Paço das Artes: duas novas exposições da Temporada de Projetos 2018

Mostras tratam do urbanismo predatório e de relações entre textos e a arte por meio de uma experiência imersiva

O Paço das Artes – instituição da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo – recebe “Miragem Cariri”, de Naiana Magalhães, e “VISÃO PERIFÉRICA”, de Maíra Dietrich, na penúltima exposição da Temporada de Projetos 2018. As mostras ficam em cartaz até 04 de novembro na sala expositiva do térreo do MIS – Museu da Imagem e do Som (av. Europa, 158) com entrada gratuita.

A exposição “Miragem Cariri”, de Naiana Magalhães, por meio de um conjunto que comporta objetos e videoinstalações, lida com signos imersos no contexto de um espaço urbano do litoral, tomado pela especulação imobiliária. Usada para revestir quase todo o calçadão da Beira-Mar em Fortaleza-CE, a pedra cariri, provinda do sertão cearense, é rica em terreno calcário e em fósseis. Ela brota de uma das maiores reservas paleontológicas das Américas e é explorada para a construção civil em larga escala. O conjunto das obras, com forte presença de pedras cariri, explicita indícios de que o sertão já foi mar e também representa conexões entre o passado, por meio das “pedras-fóssil” do calçadão, e o futuro, conclamado pela construção civil através de um discurso desenvolvimentista que culmina em um “urbanismo predatório”.

“VISÃO PERIFÉRICA” é um “aglomerador” de escritos e memórias, de textos e fragmentos sobre o espaço do papel, do tempo da escrita e do conflito entre o intuito de guardar e o esquecimento. A exposição é composta por três obras: um conjunto de áudios que reproduzem a leitura de textos e poesias; uma projeção dupla (a primeira, com imagens, por meio de um projetor de slides e a outra, de textos em forma de legendas, por meio de um projetor de vídeos) e; páginas manuscritas arrancadas de cadernos. Segundo a artista Maíra Dietrich, “visão periférica é o nome dado a toda percepção visual que ocorre fora do foco ocular. É a visão não-central, a habilidade de perceber o que está ao redor da mira dos olhos, um exercício de compreender e se colocar em relação ao contexto que nos circunda, o que nos permite ver sem ser vistos”. Trata-se, também, de um termo adotado por ela para definir sua metodologia de trabalho, que consiste na “construção de um corpo de trabalhos que se relacionam pela forma como discutem o texto e a escrita como arte”.

Além dos trabalhos de Maíra Dietrich e de Naiana Magalhães, o júri da Temporada de Projetos 2018 – formado por Clarissa Diniz, Diego Matos, Lúcio Agra e Priscila Arantes – selecionou o projeto curatorial de Juliana Caffé que também será exposto no MIS – Museu da Imagem e do Som, em data a ser definida.

Sobre as artistas

Maíra Dietrich nasceu em Florianópolis em 1988. Sua prática se desenvolve em escrita, desenho, instalação, som e video. É bacharel em Artes Plásticas pela UDESC, em Florianópolis, e Mestre em Fine Arts pelo KASK School of Arts em Ghent, Bélgica. Exposições individuais ESCRITO na Fundação BADESC em Florianópolis e PERIPHERAL VISION no MAP em Ghent. Exposições coletivas no Musée des Abattoirs em Toulouse, França e no Convent em Ghent, Bélgica. Participou de residências na Casa Tomada em São Paulo, Proyecto ‘Ace em Buenos Aires e AFFECT em Berlim. Colabora com a Casa do Povo desde 2015 onde desenvolveu a Oficina de Anedotas em 2017. Desde 2012 atua no meio editorial independente com o selo editorial A Missão.

Naiana Magalhães é artista visual nascida em Fortaleza-CE (1986), graduada no curso de Artes Visuais da Universidade de Fortaleza (2012) e aluna do Laboratório de Artes Visuais da Vila das Artes em Fortaleza (2012). Estudou na Escola de Artes Visuais do Parque Lage (2013-2014). Em 2015 participou de residência artística em Quebec, Canadá, no instituto La Chambre Blanche, em parceria com o LabMIS-SP; do 66º e 67º Salão de Abril em Fortaleza-CE e da 10ª Bienal do Mercosul em Porto Alegre. Mestra no Programa de Pós-Graduação em Artes da Universidade Federal do Ceará (2018.1); Indicada ao prêmio PIPA 2016; Selecionada para a Temporada de Projetos 2018 do Paço das Artes-SP.

Sobre a Temporada de Projetos

A vocação experimental do Paço das Artes é constatada, principalmente, por meio da Temporada de Projetos, que foi criada com o objetivo de abrir espaço à produção, fomento e difusão da prática artística jovem. Concebida em 1996, a Temporada de Projetos teve sua primeira exposição realizada em 1997 e se tornou, ao longo dos anos, um rico celeiro para a cena da jovem arte contemporânea brasileira.

Anualmente, a Temporada abre uma convocatória nacional selecionando nove projetos artísticos e um projeto de curadoria para serem desenvolvidos e produzidos com o respaldo do Paço das Artes. Os selecionados recebem acompanhamento crítico, a publicação de um catálogo sobre suas obras e um cachê de exibição. Desde seu surgimento, quando ainda era bienal (tornando-se anual em 2009), o programa possibilita a emergência de inúmeros artistas, curadores e críticos, muitos deles presentes na cena artística atual.

Em 2014, o Paço das Artes lançou a plataforma digital MaPA (mapa.pacodasartes.org.br), concebida por Priscila Arantes, que reúne todos os artistas, curadores, críticos e membros do júri que passaram pela Temporada de Projetos.

SERVIÇO

Temporada de Projetos 2018 – Paço das Artes
Artistas selecionados: Maíra Dietrich – “VISÃO PERFIFÉRICA” e Naiana Magalhães – “Miragem Cariril”
Acompanhamento crítico: Chris Mello e Diego Matos
Júri: Clarissa Diniz, Diego Matos, Lúcio Agra e Priscila Arantes
Visitação: até 04 de novembro de 2018
Grátis

Paço das Artes no MIS

Av. Europa, 158, Jardim Europa, São Paulo/ SP; tel.: (11) 2117-4777
Horários: terça a sábado, das 12h às 21h; domingo e feriado, das 11h às 20h
Agendamentos de visitas orientadas: educativo@pacodasartes.org.br
Fale conosco: pacodasartes@pacodasartes.org.br
www.pacodasartes.org.br
http://mapa.pacodasartes.org.br

Fonte: Paço das Artes