Segundo Caderno lembra exposições e fatos marcantes do ano nas artes visuais

Lista encerra série de retrospectivas da cultura realizadas uma vez por semana em dezembro

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Foto: Ronaldo Bernardi / Agencia RBS

Encerrando a série de retrospectivas, o Segundo Caderno apresenta uma seleção do que marcou as artes visuais em 2013. Na primeira parte, 10 fatos apontam, sem ordem de relevância, destaques do cenário local ou acontecimentos que tiveram repercussão mundial: desde a abertura da nova sede da Pinacoteca Ruben Berta até os recordes alcançados por obras à venda no mercado de arte. Na segunda parte, estão elencadas – seja pelo conjunto de obras apresentadas, seja por algum aspecto em particular –, 10 exposições, também sem ordem hierárquica, apresentadas ao longo do ano no Estado. A Bienal do Mercosul, por sua singularidade e dimensão, acabou não incluída nas exposições, mas nos fatos do ano.

Bienal do Mercosul
Sem os armazéns do Cais do Porto, a 9ª Bienal do Mercosul precisou se reinventar. A estratégia da curadora mexicana Sofía Hernández Chong Cuy foi levar as exposições para espaços tradicionais – Margs e Santander – e revisitar locais explorados em edições anteriores – Usina do Gasômetro e Memorial do Rio Grande do Sul. Com pouco mais de 60 artistas, foi uma Bienal enxuta, que apresentou, de setembro a novembro, uma seleção de obras inspiradas nas relações entre arte, ciência, natureza e tecnologia. Os destaques ficaram para os artistas que criaram trabalhos especialmente para a Bienal, em colaboração com indústrias e centros de pesquisa, e para as reedições de obras históricas de Tony Smith (Caverna do Morcego), Hans Haacke (Circulação) e Robert Rauschenberg (Musa de Lama, na foto maior acima).

Hélio Fervenza na Bienal de Veneza

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Depois de ser um dos convidados da 30ª Bienal de São Paulo em 2012, Hélio Fervenza foi escalado para representar o Brasil na 55ª Bienal de Veneza, em junho. Artista, pesquisador e professor do Instituto de Artes da UFRGS, Fervenza apresentou uma instalação, dividindo o pavilhão brasileiro com o paranaense Odires Mlászho na mais antiga, prestigiosa e importante Bienal, criada em 1895. Antes, pelo menos quatro gaúchos haviam participado da comitiva brasileira: Iberê Camargo (1962), Glauco Rodrigues (1964), Vera Chaves Barcellos (1976) e Carlos Vergara (1980).

Banksy em NY

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Um dos personagens mais enigmáticos do mundo artístico resolveu fazer de Nova York seu ateliê a céu aberto. Conhecido pelos grafites nas ruas de diversos países e por manter seu rosto e identidade em segredo, Banksy fez uma temporada de um mês na cidade norte-americana. Ao longo de outubro, o artista britânico espalhou obras pela metrópole e fez uma série de intervenções urbanas. Cada descoberta de um novo grafite atraía imediatamente pequenas multidões de fãs munidos de câmeras e celulares, provocando desde reações apaixonadas até críticas das autoridades.

Sede para a Pinaconteca Ruben Berta

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Foram mais de dois anos de reformas. Em dezembro, o casarão da Rua Duque de Caxias, nº 973, transformou-se na nova sede da Pinacoteca Ruben Berta, que conta com um dos mais importantes acervos de arte do Estado. São mais de 120 obras, de nomes como Di Cavalcanti, Portinari, Almeida Jr., Guignard, Tomie Ohtake e Lasar Segall. A coleção foi reunida na segunda metade da década de 1960 pelo empresário da comunicação Assis Chateaubriand.

Nova coleção do MAC-RS

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No ano em que precisou adiar mais uma vez a transferência definitiva para a nova sede, o Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MAC-RS) anunciou a aquisição de um representativo acervo de arte contemporânea. Contemplado pelo Prêmio de Artes Plásticas Marcantonio Vilaça, o projeto MAC 21 resultou na compra de obras de 21 artistas brasileiros para o acervo da instituição, atualmente abrigada na Casa de Cultura Mario Quintana. A seleção incluiu obras de nomes como Carlos Vergara, Cildo Meireles (obra acima), Gil Vicente, Nelson Leirner, Paulo Bruscky, Regina Silveira e Saint Clair Cemin. A exposição MAC 21 marcará a abertura da sede do museu em 2014.

Performance e marketing

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A maior performer viva fez uso das estratégias de marketing da música pop. Marina Abramovic se uniu a dois popstars, diz ela, para realizar um sonho. Em agosto, ela apareceu ao lado de Lady Gaga (acima, as duas) em um vídeo em que a cantora ficou nua e se agarrou a um bloco de gelo para demonstrar o “Método Abramovic”. Um mês antes, Marina se apresentou junto a Jay Z em uma galeria de arte em Nova York. A performance de seis horas resultou no vídeo do rapper para a música Picasso Baby. Marina disse que, com a ajuda das duas celebridades da música, conseguiu reunir os US$ 600 mil necessários para fundar um centro de performances artísticas ligado ao Marina Abramovic Institute.

Confisco nazista
A Alemanha anunciou em novembro que estava analisando mais de 1,4 mil obras encontradas em uma coleção em um apartamento de Munique. Alguns trabalhos são de autoria de nomes fundamentais da arte moderna, como Chagall, Courbet, Matisse, Picasso e Toulouse-Lautrec. A maioria das obras foi confiscada ou saqueada dos judeus durante a perseguição nazista. Muitas delas são exemplares da chamada “arte degenerada”, forma como Hitler se referia à arte moderna, considerada por ele “antigermânica”. O acervo estava na casa de Cornelius Gurlitt, que contou tê-lo herdado de seu pai, Hildebrand Gurlitt, um colecionador de arte que teria sido recrutado pelos nazistas.

