Seguem abertas as inscrições para a 16ª Semana Nacional de Museus

Seguem abertas as inscrições para a 16ª Semana Nacional de Museus, a ser realizada durante a semana de 14 a 20 de maio. Até 12 de março, museus e outras entidades culturais poderão se inscrever para participar dessa ação, coordenada pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). O tema desse ano é “Museus hiperconectados: novas abordagens, novos públicos”.

A Semana Nacional de Museus acontece anualmente para comemorar o Dia Internacional de Museus, 18 de maio, quando museus brasileiros, convidados pelo Ibram, desenvolvem uma programação especial em prol dessa data.

A eficácia das atividades desempenhadas pelo setor museal na realização dessa ação comprova que o concerto nacional de programações culturais é um verdadeiro instrumento de ampliação do acesso à cultura e de visibilidade dos museus. Ademais, ela é responsável por um significativo aumento de público: durante a semana em que ocorre, a média de visitantes dos museus participantes sobe 79% (fonte: pesquisa sobre a 14ª Semana Nacional de Museus, disponível emhttp://www.museus.gov.br/os-museus/economia-de-museus/).

“Texto Tema”

Há 200 anos surgia o primeiro museu no Brasil: o Museu Nacional/UFRJ, no Rio de Janeiro (RJ). De lá
para cá, muita coisa mudou, seja na sociedade como também no fazer museal. Os públicos de hoje, cada
vez mais exigentes e segmentados, ensejam novas abordagens, especialmente em uma era na qual a
internet ampliou em larga escala a produção e o acesso à informação.

O modo de interação dos museus com seu entorno, especialmente nos grandes centros urbanos, foi
definitivamente impactado com o avanço da conectividade digital. Para alguns, a interação entre
pessoas e máquinas tornou-se capital. Para outros, ainda há limites a serem superados para dar conta
do novo paradigma digital.

Acreditamos que os museus devem apostar em iniciativas que busquem pela via tecnológica se (hiper)
conectar aos seus antigos e novos públicos. Investimentos em digitalização e preservação de acervos,
desenvolvimento de sítios web interativos, presença ativa nas redes sociais, uso de aplicativos e
softwares para mediação são alguns dos caminhos nessa nova trama.

Na perspectiva dos profissionais do campo museal, a era digital apresenta desafios, mas cria
oportunidades de aumento exponencial da influência destes agentes culturais na sociedade do
conhecimento. A tarefa social da curadoria digital, sobre o que precisa de fato ser arquivado
digitalmente, em qual formatos e com qual documentação, emerge no século 21 como experiência
participativa e colaborativa com os públicos interessados. Mas deve caber aos profissionais e
pesquisadores o papel de ativadores e moderadores do processo. Para tal precisam estar preparados,
em sintonia com a modernização de suas instituições e com as políticas estabelecidas para o setor.

Por mais que o digital seja um caminho sem volta, é relevante ressaltar que nem todo fazer museal deve
assentar apenas em uma estratégia desse nível. Segundo dados recentes, 54% dos domicílios tem
acesso à internet no Brasil. Ou seja, 46% da população ainda não está incluída, mesmo com o crescente número de conexões via smartphones e tabletes. É preciso ainda se dedicar àqueles ‘fios’ (indivíduos) que estão offline, especialmente em áreas periféricas, rurais e regiões de difícil acesso.

Que novas abordagens são necessárias para engajar quem não está online? Que outras formas, para
além da internet, estão disponíveis para se criar e estreitar laços com o meio onde se atua? Como
estratégias online e offline podem fortalecer as relações entre pequenos museus, processos museais e
as comunidades onde se localizam? Como grandes museus podem tornar mais fortes os fios que os
conectam aos diversos extratos sociais nos grandes centros urbanos? Vemos aí um campo importante
para a atuação.

Será que o mundo hiperconectado se difere daquele outro artesanal, da comunicação boca a boca e de
adereços feitos de papel crepom? O que eles têm em comum?

É impossível compreender o papel dos museus sem considerar as possíveis conexões entre essas
instituições e seus públicos, sejam elas intermediadas pelos sujeitos e pelas políticas museais, sejam
pelas tecnologias. Amplia-se, dessa forma, o atendimento às demandas por pertencimento,
participação, acessibilidade e diálogo das comunidades, segmentos e grupos sociais, com as instituições
museais. Ampliam-se também, por consequência, o olhar, a criticidade, as percepções, o conhecimento,
as informações dos novos públicos incluídos. Inverte-se a ordem de museus como espaços sagrados e de
públicos como meros receptáculos passivos.

Diante de um cenário fluido, onde convergem seres humanos e máquinas, traçar o perfil dos visitantes
para subsidiar ações com foco em públicos específicos e trazer a contribuição dos interessados para
dentro do museu são caminhos que podem levar a instituição a reforçar as relações com seu entorno.

Esse movimento de abertura e inclusão tende a gerar uma modalidade de ação mais ‘colaborativa’ e
‘descentralizada’ – palavras-chave na contemporaneidade digital. No século 21, o museu deve caminhar
junto com o seu público – ou seja, novos públicos pedem sim novas abordagens!

O tema “Museus hiperconectados: novas abordagens, novos públicos” cria um amplo espectro de
caminhos a serem tomados. Mesmo com o destaque para o aspecto digital, ressaltamos o papel
essencial das relações interpessoais nos museus: as memórias têm cheiro, cor, gosto…e isso é ainda
demasiadamente humano.

Fonte: Instituto Brasileiro de Museus