SÃO PAULO: HOMENAGEM A HILDA HILST ABRE COMEMORAÇÕES DE 50 ANOS DO MUSEU DA IMAGEM E DO SOM

Exposição de fotos tem entrada gratuita

Revelando Hilda Hilst é a mais nova atração do Museu da Imagem e do Som (MIS). O projeto tem entrada gratuita e aborda a vida e obra da escritora, poeta e dramaturga paulista Hilda Hilst (1930-2004) no ano que se comemora 90 anos do seu nascimento. Revelando Hilda Hilst marca o início das comemorações do aniversário de 50 anos do Museu da Imagem e do Som, celebrados em maio de 2020.

Com curadoria do artista visual e jornalista Jurandy Valença e produção da Caboclas Produções, o projeto apresenta uma exposição de retratos de Hilda, alguns deles inéditos, desenhos de sua autoria nunca antes exibidos em público, além de quinze edições originais dos livros de Hilda, com capas de artistas como Darcy Penteado, Clovis Graciano, Wesley Duke Lee, Tomie Ohtake, Jaguar, Millôr Fernandes, Maria Bonomi e Arcângelo Ianelli, entre outros. A mostra se completa com a instalação sonora Rede Telefonia, de Gabriela Greeb e Mario Ramiro, na qual é possível ouvir a voz da autora por intermédio de gravações originais realizadas na década de 1970, quando ela tentava se comunicar com o além. Já a programação paralela traz leituras de seus poemas, com convidados como Cida Moreira, Marina de La Riva e Dudu Bertholini, entre outros. Completa a programação a exibição dos filmes Hilda Hilst pede contato e O Unicórnio, e a leitura dramática de uma de suas peças, O visitante, escrita em 1968 em plena ditadura militar.

A mostra reúne fotografias de Hilda Hilst registradas por quatro fotógrafos em períodos diferentes. A primeira série exibe registros da autora de 1959, quando ela tinha 29 anos, realizados pelo fotógrafo português Fernando Lemos, falecido em dezembro do ano passado. A segunda série, realizada em 1990 pelo fotógrafo, arquiteto, músico e desenhista paulistano Gal Oppido (1952) retrata Hilda com 60 anos; os registros foram feitos durante uma entrevista que o escritor Caio Fernando Abreu fazia com Hilda para a revista A-Z. Traz também uma série do fotógrafo paulistano Eduardo Simões (1956), que realizou fotos da autora na sua residência, a Casa do Sol, em Campinas (SP), em 1999. As imagens registram não só a escritora, mas sua casa e seu entorno, inclusive seus inseparáveis companheiros, as dezenas de cachorros que moravam com ela. A última série é do Jornalista, fotógrafo e curador independente, Eder Chiodetto, autor do livro O lugar do escritor (Cosac Naif/2002), que retrata 36 escritores brasileiros, entre eles Hilda Hilst, em registros feitos sete anos antes de sua morte. A maioria das fotografias de Oppido e Simões nunca foram exibidas.

“Hilda Hilst se isolou na Casa do Sol e lá permaneceu até sua morte criando alguns dos textos mais significativos da literatura brasileira. Tive a sorte e o prazer enorme de morar e trabalhar com ela por um período de quatro anos no começo da década de 1990”, conta Jurandy Valença. “Nesses 90 anos de seu nascimento, essa mostra é uma homenagem que reúne inúmeros registros nunca antes vistos ou ouvidos pelo público, alguns em raras e pontuais oportunidades. Eles apresentam uma Hilda com múltiplas facetas, além da escritora, poeta, dramaturga e cronista, mas também uma desenhista que criava seres híbridos que se situavam entre o humano, o animal e o vegetal em uma atmosfera que dialoga muito com o surrealismo”, completa. O público também poderá ver a matriz em madeira da xilogravura da artista Maria Bonomi, realizada na década de 1970, que foi usada para a capa de um dos mais importantes livros de Hilda, Qadós; e um livro em francês de Freud, da biblioteca de Hilda, com grifos e um desenho assinado por ela.

Instalação sonora: Rede telefonia

A instalação de Gabriela Greebe Mario Ramiro dá continuidade às experiências realizadas pela escritora brasileira Hilda Hilst na década de 1970, quando ela procurava por meio de gravações de sinais de rádio, um canal de comunicação com amigos já falecidos. Ela escolhia um espaço vazio entre duas estações e registrava em fita magnética alguns minutos do chiado característico das estações fora do ar. Conhecido como ruído branco este chiado seria, supostamente, o meio utilizado pelos “espíritos” para entrar em contato com o nosso mundo. A partir de arquivos originais, Rede telefonia propõe ao público uma provocação: entrar em contato com a poeta, morta em 2004 e que em suas experiências perguntava “Vocês Mortos, vivem?” A transcrição completa do acervo de fitas cassetes de Hilda Hilst foi publicada pela primeira vez no livro Hilda Hilst pede contato. No volume, com o auxílio do código QR o material original também pode ser escutado pelo leitor. Nos áudios em primeira pessoa e em conversas com pessoas próximas como Lygia Fagundes Telles, ela discorre sobre o tempo, comenta obras e escritores, fala de sua solidão, de sua escrita, do desejo de ser lida e traduzida. Na mostra o público também poderá acessar – via QR Code – áudios com cerca de 20 poemas lidos pela própria autora.

SERVIÇO

Revelando Hilda Hilst

Até 15 de março

Horário: das 10h às 22h (terça a sábado) e das 10h às 20h – (domingos e feriados)

Local Espaço Expositivo Térreo e Nicho

Gratuito

Museu da Imagem e do Som – MIS

Avenida Europa, 158, Jardim Europa, São Paulo| (11) 2117 4777 | www.mis-sp.org.br

Estacionamento conveniado: R$ 18. Acesso e elevador para cadeirantes. Ar condicionado.

Fonte: Sec. de Cultura de SP