Sábado Resistente de março terá vídeo, mesa redonda e debate sobre tortura

Programação do Sábado Resistente terá projeção de vídeo, mesa redonda e debate com o público no dia 05 de março, às 14h, com entrada gratuita

O Memorial da Resistência, instituição da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, realiza mais um Sábado Resistente, projeto realizado em parceria com o Núcleo de Preservação da Memória Política. No dia 05 de março, às 14h, haverá projeção de vídeo, mesa redonda e debate com o público sobre  tortura em “50 anos depois – O caso das mãos amarradas”, com entrada gratuita.
Para relembrar o caso emblemático e revelador do modus-operandi que caracterizaria a violência policial e militar a partir de 1964, o Sábado Resistente debaterá com especialistas e sobreviventes o seu alcance, suas repercussões e os ensinamentos que podem ser extraídos para entender melhor a realidade atual do país.

Sobre “50 anos depois – O caso das mãos amarradas”.  

Há cinquenta anos, no mês de agosto 1966, o corpo de Sargento Manoel Raimundo Soares foi encontrado por um pescador no Rio Jacuí nas proximidades de Porto Alegre, com as mãos atadas às costas. Este caso, que ficou conhecido como “Caso das mãos amarradas”, tornou-se foco, depois de muitos debates, de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. Os resultados dessa CPI evidenciaram pela primeira vez, de forma oficial, que a prática de torturas contra opositores políticos do regime havia se tornado uma rotina.

Manuel Raimundo Soares que, se vivo, completaria no mês de fevereiro 80 anos de idade, nasceu em Belém e ingressou no exército aos 17 anos, no Rio de Janeiro. Por fazer parte do grupo dos sargentos favorável ao presidente João Goulart, foi transferido para Mato Grosso onde, depois do golpe civil-militar em 1964, teve sua prisão decretada. Passou a atuar na clandestinidade como membro do Movimento Revolucionário 26 de março, que promoveu o primeiro movimento guerrilheiro no país conhecido como a “Guerrilha de Três Passos”. Preso no dia 11 de marco de 1966, foi levado à Polícia do Exército e ao DOPS, onde foi submetido a violentas torturas.

PROGRAMAÇÃO
14h – Boas vindas – Aureli Alcântara (Memorial da Resistência de São Paulo)

14h30 – Coordenação – Maurice Politi (Núcleo de Preservação da Memória Política)

14h 30 – Projeção de vídeos e debate

Mesa Redonda com:
– Jair Krichke – Ativista dos direitos humanos no Brasil, Uruguai, Chile e Paraguai. Em 1979, fundou o Movimento de Justiça e Direitos Humanos (a mais antiga ONG de direitos humanos do Brasil), sendo seu atual presidente. Testemunha no processo Operação Condor, movido pela Justiça italiana contra militares brasileiros e argentinos.  

Daltro Jacques D’Ornelas – Capitão reformado do Exército, na época do golpe era terceiro sargento do Exército, depois cassado.  Militou nos movimentos de resistência e foi integrante da Guerrilha de Caparaó, segunda tentativa de insurgência armada contra o regime feita por ex militares cassados, durante os anos de 1966 e 1967. Foi eleito deputado federal em 1982.

16h30 – debate com o público

SERVIÇO
Memorial da Resistência de São Paulo Endereço: Largo General Osório, 66 – Luz – Auditório Vitae – 5º andar Telefone: (011) 3335-4990/ faleconosco@memorialdaresistenciasp.org.br
Aberto de quarta a segunda (fechado às terças)
Entrada Gratuita

Fonte: Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo