Museu Paulista, popularmente conhecido como Museu do Ipiranga, dá início às obras de restauro do edifício-monumento

Desde outubro, importantes etapas previstas no projeto executivo começaram a ser realizadas nas instalações do prédio

O Museu Paulista, também conhecido como Museu do Ipiranga, começa o ano cada vez mais próximo da reabertura, programada para a celebração do bicentenário da Independência do Brasil, em 2022. Após o anúncio da empresa Concrejato como construtora selecionada para realizar o restauro e a modernização do edifício histórico, que ocorreu durante as comemorações de 7 de setembro, chegou a hora de as obras começarem de fato.

Desde outubro, importantes etapas previstas no projeto executivo começaram – entre elas, a montagem do canteiro de obras, a proteção dos bens artísticos integrados à construção, o acompanhamento arqueológico, além de uma série de laudos, prospecções e planejamentos que irão garantir a execução segura da obra.

Como parte do restauro do edifício histórico, um canteiro de obras foi erguido na antiga área do estacionamento. Prospecções e testes laboratoriais são ações que integram uma intervenção dessa natureza.

Argamassa e tintas, por exemplo, são analisadas, pois precisam ter características especiais, semelhantes às que eram utilizadas no século XIX, quando o edifício-monumento foi construído. Em dezembro, o canteiro recebeu a instalação de oficinas de restauro de marcenaria, cerâmica e funilaria.

Escadaria

Outra etapa importante em andamento é o desmonte da escadaria frontal do monumento. Os blocos de granito maciço precisam ser retirados um a um para que ocorra a escavação no local. Nessa área, serão instalados alguns dos novos espaços do museu, que será ampliado em cerca de seis mil metros quadrados.

Com ligação direta para o Parque da Independência, a nova entrada para os visitantes será instalada no nível das fontes. Ali, haverá uma área de acolhimento, além de salas para atendimento do programa educativo, café, loja, auditório e uma sala para exposições temporárias.

Desse piso, um túnel levará até as escadas rolantes, pelas quais será possível entrar no hall do edifício histórico. Também serão instalados elevadores, já que um dos principais objetivos é tornar o prédio 100% acessível.

A expectativa é de que, após as escavações, a escadaria seja completamente remontada, conservando-se assim o aspecto visual da fachada.

“O início das obras de reforma do Museu do Ipiranga representa um passo significativo para a Universidade de São Paulo e nossos parceiros. O museu é uma das mais importantes ferramentas da instituição para fortalecer nossa terceira missão, pois é um exemplo da interface que conecta a universidade de forma mais direta à sociedade. Em 2022, teremos um novo museu, modernizado e ampliado”, salienta o reitor da universidade, Vahan Agopyan, ao Jornal da USP.

Coleções

Com cerca de 450 mil itens, as coleções do acervo foram retiradas do edifício no primeiro semestre do ano passado e transportadas para imóveis adaptados para recebê-las. Algumas peças de grandes dimensões, contudo, não puderam sair do prédio histórico e terão que ser restauradas enquanto a reforma acontece. É o caso do quadro Independência ou Morte, a icônica pintura de Pedro Américo.

Símbolo do Museu do Ipiranga, a tela localizada no Salão Nobre passa por um processo que mobiliza restauradores, arquitetos e profissionais do Instituto de Química e do Instituto de Física da USP.  O quadro, com mais de 30 metros de área, foi completamente escaneado e mapeado e foram feitos testes químicos que permitiram reproduzir a paleta de cores utilizada pelo artista.

Com o uso de tecnologia ultravioleta também foi possível identificar procedimentos errôneos ocorridos em restauros anteriores. Foi observada a utilização de solventes e tintas a óleo – prática hoje em desuso – e a descaracterização da região do céu, na parte superior da criação, que foi repintada em uma intervenção de 1972 e cujas cores serão recuperadas pela equipe atual, liderada pela restauradora do Museu, Yara Lígia Petrella.

“A restauração do edifício, que abrigará o Novo Museu do Ipiranga, trará muitas contribuições para o campo da história da arquitetura, da engenharia e, muito especialmente, para a história dos ofícios e técnicas de ornamentação. Teremos a oportunidade de constituir uma memória técnica capaz de alimentar futuras pesquisas”, ressalta a diretora do museu, Solange Ferraz de Lima.

Próximas etapas

Para esse ano, os primeiros passos serão a continuidade dos testes, prospecções arqueológicas e estudos de planejamento para execução de alvenarias, instalações e acabamentos.

As escadarias de mármore do interior do edifício serão protegidas, as alvenarias internas e pisos do porão, que não faziam parte do projeto original, serão removidos e o transplante de árvores de grande porte – que ocupavam a frente do Museu – será concluído. Também terá início a montagem do andaime para o restauro das fachadas do edifício.

Inaugurado em 7 de setembro de 1895, como museu de História Natural e monumento à Independência do Brasil, o Museu do Ipiranga integra a USP desde 1963. O local foi fechado para visitação do público em 2013 e a expectativa é de que seja reaberto em setembro de 2022, para a celebração do bicentenário da Independência do Brasil.

Com duração de 30 meses, a obra deve custar cerca de R$ 139,5 milhões e é patrocinada via Lei de Incentivo à Cultura pelas seguintes empresas: Banco Safra, Bradesco, Caterpillar, Comgás, Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), EDP, EMS, Honda, Itaú, Vale, Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) e Pinheiro Neto Advogados. Conta, ainda, com a parceria da Fundação Banco do Brasil e da Caixa.

No término da intervenção, o museu estará completamente renovado e ampliado. O edifício seguirá as normativas atuais de infraestrutura, acessibilidade, sustentabilidade e segurança, com equipamentos especiais para a prevenção de incêndios.

Fonte: Sec. de Cultura de SP