Programador do CCBB fala sobre as grandes filas em exposições

O céu é o limite", diz Fernando Spaziani, 41, gerente de programação do Centro Cultural Banco do Brasil (centro de São Paulo) sobre o número de visitantes da exposição "Impressionismo: Paris e a Modernidade", que fica em cartaz até o próximo dia 7.

Cerca de 250 mil pessoas já viram as 85 obras do museu D'Orsay. Até o fim da mostra, com média diária de 5.700 visitantes, pode haver recorde de público na casa.
 
Fernando Spaziani, gerente de programação do CCBB (centro), que recebe exposição com obras impressionistas
 
sãopaulo – Como o centro está lidando com as filas da mostra em cartaz?
Fernando Spaziani – Quando há fila na rua, é nossa responsabilidade tentar organizá-la. Pedimos gradis para não haver gente furando fila. Também estendemos o horário de visitação. E, a pedido do museu D'Orsay, criamos um percurso pré-definido para a visitação. Isso abrevia a visita.
 
Aumentou o interesse por arte em São Paulo?
Sim. Agora mesmo, estamos com a Bienal, que tem atraído muita gente, e filas para Caravaggio, no Masp. O presidente do museu D'Orsay apontou uma pesquisa que constatou que os brasileiros são hoje o segundo público que mais visita o museu, depois dos norte-americanos. Isso é um fenômeno.
 
O sucesso de público depende da entrada gratuita?
Acho que gratuidade é um pilar da [nossa] atuação. Mas o interesse [por arte] é característico da cidade. As pessoas estão valorizando mais. Elas estão indo ao Masp também, que cobra entrada.
 
Houve mudanças nas exibições que explicassem o aumento de público?
Acho que as exposições somente contemplativas não atendem mais ao interesse do público. As pessoas estão em busca de mais interatividade. Os museus procuram proporcionar alguma experiência, alguma interatividade.
 
A que você atribui essa mudança?
É uma mudança do olhar. O mundo está mais participativo. O público quer estar inserido, não só contemplar. Às vezes, o projeto de arte-educação basta para fazer a aproximação com a obra. Mas que o educador não seja um informativo vivo, que só fala. Que ele busque informações no repertório do visitante. O visitante fala mais do que ouve.
 
Fonte: Folha de S.Paulo