Pelicano abre mostra inédita na Casa do Arquiteto, em Ribeirão Preto

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Foto: Divulgação /  Varal Diverso

Exposição reúne 27 trabalhos que resumem 36 anos de carreira do irmão mais velho do cartunista Glauco

Se tomarmos como base a produção diária do cartunista César Augusto Vilas Bôas, o Pelicano, 62 anos, ele deve ter mais de 13 mil desenhos produzidos em seu acervo pessoal – precisão que nem o artista sabe dar.

Apenas de 2000 para cá, quando passou a digitalizar seu trabalho, foram cerca de 5110 artes publicadas em diversos meios de comunicação, propondo reflexões sobre temas atuais de forma bem-humorada. 

Tudo feito à moda antiga, com papel e lápis. Há dois dias com uma tablet (mesa digitalizadora de desenho), Pelicano ainda está se adaptando às modernidades do novo brinquedo.

Comemorando 36 anos de carreira, o artista ribeirão-pretano inaugura hoje na cidade uma mostra que reúne 27 charges e cartuns – praticamente uma degustação perto do prato cheio que é a obra de Pelicano. Aliás, ‘Prato Cheio’ foi o nome de uma revista que o artista lançou nos anos1980.

“Publico na revista Móbile do CAU (Conselho de Arquitetura e Urbanismo) e o convite para fazer a mostra surgiu de repente. Fiz uma busca rápida e, sem muito critério, selecionei materiais pelos quais tenho simpatia”, conta o desenhista.

A exposição realizada pela Regional do Sindicato dos Arquitetos do Estado de São Paulo (Sasp) é gratuita e pode ser conferida de segunda a sexta-feira, até 15 de novembro, na Casa do Arquiteto.

Pelicano conta que a iniciativa despertou o desejo de promover, num futuro não muito distante, algo maior, como uma exposição comemorativa pelos seus 40 anos de carreira.

“Vai dar trabalho, pois tem muita coisa no original, sem digitalização. Vou precisar da ajuda de um curador para não ir só pelo meu gosto pessoal”, avalia.

Limite e perda
Seca, falta de água, miséria e outros problemas com foco social pautam os trabalhos expostos e são temas recorrentes nas charges e cartuns do artista, que faz questão de esclarecer que as primeiras obras na mostra estão relacionadas a fatos atuais, enquanto os últimos são atemporais.

“Gosto muito da arte da ‘bola de cristal’, em que a vidente ‘lê’ muita luz na vida da pessoa, mas também muita água e telefone (risos)”, conta. Para a exposição, diz ter evitado as charges políticas, por dependerem de um contexto muito específico para fazerem sentido.

Em sua vasta produção para a grande imprensa, em publicações como ‘O Pasquim’, ‘Folha de S. Paulo’, ‘Correio Popular’ e animações para EPTV, entre outros, Pelicano diz nunca ter enfrentado censura, mas confidencia que o limite do seu humor é a tragédia alheia.

“Acho desrespeitoso e apelativo falar de alguém que morreu. Não gosto”, diz. 
Fã de seus pares, como os cartunistas Renato Andrade e Thomate, ambos colaboradores de A Cidade, além de mestres como Henfil, Jaguar, Angeli e Laerte, descobriu seu talento em casa, graças ao bom humor da família e à mãe, desenhista.

Irmão do também cartunista Glauco, assassinado em 2010, Pelicano conta que o tempo não diminui o vazio deixado pela perda do parceiro. “Penso nele toda vez que pego no lápis pra desenhar. Todo dia”, lamenta. Para o artista, a solução é seguir confiante e sintonizado com o seu trabalho.

Artista dirige o templo Rainha do Céu

Pelicano é um dos dirigentes da única igreja do Santo Daime de Ribeirão Preto, que fica no Jardim Ouro Branco. O templo, chamado Rainha do Céu, é o lugar onde os daimistas da região vão para rezar seus hinos e tomar o chá Ayahuasca (o Santo Daime), em busca de espiritualidade.

Serviço – Exposição Pelicano

De hoje a 15 de novembro, das 9h às 17h, no Sindicato dos Arquitetos de Ribeirão Preto

rua João Penteado, 220 

Gratuito. Inf.: (16) 3421-9870

Fonte: Jornal A Cidade