Museu de Arte Sacra: palestra sobre arte colonial no Oriente

O Museu de Arte Sacra recebe, no dia 18 de outubro, o prof. Dr. Jorge Lúzio, para uma palestra sobre “Arte colonial no Oriente: os retábulos da Índia portuguesa”. A apresentação é do prof. Dr. Jorge Lúzio, com a conferencista convidada profa. Dra. Mónica Esteves Reis (Universidade do Algarve).

“Produção retabular na antiga Índia portuguesa: as fontes, as contribuições artísticas e culturais, e os desafios para a sua preservação”

Goa foi durante o século XVI a capital do Estado da Índia e centro nevrálgico de toda a ação portuguesa no Oriente: administrativa, económica, política, militar e religiosa. A pequena Roma do Oriente representava-se no arcebispado, nas principais ordens religiosas, clérigos seculares, confrarias e num conjunto patrimonial gerado por estes. No decorrer do século XVII, Goa era o maior centro eclesiástico da Ásia ganhando fama de Goa Dourada.

A implementação da fé exigia um grande esforço suprido pelas ordens religiosas que começaram a convergir para a Índia eram reguladas pelo Padroado. Foi assim que durante os séculos XVI, XVII e XVIII, mais de uma centena de igrejas foram erguidas nos territórios de Goa e da antiga Província do Norte. As Ordens Religiosas somam novas almas, crescendo em cristãos e em território nas igrejas improvisadas e pequenas ermidas que se tornariam importantes igrejas. Constroem-se igrejas e decoram-se os espaços.

A arte retabular, catalisador da fé, mostra em imagens os benefícios da conversão sendo o retábulo seu veículo principal. O retábulo torna-se o representante da fé pela arte, um livro exposto que traduz nas imagens o evangelho que se quer ensinar. Depressa se verifica que este novo território é rico em artesãos hábeis na arte do entalhe que podem assumir as funções dos artistas europeus e a arte produzida reveste-se de características hibridas dando novas cargas simbólicas paralelas aos valores artísticos, culturais e religiosos locais.

Como consequência, a arte retabular indo-portuguesa assume-se como uma arte única, resultado da cooperação artística entre vários tipos de devoção religiosa – as indígenas e a importada – e produziu-se uma forma de arte que não é passível de ser encontrada em qualquer outra parte do mundo português e que deve ser entendida para que se garantam as condições necessárias para a sua preservação, tarefa que se pode revelar um verdadeiro desafio numa Índia em que o catolicismo é uma minoria religiosa e as estratégias de intervenção patrimonial não são garantidas.

Mónica Esteves Reis 

Investigadora Integrada do CHAM – Centro de História d’Aquém e d’Além-Mar com projeto financiado pela Fundação Oriente com o título “Plano de Preservação do Património Histórico e Artístico da Arquidiocese de Goa”. Membro do ICOMOS Portugal – International Council of Monuments and Sites desde 2016. Doutorada em História e Património, especialização em História da Arte (2016) pela Universidade do Algarve. Pela mesma universidade obteve licenciatura em Património Cultural (2007).

Co-autor dos livros “Retábulos no Estado de Goa” (2016) e “Retábulos da Província do Norte” (prelo).

Membro de equipa desde 2015 do projeto “Pensando Goa”.

SERVIÇO

Quando: 18 de outubro  de 2017 (quarta-feira)
Horário: 15h às 17h
Atividade gratuita
A inscrição será realizada no dia, por ordem de chegada (50 vagas)
Informações: (11) 5627.5393
Local: Museu de Arte Sacra de São Paulo
Endereço: Avenida Tiradentes, 676, Luz. Metrô Tiradentes
Estacionamento gratuito (ou alternativa de acesso):  Rua Jorge Miranda, 43

Fonte: Museu de Arte Sacra de São Paulo