Museu Índia Vanuíre e indígenas do oeste paulista celebram o Dia do Índio

Programação faz parte da 49ª Semana do Índio, com atrações até o dia 25 de abril

O Dia do Índio, comemorado em 19 de abril, é uma data importante para reforçar a identidade do povo indígena brasileiro na história e na cultura do país. O Museu Histórico e Pedagógico Índia Vanuíre, localizado em Tupã, trabalha com a missão de aproximar as culturas indígenas das não indígenas, além de buscar promover a cultura das tribos Vanuíre, Icatú e Araribá e as etnias Kaingang, Krenak, Guarani e Terena.

Na opinião de Andressa Anjos de Oliveira e Gabriela da Silva Sanches Delboni, que integram a equipe do Museu, a atuação indígena no meio museológico tem aumentado nos últimos tempos. Essa percepção, de acordo com elas, é reforçada pelo crescimento da participação de indígenas em vários eventos ligados à temática museológica.

O Encontro Paulista Questões Indígenas e Museus, realizado pelo desde 2012, teve um aumento expressivo em número de participantes indígenas desde a sua primeira edição, inclusive, nas últimas edições, com participantes de outros estados.

De acordo com Andressa e Gabriela, é perceptível o interesse deles pela área e como resultado, há o surgimento de museus indígenas dentro das terras indígenas. Além disso, muitos estão interessados na área de pesquisa e buscam formação superior para atuarem na área.

O Museu Índia Vanuíre apoia e vislumbra um crescimento da participação indígena no meio museológico, tendo a honra de acompanhar de perto algumas iniciativas resultantes desse processo, como a criação do Museu Worikg, do povo Kaingang, e do Museu Akãm Orãm Krenak, do povo Krenak (ambos localizados na Terra Indígena Vanuíre, Arco-Íris, SP).

Semana do Índio

A Semana do Índio de Tupã, realizada anualmente pelo Museu Índia Vanuíre, tem programação diversificada on-line gratuita, demonstrando que a região oeste de São Paulo e a cidade de Tupã se constituem pela diversidade e pelas diferenças. A sociedade brasileira é plural e nessa característica vê-se um valor a ser destacado. Nesse sentido, a 49ª edição do evento acontece para que todas as pessoas se lembrem de que os indígenas no Brasil fazem parte da sociedade.

A Semana será realizada em edição exclusivamente virtual, até 25 de abril, e compreende uma programação com diversas atividades culturais, veja a agenda de atividades:

Depoimento sobre o instrumento musical Mbaraká

Data: 19/04/2021

Os instrumentos musicais são muito importantes para os indígenas utilizarem em seus cânticos, danças e rezas! Apresentaremos o Guarani Elizeu, nome indígena “Awá Djerowewé”, que fala a respeito da relação do instrumento Mbaraká com a espiritualidade Guarani Nhandewa.

Local: redes sociais

Horário: segunda-feira

Informações: (14) 3491-2333

Brincadeira indígena: Corrida de maracá

Data: 20/04/2021

O grupo de Krenak da Terra Indígena Vanuíre apresenta por meio de vídeo o jogo “Corrida de Maracá”, uma modalidade que é usada em jogos e gincanas indígenas. Além de proporcionar lazer e interação, promove a transmissão da cultura de geração em geração.

Local: redes sociais

Horário: terça-feira

Informações: (14) 3491-2333

Esporte indígena: Arremesso de lança

Data: 21/04/2021

O grupo de Krenak da Terra Indígena Vanuíre apresentará, por meio de vídeo, o jogo “Arremesso de lança”. Trata-se de uma modalidade muito disputada em jogos e gincanas indígenas. Ele é dividido em equipes com 3 integrantes cada e em fases também distintas, mulheres, homens, infanto-juvenil e crianças, separados por sexo e idade, onde a equipe que jogar a lança mais longe, na somatória do grupo, vence a competição.

Local: redes sociais

Horário: quarta-feira

Informações: (14) 3491-2333

Pintura corporal do povo da aldeia Kopenoti

Data: 22/04/2021

Muitos indígenas pintam seus corpos em várias ocasiões. Para eles, essa pintura tem um significado importante que varia de povo para povo. No vídeo de hoje, um Terena da Aldeia Kopenoti, conta um pouco sobre a pintura corporal da sua região.

