Projeto que marca os 60 anos da greve dos Queixadas em Perus foi viabilizado pelo ProAc

O projeto “Trilha da Memória” consiste em promover a reflexão e recontar a história do bairro de Perus de forma lúdica e criativa, comemorando 60 anos da luta dos Queixadas por meio de duas Intervenções Artisticas: Queixadas Parade e Reemplaca Memo(ria), ações desenvolvidas pela Comunidade Cultural Quilombaque, lançadas em 13 de maio, com duração de quatro meses, no bairro Perus, em São Paulo.

O projeto só foi colocado em prática por ter sido contemplado pelo ProAC, que está com inscrições abertas no site www.proacexpresso.sp.gov.br, com editais que contemplam o setor de museus, entre outros setores.

A greve dos Queixadas foi um movimento envolvendo centenas de operários da Companhia de Cimento Portland Perus – primeira fábrica de cimento do Brasil, criada em 1924, em Perus, bairro da região noroeste paulistana. Durante sete anos (1962 – 1969), esses trabalhadores paralisaram suas atividades, reivindicando seus direitos trabalhistas.

A manifestação ganhou esse nome porque os grevistas eram conhecidos como Queixadas, fazendo alusão a um tipo de porco selvagem que sempre lutava em grupo contra seus inimigos de forma persistente.

A paralisação é relembrada pela população de Perus por meio de debates e eventos culturais que visam, inclusive, a ressignificar esse marco histórico por meio da construção de um Centro de Memória, a partir da reapropriação da Fábrica de Cimento da região, que foi tombada como patrimônio histórico de São Paulo, em 1992, e se encontra em deterioração.

Neste ano, em que a luta dos Queixadas completa 60 anos, a Comunidade Cultural Quilombaque celebra esse momento por meio de duas intervenções artísticas, com o intuito de promover reflexões e recontar a história da região de forma lúdica e criativa.

Uma delas é a Queixadas Parade, que consiste na exposição de sete esculturas de porcos Queixada, customizadas por artistas locais de diversas vertentes. São eles:  Bonga Mac, Cleiton Fofão, Danilo Guetus, Dede Ferreira, Derf, Dinas Miguel, Jana Albuquerque, Marina Lima e Thiago Consp.

As obras simbolizam marcos históricos ligados aos movimentos de luta do território, envolvendo os seguintes temas: Povos Indígenas, Movimento Queixada, Movimento Negro, Movimento MST, Meio Ambiente, Movimento de Moradia e Vala Comum. As esculturas são expostas em locais públicos de São Paulo, como praças, escolas, feiras de rua, estações de trem etc., para que as pessoas possam interagir com a arte. 

De acordo com os organizadores, a ideia do Queixadas Parade surgiu a partir do grande sucesso do Cow Parade, esculturas de vacas em fibra de vidro decoradas por artistas e distribuídas pelas cidades, e ficou reconhecida como a maior exposição pública do planeta, percorrendo diversas cidades mundo afora. As esculturas estão expostas em praças, escolas, feiras de rua, estação de trem, entre outros locais.

A outra intervenção artística é o Reemplaca Memo(ria), cuja proposta é renomear, de forma simbólica, as principais ruas do bairro de Perus com trinta placas comemorativas pelos 60 anos de luta dos Queixadas.

 Segundo Dedé Ferreira, idealizador e coordenador do projeto, as placas trazem nomes dos ‘Queixadas’ com o intuito é despertar a curiosidade das pessoas em saberem mais sobre essa história importante que ocorreu no bairro, para a população saber quem são essas  pessoas e o que elas representam.

“Renomear as ruas é também uma forma de provocar uma discussão, de levantar o questionamento sobre o motivo de os nomes de ruas serem sempre de pessoas que estiveram no poder, estamos falando de um local em que teve a maior greve operária do Brasil e nenhuma rua tem os nomes dos trabalhadores”, comenta Dedé.

“Queremos provocar tanto a população quanto o poder público sobre como a gente discute e rediscute a cidade, como rememos essa memória porque, infelizmente, a história dos Queixadas não está no livro didático, está na memória oral, por isso é importante não deixar que caia no esquecimento. É fundamental trazer essa exposição nesse olhar de provocação, provocar para conhecer, essa é a proposta”, finaliza.

O projeto “Trilha da Memória” foi contemplado com o edital ProAC 13/2021 – Artes visuais/produção (presencial ou on-line, do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Cultura e Economia do Estado.

Os editais já lançados pelo ProAC Expresso 2022 que estão disponíveis para inscrições podem ser acessados aqui.

Fonte: Comunidade Cultural Quilombaque