Sábado resistente do dia 14 de maio faz homenagem aos 50 anos da peça ‘Morte e Vida Severina’

No dia 14 de maio, o Memorial da Resistência, instituição da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, realizará mais uma edição do Sábado Resistente, projeto realizado em parceria com o Núcleo de Preservação da Memória Política. O evento acontece às 14h, com presença da equipe de produção e encenação de “Morte e Vida Severina”, adaptação teatral do poema de João Cabral de Melo Neto, em 1966, que fará uma mesa redonda na ocasião.

Sobre a peça
Em 1965, o Departamento Cultural do Diretório Central dos Estudantes assumiu a responsabilidade de criar o grupo de teatro TUCA (Teatro da Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP). Para isso, contratou Roberto Freire como seu diretor, Silnei Siqueira como diretor de atores e José Armando Ferrara como cenógrafo.

Para a estreia, o grupo decidiu transformar em peça o clássico poema de João Cabral de Melo Neto, “Morte e Vida Severina”. O então diretor convidou o jovem Chico Buarque de Holanda para musicalizar o poema, que criou quatro canções para o espetáculo. A peça estreou em setembro daquele ano e atraiu diversas críticas positivas e grande clamor do público.

O grupo foi então convidado a se apresentar em Nancy, na França, em 1966, onde recebeu um prêmio de crítica e público do IV Festival de Teatro Universitário de Nancy. Foi a primeira vez que um grupo de teatro estudantil brasileiro recebeu tao importante prêmio internacional. Isto ocasionou o convite para se apresentar em diversas cidades francesas e tambem em cidades de Portugal. A peça, apresentada em várias cidades européias, ajudou a denunciar a ditadura civil-militar no Brasil, implementada em 1964. Eles foram acompanhados por Chico Buarque e João Cabral, que na época residia na Suíça.

A música da peça foi gravada ao vivo e transformada em disco pela Companhia Brasileira de Discos, com selo da Philips.

O poema
O poema de João Cabral de Melo Neto foi publicado 1955. É um auto de natal nordestino, que conta a história de Severino, um retirante que deixa o sertão e parte para Recife em busca de uma vida melhor. Severino desce o rio Capibaribe em direção ao mar e durante o trajeto se depara com cenas de morte e miséria e, aos poucos, desenvolve uma desilusão diante da vida. Quando chega na cidade, mais especificamente na periferia, depois de ver mais cenas de morte, decide se suicidar. No entanto, é interrompido pelo anúncio do nascimento do filho de um carpinteiro. Os presentes pobres trazidos por vizinhos e a nova vida reacendem a esperança de todos na vida.

PROGRAMAÇÃO
14h00 – Boas vindas – Kátia Felipini Neves (Memorial da Resistência de São Paulo)
14h30 – Coordenação – Elza Lobo (Núcleo de Preservação da Memória Política)

Mesa Redonda:

José Armando Ferrara
Foi o primeiro cenógrafo do Teatro da Universidade Católica (TUCA) e responsável pela cenografia da peça “Morte e Vida Severina”.

Ana Lucia Torre
Atriz brasileira de cinema, teatro e televisão. Atuou em “Morte e Vida Severina” enquanto cursava ciências sociais na PUC-SP. No momento, atua na novela da Rede Globo “Êta Mundo Bom!”.

Ana Maria Bianchi
Atualmente é professora sênior da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo. Atuou na peça do TUCA enquanto cursava Ciências Sociais na PUC-SP. É doutora em Sociologia e possui livre docência na área de Ciências Sociais Aplicadas.

Magaly Toledo Canto
Advogada. Foi uma das atrizes da peça.

Memorial da Resistência de São Paulo 
Endereço: Largo General Osório, 66 – Luz – Auditório Vitae – 5º andar Telefone: (011) 3335-4990/faleconosco@memorialdaresistenciasp.org.br
Aberto de quarta a segunda (fechado às terças)
Entrada Gratuita

Fonte: Memorial da Resistência | Núcleo