Prefeitura de Santos assume gestão do Museu Pelé

Com acordo, ele passa a ser departamento da Secretaria Municipal de Turismo

TED SARTORI 10/03/2016

A Prefeitura de Santos será a nova gestora do Museu Pelé, localizado no Valongo. O acordo foi celebrado na tarde de quarta-feira (9) e permite que o empreendimento passe a ser um departamento da Secretaria de Turismo e será responsável pelas 560 peças – 144 em exposição e outras 416 na reserva técnica.

A assinatura da doação dos itens ocorreu no escritório das empresas do Rei do Futebol, no Centro. Também foi acertado o distrato com a AMA Brasil, uma Oscip (Organização de Desenvolvimento Cultural e Preservação Ambiental), que administrava o local e enfrentava problemas. O processo de transição irá demorar de 20 a 30 dias.

“O mundo inteiro gostaria de ter esse acervo. Foi daqui que ele saiu para o mundo e vamos trazer o mundo para conhecer a história do Pelé”, afirmou o prefeito Paulo Alexandre Barbosa. ”Agora, ficou realmente o Pelé Eterno”, comentou o Rei do Futebol, aos risos. “Tenho certeza de que as peças vão ser bem cuidadas. Não teria lugar melhor para a minha memorabilia do que em Santos”, emenda, agradecendo também à AMA pela proteção dos objetos. O preferido é a caixa de engraxate, que carregava quando garoto em Bauru para faturar seus primeiros trocados.

Pelé até relembrou um pedido feito pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), certamente na época da escolha de Santos. “Quando soube, o Alckmin me ligou: ‘Pô, você vai fazer isso comigo. Eu que sou santista. Vamos fazer aqui em São Paulo”, contou Pelé, interrompido por Paulo Alexandre. “Mais do que eu ele não é”. E o Rei concluiu. “Não, governador, desta vez não vai dar”.

Com bom humor, confirma com a recuperação da cirurgia no quadril, feita nos Estados Unidos em dezembro. “Nesses últimos quatro meses estou começando a me movimentar bem e, se Deus quiser, logo estou batendo bola no Santos”.

Da mesma forma, na brincadeira, diz que luta por uma vaga entre os três profissionais que podem ser convocados no futebol para os Jogos Olímpicos do Rio.

Falando em Santos FC, Paulo Alexandre Barbosa deixou claro que o clube da Vila será um dos parceiros da Prefeitura. “Já existe uma tratativa bem avançada com o presidente Modesto Roma Júnior”, afirma. “Estamos acertando os detalhes, as regras. É isso que está combinado com o prefeito. A parceria está de pé”, emenda o mandatário do Alvinegro, por telefone, para A Tribuna.

O valor estimado pelo seguro das peças é de R$ 19 milhões. O Condepasa (Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Cultural de Santos) iniciou recentemente processo de tombamento do acervo. “Não sabemos quantas nem quais peças serão, nem há um prazo, mas quero ver se é possível ainda neste ano que a gente conclua esse procedimento”, afirma o presidente do Condepasa, Bechara Abdalla.

Ele ressaltou que qualquer alteração no acervo ou saída de algum artigo da Cidade terá que ser previamente comunicada ao Condepasa. “Quem irá autorizar a saída será o município, dentro de um limite de, no máximo, 20% das peças expostas. E por 90 dias, para que possam rodar o mundo, potencializando o museu”, completa Paulo Alexandre.

Uma das intenções é que as mudanças de artigos expostos no Museu Pelé sejam constantes, ao contrário do que vinham ocorrendo. Dessa forma, o público poderia aumentar. E o preço do ingresso (R$ 18,00), diminuir.

“Temos um plano de marketing que vai ser divulgado antes do final do período de transição. E isso inclui a redução significativa do preço do ingresso, para garantir maior acessibilidade aos santistas e para aqueles que visitam nossa Cidade”, afirma o prefeito Paulo Alexandre Barbosa.

Além disso, está previsto um projeto dentro da rede pública de ensino, incluindo escolas municipais e estaduais, de todas os municípios da Baixada Santista, para garantir facilidades aos estudantes na visitação.

Apesar dos problemas enfrentados ao longo dos quase dois primeiros anos do Museu Pelé, a AMA Brasil procurou não encarar como uma derrota a entrega das peças do acervo e, por consequência, da gestão do local à Prefeitura. O presidente da entidade, José Luiz Aranha Moura, julga que o papel da Oscip estava cumprido até somente com o restauro do prédio histórico, no Valongo.

“Ficamos em uma fase de transição por termos feito o restauro do imóvel. Alguns patrocinadores queriam que a gente continuasse na gestão por terem dado patrocínio no imóvel. Então ficamos. Mas não é a vocação da AMA Brasil continuar administrando o museu. Para nós, é um equipamento da cidade de Santos. Acho que ficar com a Prefeitura é o mais correto”, explica Moura.

O mandatário da AMA Brasil, inclusive, culpou o público baixo, ocasionando arrecadação que não pagava a manutenção, pelas obras prometidas no entorno do local – muitas não saíram do papel. Foi o caso, por exemplo, da não recuperação dos armazéns do Porto na região. Em outras palavras, o pioneirismo do Museu Pelé saiu caro.

”Em volta da gente vinha a Petrobras, as construtoras com um monte de imóveis e os armazéns que seriam restaurados. Havia uma promessa de um público circulante muito grande, que iria movimentar bastante o Museu. Fomos os primeiros e fizemos a nossa parte, enquanto os outros, por circunstâncias, não saíram. Ficamos, então, restritos de público, de publicidade, de tudo. Agora, na mão da Prefeitura temos certeza de que é muito mais fácil trazer patrocínio e todas as coisas que podem movimentar o Museu”, analisa Moura.

Projeto aprovado

A AMA Brasil, inclusive, se colocou à disposição da Prefeitura para qualquer ajuda, mesmo depois do período de transição entre os gestores. E com direito a possibilidade de dinheiro. “A AMA tem aprovado para o museu um projeto de R$ 10 milhões junto ao Ministério da Cultura, por intermédio da Lei Rouanet. Caso a Prefeitura se interesse em captar esse recurso, é fácil e ela pode gerenciar, assim como a AMA pode gerenciar para a Prefeitura”, afirma Moura.

Fonte: http://www.atribuna.com.br/noticias/noticias-detalhe/santos/prefeitura-de-santos-assume-gestao-do-museu-pele/?cHash=3316560b890c37304014ecc7fa6c7ff8