Segunda série do Nova Fotografia 2019 do MIS traz exposição inédita Limbus

O Museu da Imagem e do SOM (MIS) apresenta a segunda mostra do programa “Nova Fotografia 2019”, que selecionou seis trabalhos inéditos para exposição ao longo do ano: “Limbus”, do fotógrafo Gustavo Gusmão. Com entrada gratuita, a mostra está em cartaz até o dia 30 de junho, no Espaço Nicho do Museu.

Limbo é um substantivo masculino com origem no latim limbus e que significa margem, beira, borda, orla. Com base na origem da palavra, o significado figurado de limbo remete ao estado daquilo que é negligenciado, esquecido.

Os cemitérios de Manila (capital das Filipinas) são grandes comunidades à margem da sociedade. Com sua própria estrutura e funcionamento, ele comporta pequenas moradias, mercadinhos, botecos e muitos barracos em situação que beira a extrema pobreza.

Apelidados de Skeletons, Zombies ou Cemitery People, acredita-se que seis mil pessoas morem em cemitérios na cidade, sendo que aproximadamente duas mil moram no maior deles, o North Manila Cemeter, com seus 54 hectares de espaço.

Durante dois anos, o fotógrafo Gustavo Gusmão fez registros fotográficos desse lugar entre a vida e a morte. “Limbus é muito mais que a margem da sociedade, a orla dos esquecidos, o descaso, o abandono sobre uma certa parcela da população durante décadas de existência. Limbus é a destruição dos valores morais de um país, de uma religião, uma luta diária de uma superpopulação sobre o espaço físico dividido entre os vivos e os mortos”, reflete o fotógrafo. “São gerações de famílias nascidas e criadas em um cemitério, dependendo economicamente até da morte como forma de subsistência. Trata-se de um projeto que visa a mostrar ao mundo como sobrevivem essas pessoas, que são praticamente invisíveis para a sociedade”, completa.

“As fotos de Gustavo Gusmão, levemente saturadas com tonalidades equilibradas, refletem o estranhamento da convivência harmônica entre a vida e a morte. Assim, as pessoas que se tornaram invisíveis para a população e governos se transformam em comunidades que sobrevivem em um mundo à parte diante da história contada pelo fotógrafo”, analisa Monica Maia, sócia-diretora da DOC Galeria e convidada do MIS para realizar o acompanhamento curatorial da exposição. “O repouso sobre um jazigo aquecido por um papelão, o banho das crianças entre lápides, as brincadeiras de escalar túmulos, o jogo cercado por mausoléus, quartos adaptados e o caminho para a escola entre sepulturas fazem com que ali exista uma densidade de emoção sem que haja constrangimento em viver e ser feliz”, finaliza.

Sobre o fotógrafo

Gustavo Gusmão (São Paulo/SP) é fotógrafo, tendo realizado mestrado em cinema documental pela Universidade Autônoma de Barcelona. Busca na fotografia uma maneira de contar a relação entre as pessoas e os lugares que habitam, de forma a documentar realidades distintas e esquecidas ao redor do mundo. Realiza projetos longos com o intuito de registrar e entender a fotografia como forma de aprofundamento sobre a história daquele lugar.

Sobre o Nova Fotografia

Criado em 2011, o Nova Fotografia é um projeto anual do Museu da Imagem e do Som que busca criar um espaço permanente para exposição de fotografias de artistas promissores que se distinguem pela qualidade e inovação do seu trabalho. A cada ano, seis séries de imagens são escolhidas por meio de convocatória e expostas no Museu. A edição de 2019 conta com o acompanhamento curatorial de Mônica Maia, sócia diretora da DOC Galeria e do pesquisador, professor e crítico de fotografia Ronaldo Entler.

SERVIÇO:

Nova Fotografia | LIMBUS, de Gustavo Gusmão

Até 30 de junho

Das 10h às 22h – terça a sábado e das 9h às 20h – domingos e feriados

Gratuito

Museu da Imagem e do Som – MIS

Avenida Europa, 158, Jardim Europa, São Paulo

Informações: (11) 2117 4777

www.mis-sp.org.br

Fonte: Museu da Imagem e do Som