O visitante dos museus é jovem, tem formação e procura-os porque a arte lhe dá prazer

Novo estudo abrange 14 museus nacionais. Mostra que mais de metade dos seus visitantes é estrangeira e que há ainda muito a fazer no campo da comunicação. Os funcionários, esses, são imbatíveis.
 
Rubens, Brueghel, Lorrain: A Paisagem Nórdica do Museu do Prado, foi uma das exposições temporárias que marcou a programação do Museu de Arte Antiga em 2014 NUNO FERREIRA SANTOS

A Direcção-Geral do Património Cultural juntou-se ao Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do Instituto Universitário de Lisboa para fazer um Estudo de Públicos dos Museus Nacionais, cujos primeiros resultados foram apresentados esta segunda-feira ao início da tarde, em Lisboa.

E o retrato-robot do visitante dos museus nacionais – o termo técnico é “perfil social predominante” – aponta para uma pessoa relativamente jovem (média de idades é de 41 anos no público nacional, 43 no estrangeiro), qualificada em termos de escolaridade e de ocupação profissional, que vai ao museu pelos mais diversos motivos e, geralmente, uma vez só (oito em cada dez são estreantes).

“Estes dados mostram-nos que o visitante, que procura saber mais, mas que entra também para conhecer melhor a diversidade cultural ou simplesmente porque isso lhe dá prazer, conhece muitos museus nacionais, mas geralmente só os visita uma vez”, explicou ao PÚBLICO o coordenador do estudo, José Soares Neves, apontando como área onde existe “uma margem de progressão muitíssimo grande” a da comunicação e como sector onde há “espaço para melhorias” o das exposições temporárias.

“Quando dizemos que um em cada quatro visitantes estrangeiros é francês ficamos com a ideia de que o francês como língua deve voltar aos suportes de informação dos museus”, explica o coordenador, “mas quando verificamos que o inglês das legendas, por exemplo, que devia ser regra, ainda não existe em todos, percebemos que há ainda muito a fazer na uniformização das práticas”. E isto sem falar no público italiano e alemão, que começa a ser já “bastante significativo”, e que “podia ter outro tipo de atenção em brochuras e audioguias”.

O objectivo do estudo é caracterizar o público dos 14 museus geridos pelo Ministério da Cultura através da Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC), desenhando o perfil global do visitante. Isto para que, com esta informação nas mãos, o governo e os serviços técnicos possam definir estratégias para uma maior captação e fidelização dos públicos, concebendo políticas que possam garantir um maior e melhor acesso das pessoas às colecções dos museus nacionais.

Aos jornalistas, no final da sessão de apresentação, o ministro da Cultura garantiu que não tenciona guardar na gaveta este estudo, cujos resultados finais, museu a museu, deverão ser conhecidos até ao final de 2017. Dizendo que um dos seus objectivos programáticos é a revitalização da Rede Portuguesa de Museus (RPM), composta por 146 entidades com tutelas variadas, Luís Filipe Castro Mendes defendeu que nada melhor do que começar pelos da casa. “Olhando para este estudo percebemos que a gratuitidade [o primeiro domingo de cada mês] é importante, mas que é preciso comunicar melhor os descontos” para que todos compreendam que eles não se limitam a um dia por mês, disse o ministro, lembrando que muitos desempregados, por exemplo, não sabem que podem entrar nos museus da DGPC sem pagar sempre que quiserem. “Isto é fundamental porque os museus podem e dever ser espaços sem barreiras sociais.”

37% dos visitantes planeiam já a sua ida ao museu em função do livre acesso, embora a maioria (42%) o faça sem restrições. “De qualquer forma, estes dados são muitíssimo relevantes na hora de definir políticas públicas”, diz o investigador José Soares Neves.

Funcionários no topo
O estudo foi feito ao longo de um ano nos 14 museus (dez da Área Metropolitana de Lisboa, três do Centro e um do Norte), com base em quase 14 mil questionários validados (47% portugueses, 53% estrangeiros). As pessoas – todas com 15 ou mais anos – responderam ao questionário on-linenos computadores que foram postos à disposição no final de cada percurso de visita. As perguntas que dele constavam estavam orientadas para avaliar, por exemplo, a relação do visitante com a exposição e a notoriedade dos museus afectos à DGPC, dando espaço à recolha de opiniões e sugestões para melhorar a experiência que determinado equipamento oferece ao público.

Em 2015, estes museus atraíram um total de 1,2 milhões de pessoas, número que inclui as com menos de 15 anos, que fazem com que, no universo global e não apenas no universo do inquérito, sejam ainda mais os portugueses do que os estrangeiros a visitá-los (640 mil os primeiros, 591 mil os segundos).

Fonte: Público | Núcleo