Recordes no mercado de arte

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Francis Bacon (1909 – 1992) se tornou o autor da obra de arte mais cara já vendida no planeta. Seu tríptico Três Estudos sobre Lucian Freud (1969, abaixo) foi leiloado em novembro, em Nova York, pelo preço recorde de US$ 142,4 milhões, superando os US$ 119,9 milhões pagos por O Grito, de Edvard Munch (1863 – 1944), em 2012. Já Lygia Clark (1920 – 1988) estabeleceu novo recorde brasileiro. Em maio, Contra Relevo (Objeto N. 7), de 1959 (acima), foi arrematada por US$ 2,2 milhões (cerca de 4,5 milhões de reais na época). Três meses depois, a artista se superaria. Em leilão realizado em São Paulo, Superfície Modulada nº 4 (1958) foi comprada por R$ 5,3 milhões.

Arte monitorada
O governo resolveu acompanhar de perto obras de arte e coleções privadas que possam ser declaradas de interesse público. Publicado no dia 18 de outubro, o decreto da presidente Dilma que regulamentou a Lei 11.904, criando o Estatuto de Museus do País, deu origem a uma polêmica entre colecionadores. Tudo por conta do artigo que muda os conceitos de coleções pública e privada, permitindo ao Estado regular a venda e a movimentação de obras, além da autorização para restauro. Os colecionadores argumentam que o monitoramento estatal pode desvalorizar peças de arte brasileiras no mercado internacional. Em resposta, o governo afirmou que “nem 1% dos colecionadores será atingido” pela lei.

Para ver no Google

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O Google Cultural Institute passou a incluir quatro novas instituições brasileiras: Instituto Inhotim (MG), Instituto Moreira Salles (RJ), Museu da Imagem e do Som (SP) e Fundação Iberê Camargo (RS). O projeto disponibiliza na internet os acervos e os espaços internos dos museus. A Fundação Iberê Camargo participa com reproduções de cerca de cem obras de Iberê, além de oferecer um passeio virtual pelo prédio (acima). As mais de 300 instituições de 52 países contempladas podem ser conferidas no sitewww.google.com/culturalinstitute.

EXPOSIÇÕES DO ANO

Amphibia
Nesta individual de Regina Silveira na Bolsa de Arte, o destaque ficou para a instalação, inspirada em uma praga bíblica, que cobriu uma parede de quase 18 metros de largura por sete metros de altura, com centenas de figuras adesivas de rãs que avançavam em direção a um ralo dourado no chão.

Artistas Ilustradores
Ao reunir a produção de João Fahrion, Nelson Boeira Faedrich e Sotéro Cosme para a Editora Globo, a mostra no Centro Cultural CEEE Erico Verissimo dimensionou a força da arte gráfica gaúcha na primeira metade do século 20. A lástima foi a ausência de Edgar Koetz, cujas obras não foram liberadas pela família do artista.

De Territórios, Abismos e Intenções
Usando cabos de aço, roldanas, blocos de concretos e lâminas de vidro, Túlio Pinto montou, no Santander Cultural, um conjunto de esculturas e instalações que, em comum, apresentavam situações de tensão, equilíbrio e suspensão.

Gramática Intuitiva A primeira exposição retrospectiva da artista e professora da UFRGS Elida Tessler, apresentada na Fundação Iberê Camargo, destacou uma trajetória de 20 anos, reunindo instalações e obras conceituais que relacionam arte e literatura, imagem visual e palavra escrita.

Inéditos ou Quase…
Com obras inéditas e séries não mostradas na totalidade, a exposição de Vera Chaves Barcellos, na fundação que leva seu nome, mostrou o caminho provocativo e irônico trilhado desde os anos 1960 pela artista que é uma das responsáveis por inserir a linguagem contemporânea no Estado.

Magliani – A Solidão do Corpo
Embora merecesse um espaço mais amplo para abrigar tamanho conjunto de obras e documentação (mais de 150 itens), esta retrospectiva no Paço Municipal fez uma necessária homenagem à artista morta em 2012.

Narrativas Poéticas
Foi uma bela oportunidade de conhecer nomes fundamentais da arte moderna brasileira. Entre as 80 obras da coleção Santander Brasil, estavam Alfredo Volpi, Candido Portinari, Cícero Dias, Di Cavalcanti, Ivan Serpa, Manabu Mabe, Milton Dacosta, Roberto Burle Marx e Tomie Ohtake.

Xico, Iberê e Vasco – O Ponto de Convergência
Foi a primeira vez que a Fundação Iberê Camargo apresentou exposição do artista que lhe dá nome junto a dois amigos e pares de geração, igualmente fundamentais para a arte moderna gaúcha: Xico Stockinger e Vasco Prado.

William Kentridge: Fortuna
Um dos mais relevantes artistas da atualidade, o sul-africano ganhou uma ampla mostra na Fundação Iberê Camargo, que apresentou sua diversa produção que reúne desenho, gravura, pintura, escultura, vídeo e instalação.

ZERO
A retrospectiva do grupo alemão atuante entre os anos 1950 e 1960 levou, para a Fundação Iberê Camargo, obras de artistas como Abraham
Palatnik, Lygia Clark, Yves Klein, Piero Manzoni, Lucio Fontana, Hans Haacke e Jesús Rafael Soto. Destaque para as obras interativas com ambientes, luzes e estruturas em movimento. Segue em cartaz até março.

Fonte: Zero Hora