Produção local ganha destaque no 37º Salão de Artes de Ribeirão

Após mais de uma década, um artista local volta a ser premiado no Sarp, referência no País

Acreditem, há 12 anos um artista ribeirão-pretano não era premiado na mais respeitada mostra de arte contemporânea da cidade. O último felizardo foi Olavo Senni, na 24ª edição do Salão de Arte de Ribeirão Preto. Porém, depois de participar por três vezes do Sarp, este ano a fotógrafa local Adriana Amaral faturou o Prêmio Cidade de Ribeirão, no valor de R$ 8 mil. Além dela, apenas os artistas de São Paulo André Terayama e Meiko Fukimoto ganharam, respectivamente, os prêmios Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto e Leonello Berti – ambos nos valores de R$ 8 mil cada.

As obras ficam em exposição no Marp (Museu de Arte de Ribeirão Preto) até o dia 23 de setembro, juntamente com outros trabalhos selecionados para a 37ª edição do salão.

“Olha, acredito que o prêmio foi por merecimento mesmo. Porque são nove anos de estudo, pesquisas e comprometimento com a arte”, ressalta Adriana, sem falsa modéstia.

“Lugares que Moram pra Sempre – Série 2” é o nome do trabalho vitorioso de Adriana, ex-zootecnista que atualmente se dedica de corpo e alma às artes visuais. Trata-se de um painel fotográfico em que ela registra um dos cômodos da casa em que seus pais viveram por 49 anos.

O trabalho faz parte de uma série iniciada em novembro de 2011, com a ideia de traçar um olhar subjetivo sobre aquele imóvel tão cheio de histórias e lembranças. A artista explica que, ao invés de simplesmente retratar pessoas com quem conviveu há décadas, resolveu registrar a estrutura física da casa.

“Foi num período em que minha mãe estava muito doente e decidiu deixar a casa. Antes, resolvi fazer fotos de todo o imóvel. Na época, eu estava muito triste, mas tive uma sensação de leveza quando terminei o trabalho”, conta a artista, ressaltando o caráter terapêutico de sua criação.

Olhar urbano

Fotógrafa autodidata, Adriana iniciou sua carreira registrando paisagens em áreas rurais pelo interior paulista. Porém, ao deixar a Zootecnia, seu olhar ficou mais urbano, com séries sobre a arquitetura das grandes cidades.

“A partir de 2010, meu trabalho foi mudando porque as informações começaram a ser outras”, explica.

A vida urbana também é uma das preocupações de Ruy Marques Ferreira, um dos quatro artistas plásticos locais selecionados para o Sarp 2012. Além dele e de Adriana, estão presentes Weimar e Keytielle Mendonça.

Seu trabalho “Akkabe1Árvore” é uma intervenção que chama a atenção pelo caráter conscientizador. Ruy pintou grandes círculos em várias calçadas da cidade em protesto pelos baixos índices de arborização em nossas ruas.

Os círculos representam locais nos quais as árvores poderiam ser plantadas. O trabalho foi realizado até mesmo na calçada que fica em frente ao Marp.

“É uma forma de sensibilizar um número maior de pessoas para um assunto tão sério”, afirma Ruy, que defende a intervenção urbana como a mais democrática das manifestações artísticas. “A obra sai do museu ou da galeria e vai para as ruas. Ali, naquele momento de abstração, acaba tirando as pessoas dos problemas do cotidiano e daquele turbilhão mental”, argumenta.

É a segunda vez que Ruy participa do salão. A primeira foi há quase 30 anos, quando tinha apenas 19. “Nesse meio tempo, tive uma carreira publicitária. Porém, nos últimos anos, retomei as artes plásticas”.  

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Fonte: Jornal A Cidade
Imagem: F.L Piton / a cidade