Últimos dias para conferir a exposição Portugal Portugueses – Arte Contemporânea no Museu Afro Brasil

A mostra reúne alguns dos principais artistas portugueses da atualidade e pretende aproximá-los do universo cultural brasileiro, como parte de uma trilogia desenvolvida pelo Museu Afro Brasil. As influências interculturais de Portugal, África e Brasil, nascidas com o antigo império português e aprofundadas decisivamente pela escravidão, são redesenhadas na perspectiva contemporânea. 

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“Nossos olhares e antenas se voltam para as manifestações criativas nascidas no triângulo da invenção, um eixo geográfico que envolve Portugal, África e Brasil”, afirma Emanoel Araujo. “O corpo da exposição tem muitas vertentes. Procuramos mostrar uma arte contemporânea entre o modernismo e a construção de uma nova identidade, que envolve artistas jovens e outros consolidados”. 

No museu, 270 obras – pinturas, esculturas, fotografias e instalações – compõem o mais amplo panorama da arte lusitana realizado no Brasil, nos últimos anos. Entre os destaques, “Coração Independente Vermelho”, instalação de Joana Vasconcelos, um dos maiores nomes da arte portuguesa na cena internacional. Esta obra tem a forma de um enorme “coração de Viana”, peça icônica da filigrana portuguesa, associada à cidade de Viana do Castelo e ao estabelecimento do culto do Sagrado Coração de Jesus. Trata-se de uma emotiva instalação sonora e cinética.

No itinerário, destacam-se ainda as obras de Helena Almeida Maria Helena Vieira da Silva, centrais na arte portuguesa no século 20. Outras instalações também marcam presença nos 3.000 m² destinados à exposição, como é o caso de “Plataforma”, de Miguel Palma, que deve surpreender os visitantes por suas dimensões e originalidade. 

Três núcleos expositivos especiais: “Homenagem a Bordalo Pinheiro”, “Africanos portugueses” e “Brasileiros portugueses”, foram articulados a esta exposição. 

Na celebração à memória do artista Rafael Bordalo Pinheiro, que viveu no Brasil entre 1875 e 1879, serão expostos livros e cerâmicas, além de caricaturas e desenhos publicados em revistas como O Psit!!! (1877), O Besouro (1878), O António Maria (1879-85;1891-98) e A Paródia (1900). 

“Por muitas razões, a arte portuguesa tem um leque enorme de situações que nos comove, porque nele existem resquícios da África, do Brasil e, naturalmente, do próprio Portugal. Houve um tempo em que essas influências e fluências estavam tão ativas, que transpirava uma espécie de suor com cheiros da complexa história de fluxos e refluxos”, avalia Emanoel Araujo, no texto curatorial.

Antonio Manuel, português radicado no Rio de Janeiro, participa com as duas instalações “Frutos do Espaço” e “A Nave”. O artista começou a destacar-se com seu trabalho crítico à ditadura militar brasileira. Em 1968, ele integrou a célebre exposição Apocalipopótese, organizada por Hélio Oiticica e Rogério Duarte.

No campo da fotografia, participam Fernando Lemos e Orlando Azevedo, também radicados no Brasil. Com 90 anos, Lemos é um membro histórico do grupo surrealista de Lisboa, na década de 40. Por sua vez, o fotógrafo Manuel Correia traz a série “Reis”, parte de um projeto fotográfico sobre o poder tradicional em Angola.

Entre os pintores, destaca-se Michael de Brito, artista com ascendência portuguesa que desenvolve cenas que retratam o cotidiano português nas telas “Woman with Chorizos” e “At the table”. Gonçalo Pena, com três pinturas a óleo de grandes dimensões, reforça o painel de pintores.

Com uma pesquisa que se move entre o desenho, a escultura e a arquitetura, o artista José Pedro Croft integra a mostra com duas grandes esculturas em aço, vidro e espelhos, que interagem umas com as outras formando uma única peça, além de dois desenhos. 

Yonamine, que faz uma ponte artística entre Brasil, Portugal e África, apresenta “Pão Nosso de Cada Dia”, um grande painel de cerca de 8 metros com pães de forma torrados. João Fonte Santa trará pinturas inspiradas no relato da viagem realizada no Brasil pelos naturalistas bávaros Johann Baptist von Spix e Carl Friedrich Philipp von Martius no século XIX. Francisco Vidal participará da mostra com “Utopia Luanda Machine”, um grande painel composto de mais de uma centena de papeis feitos à mão. 

A EDP Brasil, com apoio do Instituto EDP, que coordena as ações socioambientais da empresa, o Banco Itaú, Rainer Blickle, Leonardo Kossoy e Orandi Momesso são os patrocinadores de “Portugal Portugueses”, que conta com o apoio da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo e do Ministério da Cultura. A exposição tem como madrinha a jornalista, escritora e dramaturga Maria Adelaide Amaral. Mais de 15 artistas devem estar presentes à abertura da exposição.

 

SERVIÇO: 
Exposição “Portugal Portugueses – Arte Contemporânea”
Encerramento: 8 de janeiro de 2017
Museu Afro Brasil
Av. Pedro Álvares Cabral, s/n – Parque Ibirapuera – Portão 10
Fone: 55 11 3320-8900
www.museuafrobrasil.org.br
O funcionamento do museu é de terça-feira a domingo, das 10 às 17hs, com permanência até às 18hs.

 

Fonte: Museu Afro Brasil
Imagem: divulgação