Preservar a memória institucional do Sistema Estadual de Museus de São Paulo (SISEM-SP) é o objetivo precípuo do lançamento da Série Memória Institucional em mídia digital. Trata-se da disponibilização de fac-símiles digitais de publicações técnicas produzidas, ao longo dos 31 anos de atuação do SISEM-SP, como literatura de referência para os trabalhadores recrutados a atuarem nos museus paulistas, em geral carentes de formação específica em museologia, sobretudo nas duas décadas finais do século XX. Foram inicialmente editadas, com caráter oficial, ao longo da trajetória do antigo DEMA, como era conhecido o Departamento de Museus e Arquivos da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo.

Obviamente são textos datados que à luz da época correspondiam à necessidade de disseminação de informações técnicas. Estando, portanto, contextualizados pelo cenário tecnológico de então, neste diapasão devem ser lidos, ainda que muitos ensinamentos práticos continuem sendo válidos no cotidiano dos museus hoje em dia.

A despeito dos avanços tecnológicos e do amadurecimento da própria museologia no mundo contemporâneo, é notável que algumas circunstâncias continuem vigentes nos dias atuais entre os museus paulistas, como a insuficiência de profissionais com formação técnica na área e a escassez de referências bibliográficas em língua portuguesa, apontadas nestes documentos como causadoras de “danos irreparáveis em nosso patrimônio cultural”.

Além de reunir subsídios teóricos e práticos que disseminassem boas práticas museológicas voltadas para a qualificação das atividades desenvolvidas nos museus, já se trazia em 1990 a preocupação de “apresentar soluções museográficasque possibilitassem o entendimento e a apropriação do espaço expositivo pelo público deficiente físico, visual, auditivo e mental”.

Por mais absurdo que possa parecer, nem sempre as instituições que se destinam à preservação das memórias coletivas se dedicam igualmente à preservação de sua própria memória institucional. Para que essa memória seja preservada, será preciso conservar fotos, documentos e organizar os registros dos fatos e quem sabe até conservar objetos. Sobretudo, é preciso preservar as memórias pessoais, pois a história institucional é uma construção que traz em si as marcas dos indivíduos que dela fizeram parte, o que inclui tanto os servidores que passaram pelo SISEM-SP como os que trabalham nele e de alguma forma deram e continuam dando sua contribuição para construir essa história que se busca preservar.

Por trás de cada publicação reeditada nesta série, há muitos sujeitos que contribuíram com seu trabalho e ações, motivados pelas demandas do seu tempo. Assim é preciso registrar a contribuição das pessoas. Dentre os nomes a serem lembrados, destacam-se os de Zélio Alves Pinto, Inês Etienne Romeu,  Ana Maria Costa Leitão Vieira, Carlos Eduardo Leite Perrone, Carlos Alberto Dêgelo, Marilda Suyama Tegg, diretores do DEMA, e, de modo especial, Diná T.C. Queiroz Jobst, diretora do Grupo Técnico de Coordenação do SISEM-SP no período de 1986 a 2008.

Preservar a memória institucional não implica apenas assegurar a preservação dos vestígios do passado e assimilar a trajetória de crescimento institucional. É também poder compreender as diferenças e reconhecer os limites de cada período. É obter referenciais consistentes para interpretar o presente e construir o futuro.

Para contrariar o ditado popular, segundo o qual em casa de ferreiro o espeto é de pau, devemos refletir sobre a história, não apenas como quem recorda nostalgicamente, mas como exercício de uma verdadeira práxis, em que a reflexão e a prática andam lado a lado. Que esta iniciativa não seja apenas uma pequena contribuição, mas que possa vir a ser mais um passo nesta direção. Por fim, cabe registrar o nosso agradecimento a Beatriz Cruz, ex-servidora do DEMA, que foi quem nos cedeu os originais para a digitalização.

Boa leitura! Bom proveito!

Davidson Panis Kaseker – Diretor do Grupo Técnico de Coordenação do Sistema Estadual de Museus