Local: redes sociais

Horário: quinta-feira

Informações: (14) 3491-2333

Os indígenas não fazem parte somente do passado

Data: 23/04/2021

Muitos têm a ideia de que os povos indígenas são atrasados, sendo que eles estão por toda parte, defendendo sua cultura.

Os povos indígenas produzem saberes, ciências, arte, literatura, música e religião, ou seja, tudo o que qualquer cultura produz.

Acompanhe o depoimento da indígena Lidiane Damaceno, Cacique da Terra Indígena Vanuíre, em que fala das ideias errôneas que os brancos têm sobre os indígenas e afirma que a cultura deles não é contrária à evolução e a tudo que é moderno.

Local: redes sociais

Horário: sexta-feira

Informações: (14) 3491-2333

Antes e pós-pandemia na aldeia Tereguá

Data: 24/04/2021

Elizeu Terena, traz seu depoimento sobre o dia a dia de sua comunidade antes e pós pandemia, além de abordar as ações que realizam para preservar as referências indígenas e o seu povo.

Local: redes sociais

Horário: sábado

Informações: (14) 3491-2333

Cosmologia Guarani Nhandewa

Data: 25/04/2021

Por meio de vídeo, o Guarani Nhandewa Tiago Oliveira compartilha a forma como os Guaranis veem o mundo.

Local: redes sociais

Horário: domingo

Informações: (14) 3491-2333

Sobre Vanuíre

O Museu Índia Vanuíre em seu nome homenageia uma mulher indígena que teve um papel relevante na história da região. Muito se fala sobre a lenda de Vanuíre, sobre como ela subia em um jequitibá de dez metros de altura, no qual permanecia do nascer do dia ao cair da tarde entoando cânticos de paz. No entanto, poucas são as informações sobre a vida dela.

Inicialmente repercutiu a notícia de que Vanuíre teria vindo do estado do Paraná, trazida no início do século XX pelo Serviço de Proteção aos Índios – SPI. Isso pode ter ocorrido, talvez, por alguma interpretação errônea feita do livro A Pacificação dos Caingangs Paulistas, de Luiz Bueno Horta Barbosa.

Não é certa a origem da informação de que ela teria vindo do estado do Paraná, mas para sanar essa dúvida, o Centro de Referência Kaingang e dos Povos Indígenas do Oeste Paulista levantou dados que corroboram com esse dado de que Vanuíre estava, na verdade, no estado de São Paulo quando o SPI teve contato com ela. Uma das fontes integra o acervo arquivístico do Museu Índia Vanuíre: um microfilme que contém alguns relatórios do SPI e que foram digitalizados pelo equipamento em 2018. Nele foi localizado o relatório “Exposição do histórico da aquisição das Térras do P.I. Vanuíre e GRILO das mesmas ultimamente verificado”. O relatório, escrito em 1940 por Nicolau Bueno Horta Barbosa, deixa claro que Vanuíre estava aprisionada em Campos Novos do Paranapanema (SP) antes da fundação do serviço de proteção, além de disponibilizar outras informações pertinentes, como a existência de um filho de Vanuíre que se encontrava com ela naquele momento.

Outra fonte utilizada que pode ser consultada é uma fotografia em Campos Novos do Paranapanema, na qual é possível identificar Vanuíre. Na legenda da imagem aparece a informação de que Vanuíre era uma indígena Kaingang do estado de São Paulo. A fotografia, datada de 1911, é anterior à primeira “pacificação” efetuada pelo SPI (1912), e pode ser encontrada no Sistema de Informações Arquivo Nacional (SIAN).

Esse momento histórico – a primeira “pacificação” – foi um período em que Vanuíre e outros indígenas atuaram como intérpretes trazidos pelo SPI para se comunicarem com os indígenas da região. O Museu Índia Vanuíre atua critica e historicamente e tenta descontruir o romantismo que envolve a pacificação, pois ela reforça a visão negativa dos Kaingang implantada há um século. Essa desconstrução ocorre por meio de uma reflexão feita, inicialmente, com a equipe e, posteriormente, com o público, ao promover diálogos que levam a refletir sobre a importância desse momento histórico na narrativa regional.

Como forma de continuar a disseminar a cultura, as ações educativas da instituição e o tour virtual permanecem de forma on-line pelas redes sociais e site do Museu (@museuindiavanuire e www.museuindiavanuire.org.br/culturaemcasa).

Fonte: Museu Índia Vanuíre