O novo papel dos museus

Um passo importante para se pensar os museus, nos âmbitos local e global, foi dado em novembro de 2015, quando a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) aprovou, a partir de uma proposta brasileira, o documento “Recomendação sobre a Proteção e a Promoção de Museus e Coleções, sua Diversidade e seu Papel na Sociedade”.
Trata-se de uma conquista dos países que participam da conformação de diretrizes internacionais sobre os museus, além de passo importante para o aprimoramento dessas instituições frente aos novos desafios que assumem no mundo contemporâneo.
A recomendação reconhece o papel central dos museus como instituições fundamentais para a implementação de políticas culturais.
Também destaca a importância da qualificação dos profissionais que atuam nessas instituições, com foco no desenvolvimento das relações entre museus e público.
Num cenário em que cresce a participação social e econômica dos museus em suas comunidades, é necessário prepará-los para utilizar de maneira crítica as novas tecnologias.
Neste mês de novembro, a China sediou, na cidade de Shenzhen, o Fórum de Alto Nível sobre Museus, organizado pela Unesco, que reuniu especialistas de diversos países com o objetivo de refletir e contribuir com estratégias para implementar as orientações que constam da recomendação.
A repercussão gerada pela aprovação do documento tem mobilizado instituições culturais em todo o mundo, e o fórum se constituiu em um espaço qualificado para ampliar esse debate e pensar os museus no século 21.
Ao trazer essas questões para a nossa realidade, vemos que a estrutura jurídico-administrativa brasileira já incorpora importantes diretrizes incluídas no texto.
A Política Nacional de Museus, o Sistema Brasileiro de Museus e o Estatuto de Museus são evidências do grande avanço da área nos últimos dez anos.
O Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), autarquia vinculada ao Ministério da Cultura, cumpre papel fundamental nesse processo, como órgão federal responsável pela operacionalização dessa estrutura e pela gestão direta de 29 instituições em nove Estados da Federação.
É tarefa do Ibram desenvolver mecanismos para que esse riquíssimo universo ganhe maior visibilidade e consistência.
Em breve iremos disponibilizar ao setor o Registro de Museus, ferramenta fundamental para o mapeamento da área e para o planejamento integrado de ações.
Os dados que conseguiremos com esse instrumento serão imprescindíveis para visualizarmos o impacto das atividades museológicas em suas múltiplas dimensões, incluindo a econômica.
Entendemos que as políticas públicas, em todos os níveis federativos, têm muito a contribuir para a implementação de ações que fortaleçam os aspectos pautados pela recomendação da Unesco.
Essa discussão que fazemos juntos aos museus brasileiros culminará, em junho de 2017, na realização do sétimo Fórum Nacional de Museus, em Porto Alegre.
O Ibram convida, desde já, os profissionais do setor, pesquisadores e toda a sociedade brasileira para refletirmos sobre o documento da Unesco e o caminho a ser trilhado pelos museus no Brasil.
 
6.marceloaraujo
 
MARCELO ARAUJO é presidente do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). Foi diretor da Pinacoteca do Estado de São Paulo (2002 a 2012) e secretário de Cultura do Estado de São Paulo (gestão Geraldo Alckmin)
 
 
Fonte: Folha de São Paulo
Foto: Maurício Garcia de Souza