Museu de Arte Contemporânea da USP traz mostra sobre gravura moderna

Em uma parceria inédita, o Museu de Arte Contemporânea (MAC) da USP e a Terra Foundation for American Art (Estados Unidos) apresentam, até o dia 2 de junho, a exposição “Atelier 17 e a Gravura Moderna nas Américas”, que reúne 56 obras em gravura do MAC e de três instituições norte-americanas – a própria Terra Foundation, o Brooklyn Museum e o Art Institute of Chicago.

Realizadas entre 1910 e 1960, período marcado por uma onda de inovação e experimentação na gravura, as obras ilustram as várias possibilidades técnicas e visuais, métodos, processos e materiais do campo expandido da gravura moderna.

O Atelier 17 foi um estúdio coletivo fundado pelo britânico Stanley William Hayter que, em 1927, se estabeleceu em Paris e, em 1940, após a invasão da França pelos nazistas alemães, se mudou para Nova York. O estúdio tornou-se muito influente e tinha uma estrutura não convencional, trocando a relação mestre-aluno por um espaço de experimentação de novas técnicas e métodos, em um ambiente de colaboração entre artistas experientes e novos artistas.

O Atelier 17 configurou-se como um centro para artistas com diferentes formações e de diversos países, como França, Itália, Inglaterra, Argentina e Brasil e, longe de promover a uniformidade, queria despertar o espírito criativo e a produção pessoal.

A ideia da mostra partiu da pesquisa de dissertação de mestrado de Carolina Rossetti de Toledo – atualmente, doutoranda do Programa de Pós-Graduação Interunidades em Estética e História da Arte do MAC -, que assina a curadoria ao lado da professora Ana Gonçalves Magalhães, vice-diretora do MAC, e de Peter John Brownlee, da Terra Foundation of American Art.

Pela primeira vez, são apresentadas, em seu conjunto, as 25 gravuras norte-americanas da coleção do MAC, originárias de uma doação, em 1951, feita por Nelson Rockefeller ao antigo Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM), e de uma segunda doação, realizada em 1956, pelo colecionador norte-americano Lessing Rosenwald. “É a primeira vez que ela é entendida como conjunto e, efetivamente, há obras que nunca foram expostas”, informa Ana.

São gravuras modernas norte-americanas do início do século 20, expostas ao lado de obras brasileiras, todos de artistas que frequentaram o Atelier 17. A pesquisa de mestrado evidencia que as gravuras doadas vieram de uma mostra itinerante sobre a nova gravura norte-americana, com foco no Atelier 17, que percorreu várias capitais da América do Sul e, quando chegou a São Paulo, foi realizada no MAM. Segundo a vice-diretora do MAC, Carolina percebeu, durante a análise, que o conjunto de obras não só enfocava essa nova experimentação da gravura dos Estados Unidos que tinham relação com o Atelier 17 como praticamente todos os artistas ali contemplados vinham de lá.

Como conta Ana, em Nova York, o Atelier 17 teve um papel fundamental para difundir a experimentação na gravura, além de ter sido um importante centro de formação para os jovens expressionistas abstratos norte-americanos. Passaram por lá artistas como John Ferren, Jackson Pollock, Louise Nevelson, Minna Citron, Sue Fuller e Ann Ryan, atraindo ainda a atenção de artistas brasileiros, como Geraldo de Barros, Livio Abramo e Teresa D’Amico, todos presentes na exposição. “É muito bonita a história do Atelier 17 que, além de ser esse centro de experimentação, muito próprio da experiência moderna em arte, era um centro de recepção de artistas imigrantes. O próprio Hayter era um imigrante nos Estados Unidos naquele momento”, comenta.

Minicurso

Nota-se também forte presença feminina no Atelier 17, tema de um minicurso que acontece de 15 a 18 de abril, paralelamente à mostra. Ministrado em inglês por Christina Weyl, curadora independente norte-americana, o minicurso “As mulheres do Atelier 17” foca nas experiências das mulheres artistas e como o aletiê propiciou a formação e a apresentação delas no contexto das galerias e museus.

Serão investigadas cerca de cem mulheres artistas que integraram o Atelier 17 durante suas estadias em Nova Yorque, entre 1940 e 1955, e o impacto sobre o desenvolvimento criativo e suas histórias.

SERVIÇO:

Exposição Atelier 17 e a Gravura Moderna nas Américas.

Até o dia 2 de junho, com visitas de terça a domingo, das 10h às 21h

Minicurso As mulheres do Atelier 17

De 15 a 18 de abril.

Inscrições até o dia 12, no Serviço Acadêmico do MAC (na USP), na Rua da Praça do Relógio, 160-A, Cidade Universitária. Os interessados devem entregar imagem do RG, número do CPF e informar um e-mail no ato da inscrição. Não será aceita a CNH em substituição ao RG. Informações pelo (11) 3091-3559.

Museu de Arte Contemporânea da USP

Avenida Pedro Álvares Cabral, 1.301, Ibirapuera, São Paulo.

Exposição e minicurso: gratuitos.

Informações: (11) 2648-0254.

(Fonte: Jornal da USP)