Oficina Cultural Oswald de Andrade traz seis espetáculos gratuitos em maio

Para garantir o ingresso, basta chegar com uma hora de antecedência

Durante o mês de maio, a Oficina Cultural Oswald de Andrade – equipamento da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo, administrado pela Poiesis – estará com seis novos espetáculos de teatro em cartaz. As montagens trazem reflexões acerca da solidão e degradação humana, a mulher na sociedade, ancestralidade negra, entre outros.

Com estreia no dia 2 de maio, “Condomínio Visniec” abre a temporada. Composto pela articulação entre seis monólogos da coletânea “Teatro Decomposto ou o Homem-lixo” (1996), do dramaturgo romeno Matéi Visniec, a obra apresenta um painel da solidão urbana. O espetáculo se estrutura como um mosaico centralizado pela figura do escritor e a construção de um bestiário surrealista de criaturas híbridas – borboletas, o verme da maçã, o devorador de carne, o homem-cavalo e o adestrador de animais – que, aprisionadas na provisória e perecível matéria viva, vão tecendo, cada uma a seu modo, uma reflexão sobre a decomposição humana, suas angústias, obsessões e impulsos predatórios da espécie para, no final, alcançar uma possível redenção. Com direção de Clara Carvalho. De 2 a 18  de maio, às quintas e sextas-feiras, às 20h, e sábados, às 18h.

Na sequência, “Amar, Verbo Intransitivo”. Em cartaz de 9 de maio a 29 de junho, o espetáculo é baseado no romance homônimo de Mário de Andrade. Na história, Fräulein Elza é contratada por uma família tradicional paulista nos anos de 1920 para fazer a iniciação amorosa de Carlos, o primogênito herdeiro. A partir desse encontro, os personagens vivem uma relação amorosa, revelando críticas sociais e comportamentais. A adaptação de Luciana Carnieli tem sessões às quintas e sextas-feiras, às 20h, e aos sábados, às 18h.

Após temporada na Oficina Cultural Alfredo Volpi, “Pule ou Ocorrência às 4h48” chega ao palco da Oswald. Um tanto quanto angustiante, o texto parte de investigação sobre o preocupante crescimento de casos de suicídio entre jovens no mundo. O enredo gira em torno de cinco jovens, cinco mentes psicóticas, cinco universos particulares: um intersexual, um soropositivo, um universitário, uma garota violada e um participante do jogo “A Baleia Azul”. Às 4h48, a lucidez e a desolação se encontram. Em noites quase insuportáveis, ficam latentes suas dolorosas relações com o delírio, o descontrole do gozo e o trágico do desejo em uma tentativa de comunicação com uma figura que está sempre ocupada. Dramaturgia de Dan Claudino. De 13 a 29 de maio, de segunda a quarta-feira, às 20h.

Tendo como ponto de partida as comidas de candomblé e seus impactos na sociedade e na ancestralidade da população negra, o espetáculo Nyame-Nti “Da Comida à Fala” traz os questionamentos: Você tem fome de quê? O que te alimenta? Pensando que o ato de comer é algo político, qual é a alimentação que é dada à população negra? Com o Coletivo Ayá, grupo que tem como prática a pesquisa artística teatral oportunizando um diálogo com a ancestralidade negra vivente das periferias ao centro, a peça estará em cartaz de 13 a 21 de maio, às segundas e terças-feiras, às 20h.

“A Vida Útil De Todas As Coisas” é ambientada num futuro distópico. O pai de uma família comum, ao constatar que o avô começa a ter falhas de memória, o leva para uma consulta na assistência técnica, recebendo o diagnóstico de que não há mais conserto nem troca possível para seu cérebro, cujo fim está próximo. No comércio de órgãos biônicos, o cérebro é o único item que não pode ser trocado, já que contém as características basilares e o controle de todo o resto do corpo. A loja, no entanto, lhe oferece modelos eletrônicos de aparência humana para substituir o avô. Os mais caros e avançados podem mesmo reproduzir suas feições e há um desconto se o parente a ser substituído for entregue ainda em vida. O pai, indignado, rejeita a possibilidade e passa a lutar contra o comércio de substituição de pessoas por máquinas, vendo nisso um objetivo para sua vida, até então banal e rotineira. No entanto, nem sua própria filha ou mesmo o avô aderem a essa campanha e ele percebe que a sociedade não está interessada nos valores que ele tenta defender. Ao contrário, essas máquinas são uma febre no mercado. Vendo-se numa luta solitária, ele mesmo começa a entrar em colapso e a ter seu cérebro supostamente comprometido. De 23 de maio a 15 de junho, às quintas e sextas-feiras, às 20h, e sábados, às 18h.

“Alfaces – Da Mesa à Cena”, traz três mulheres de maiôs. Três alfaces de óculos escuros. Uma praia artificial, ambiente aparentemente seguro. Três mulheres-alfaces enclausuradas em uma peça artificial. Só existe o marasmo nesses corpos. Corpos padronizados e assépticos. Chamaram-nas tanto de histéricas que se tornaram apáticas. Mas o que revelam essas mulheres por trás do vazio? Quando não é mais possível contar uma história, quando todas elas já foram contadas, só resta um refluxo, um nó na garganta, que pode implodir a qualquer momento destruindo toda essa artificialidade. De 27 de maio a 12 de junho, às segundas e quartas-feiras, às 20h.

SERVIÇO:

Condomínio Visniec

2 a 18/5, quinta e sextas-feiras, às 20h, e sábados, às 18h

Amar, Verbo Intransitivo

9/5 a 29/6, quintas e sextas-feiras, às 20h, e sábados, às 18h

Pule ou Ocorrência às 4h48

13/5 a 29/5, segundas, terças e quartas-feiras, às 20h

Nyame-Nti “Da Comida à Fala”

13 a 21/5, segundas e terças-feiras, às 20h

A Vida Útil De Todas As Coisas

23/5 a 15/6, quintas e sextas-feiras, às 20h, e sábados, às 18h.

Alfaces – Da Mesa à Cena

27/5 a 12/6, segundas e quartas-feiras, às 20h

Oficina Cultural Oswald de Andrade

Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro – São Paulo

Telefone: (11) 3221-4704

Funcionamento: de segunda a sexta-feira, das 9h às 22h, e aos sábados, das 10h às 18h
www.oficinasculturais.org.br

Fonte: Sec. de Cultura de São Paulo