“Com prédio anexo, Masp vai ‘bombar'”, diz nova presidente do museu

Aos 81 anos, Beatriz Pimenta Camargo assumiu a presidência do Masp na semana retrasada esbanjando otimismo. Primeira mulher a ocupar o cargo no museu, fundado em 1947, ela inicia a gestão com a segurança de quem integrou sua diretoria desde o fim da década de 1990 e criou relação afetiva com o local.

Ao lado do marido, Mário Pimenta Camargo, morto em 1996, foi amiga de Pietro Maria e Lina Bo Bardi, idealizadores do Masp. O casal cultivou o apreço por arte criando uma importante coleção brasileira, já exibida no Guggenheim, em Nova York.
Sucedendo João da Cruz Vicente de Azevedo, de quem era vice, Camargo deverá apresentar uma gestão de continuidade. Nos últimos dois anos, Azevedo aumentou a frequência anual de 660 mil para 850 mil visitantes, mas não resolveu impasses com o poder público.
 
Até 2015, um dos principais desafios será melhorar as articulações com o ministério e as secretarias de Cultura, reivindicação já declarada por Teixeira Coelho, curador do museu. Atualmente, a maior parte do orçamento de cerca de R$ 10 milhões depende da iniciativa privada. Entre os planos da presidente, está a inauguração do prédio anexo Masp-Vivo.
 
Letícia Moreira/Folhapress
Beatriz Pimenta Camargo (foto), nova presidente do Masp, no subsolo do museu, localizado na avenida Paulista
 
são paulo – Qual sua primeira memória do Masp?
Beatriz Pimenta Camargo – É bastante antiga. Era adolescente e fiz um curso de arte com o professor Flávio Motta, quando o Masp ainda era na rua Sete de Abril. Depois, durante a vida inteira, tive relações com o museu. Meu marido foi ligado à arte e éramos amigos de Pietro e Lina Bo Bardi. Sempre tive uma relação afetiva com o Masp.
 
O Masp é apontado como um dos pontos turísticos mais procurado de São Paulo. Quais são as principais razões da popularidade?
São vários fatores. Temos um acervo extraordinário, um prédio que é referência arquitetônica na cidade e apresentamos boas mostras. Além das exposições, temos as atividades de música e de teatro. Um conjunto de fatores tornaram o Masp um ponto de referência.
 
E o que falta? Quais são os desafios da sua gestão?
A vida é dinâmica. Hoje há uma série de novidades. As instituições devem ser dinâmicas também. A produção contemporânea deve ser mostrada pelos museus. Vamos acompanhar o tempo em que vivemos e nos adaptar às necessidades de acordo com as possibilidades.
 
A senhora está otimista?
Muito. Acredito que o Masp seja uma marca valorizada. É um prestígio apoiá-lo. Os empresários nos ajudaram na revitalização do prédio, mas precisamos de mais, cada vez mais. Iniciativa privada, sociedade civil, todos têm de contribuir. Acredito que a cultura possa ajudar a resolver muitos problemas. A arte é vital nos projetos de educação, é uma solução a longo prazo.
 
E as relações com o poder público? Quais são as previsões?
Assumi há dois dias. Não quero falar sem base. Me reunirei com todas as equipes do museu para ver os projetos em andamento. De qualquer forma, o clima é de muito otimismo. O secretário estadual da Cultura, Marcelo Araújo, foi um dos primeiros a me felicitar, e recebi uma mensagem da ministra da Cultura, Marta Suplicy (PT). Damos início à gestão com muito apoio. Sobre a Copa, estamos estudando as possibilidades. Pensaremos uma programação especial.