessa segunda exposição foram muito elogiadas. Nem em grandes eventos em capitais o pessoal encontrou tanta organização”, afirmou Domingues. Nessa última edição do evento – “decidimos realizá-lo a cada dois anos para não acabar com nosso casamento”, eles brincam – conseguiram reunir 68 motos, todas da própria coleção e de outros colecionadores da região. Este ano prometem chegar a 100 exemplares de tirar o fôlego de quem curte essa paixão – sendo ou não colecionador, sendo ou não motociclista.

Uma das peças raras que estarão presente nessa exposição é uma Harley-Davidson de 1917, motor boxer. “Dizem que existem apenas 3 dessas no mundo”, falou Domingues. O fato é que esse exemplar sorocabano carregava uma lenda sobre sua existência. Uns diziam que era mentira que o Edgard Furlan, um dos mecânicos de motos antigas de Sorocaba, tinha essa moto. “Teve gente que veio de São Paulo só pra ver essa moto”, garante Frejat. Calculam os que sabem do negócio, que o valor de uma moto como essa beira os R$ 120 mil.

Falando em homenagens…

Os organizadores decidiram prestar homenagens à figuras sorocabanas que tenham como destaque em suas vidas a relação ao mundo das duas rodas. O homenageado dessa edição será o motociclista Emanoel Gonzales e uma passagem narrada por Domingues mostra o porquê desse merecimento. “Uma vez, eu estava de carro, um senhor passou por mim numa Panhead, aquela de câmbio suicida (o piloto tira uma mão do guidão da moto para trocar a marcha) que até eu tenho medo de andar, e foi numa velocidade que eu não o alcançava, até que ele parou no semáforo e fiquei do seu lado. Até cumprimentei aquele senhor que só depois fiquei sabendo que era um colecionador, um motociclista que coloca pra rodar suas raridades”. Sim, a Panhead estará na exposição, bem como uma Zundapp, uma Fazendeira, apelido carinho para uma Honda ano 71, e a Viúva Negra, a velha Yamaha RD 350. A organização promete levar ainda dois exemplares de motocicletas de competição – mas é o máximo que é revelado. “Vamos ter umas surpresinhas”, disse Fabrício Frejat.

Frejat tem em sua coleção 12 motos. Domingues tem 26. Começaram suas coleções no tempo em que poucos se interessaram por essas antiguidades, numa época em que uma moto velha para ser restaurada era comprada por R$ 500 ou até R$ 300. “Hoje em dia, um moto antiga, precisando ser restaurada por inteira, custa uns R$ 2 mil. Ficou muito caro”. Cada um deles tem interesse por motocicletas de um período e de uma estilo. Domingues prefere as motos dos anos 1970 de baixa cilindrada; Frejat tem queda pelas dos anos 1970 e 1980 de média cilindrada; Ivaldo gosta das motocas dos anos 1970 de alta cilindrada; enquanto que Iran morre de amores pelas motocicletas que antecedem os anos 1960. Cada um com seu perfil, a camaradagem rola solta entre eles. Esses amigos e colecionadores escolheram até um nome para o pequeno grupo e que define bem seus interesses e suas paixões: Desafiando Limites. Esse é título no Brasil do filme dirigido por Roger Donaldson, com Anthony Hopkins no papel principal, e que conta a história de Burt Munro, neozelandês que quebrou o recorde mundial de velocidade sobre rodas em 1967, numa Indian Scout.

Bicicletas antigas

Apesar de ser coordenador da equipe de ciclismo de Sorocaba, Francisco Domingues não coleciona bicicletas. Mas bem que gostaria de ter uma Peugeot com rodas de madeira dos anos 1950 que um amigo seu tem. Sem jeito. A única vez em 18 anos que o amigo tirou a bicicleta da parede de casa foi para levar à última exposição. É que a Expo Museu Sorocabano 2 rodas também abre espaço para bicicletas antigas – esse ano deve ter uma 40 bikes – que também chacoalham a memória e, consequentemente, mexem com a emoção do público. “Teve um senhor”, conta Frejat, “que olhou a exposição inteira, mas diante de uma bicicleta ele parou e chorou. Disse que se lembrou de quando era menino e o tio o levava para a escola numa bicicleta igualzinha àquela”.

Serviço
3ª Expo Museu Sorocabano 2 rodas
Dias 13, 14, 20 e 21 de julho
Das 9h às 17h
Colégio Véritas do Jardim São Paulo (Av. Dr. Luiz Mendes de Almeira, 848 – entrada no recinto pela rua lateral
Entrada: R$ 5 (renda será revertida ao Colégio Ressurreição Mantiqueira, de Tremembé/SP)

Fonte: Cruzeiro do Sul