Museu das Favelas discute o que é ser favela em live no Youtube

“Ser Favela” é a primeira programação anunciada pelo Museu das Favelas, uma das mais novas instituições da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo. De 15 de junho até 25 de agosto, em um ciclo de seis encontros temáticos e quinzenais, o museu convida a população a uma troca de saberes, com a participação de importantes lideranças, artistas, agentes e produtores de São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Pará, Bahia e Rio Grande do Sul.

Os encontros serão realizados de forma on-line e transmitidos ao vivo pelo canal do Museu no Youtube.

“A programação deriva do desenvolvimento conceitual que está em construção no Museu. Entendemos favela como uma experiência, atravessando o cotidiano das pessoas em múltiplas camadas. Procuramos, por meio dos encontros, abrir os caminhos do museu para a escuta e aprendizado com diferentes interlocutores no país. É o começo do nosso processo colaborativo, que será nossa marca na gestão”, diz Daniela Alfonsi, diretora técnica da instituição.

Como primeiro passo, o Museu busca se fortalecer junto à população. “O Museu quer construir suas raízes no primeiro ano de existência. A curadoria deste ciclo pautou na escolha de temas que perpassarão nossa programação, como a maternidade, a ancestralidade, as memórias da oralidade, as identidades e a educação”, comenta Marina Barbosa, produtora executiva do Museu.

Live no Youtube

No primeiro encontro, que discute o que é ser favela, a partir das experiências coletivas, contará com a participação de Cleiton Ferreira, cofundador da Comunidade Cultural Quilombaque e do Museu Territorial de Interesse da Cultura e da Paisagem Tekoa Jopo’í (SP); Luiz Antonio, cofundador do Centro de Estudos e Ações Solidáriasnda Maré e do Museu da Maré (RJ), onde atua como diretor; e José Eduardo, educador e cofundador do Acervo da Laje (BA).

A mediação será realizada por Carla Zulu, ativista e produtora cultural, atualmente, coordenadora de relações institucionais do Museu das Favelas. Outros eventos e atividades ainda serão anunciados ao longo deste segundo semestre, assim como, a data de abertura do Museu.

Confira a programação completa:

Ser favela a partir de experiências coletivas: experiências de memórias comunitárias em territórios favelizados

Quando: 15 de junho

Horário: 15h

Duração: 120 minutos

Local: Canal do Youtube do Museu das Favelas

A preservação da memória nas periferias do país, além de não ser fomentada, vem historicamente passando por processos sistemáticos de tentativa de apagamento, por isso, o movimento de reconhecer, mapear e preservar experiências e memórias desses territórios é um ato de resistência a ser reconhecido e valorizado.

Nesse encontro, junto de representantes de acervos e museus comunitários e sociais de diferentes regiões do país, será aberto o diálogo sobre a importância da preservação de experiências nesses territórios, para que os mesmos, tenham a possibilidade de narrar suas próprias histórias.

Ser favelado para além dos territórios: eu sou um favelado? Favelas, Quebradas, Subúrbios, Periferias e Quilombos: a estratégia de resistência que ultrapassa os limites geográficos.

Quando: 30 de junho

Horário: 15h

Duração: 120 minutos

Local: Canal do Youtube do Museu das Favelas

Traçando um paralelo musical: existe uma discussão sobre a diferença entre o samba e o pagode. Dentro dessa discussão, a narrativa histórica traz que o samba é o gênero musical, e o pagode é a FESTA do samba, é o encontro, é a experiência por si só.

E é a partir dessa ideia que o debate propõe as questões: para além dos termos, dos limites geográficos e regionais, a favela é uma experiência? Seria possível afirmar que ser favelado é um modo de viver que surge na contramão do apagamento e da escassez? Dessa forma, essa troca é sobre a insistência e resistência dessa experiência.

Ser um ancestral de favela: a salvaguarda das memórias da oralidade

Quando: 14 de julho

Horário: 15h

Duração: 120 minutos

Local: Canal do Youtube do Museu das Favelas

A musealização é uma estratégia de preservação de memórias, histórias, objetos, paisagens e tudo que pode (e precisa) ser conservado, para que não se apague ou se dissolva com o processo do tempo. Porém, ao longo da história, e principalmente nos históricos de tradições afro-brasileiras e periféricas, os ritos, a cultura e a memória se mantêm conservados através da oralidade e da resistência de mantenedores dessas memórias.

A partir disso, com a presença de mestres e mestras da cultura popular e das religiões de matriz africana, será promovido o diálogo sobre as nuances de preservação e salvaguarda da oralidade que nos cerca.

Ser mãe na favela: o que é a maternagem para mulheres favelizadas?

Quando: 28 de julho

Horário: 15h

Duração: 120 minutos

Local: Canal do Youtube do Museu das Favelas

A complexidade que envolve os processos e as camadas da maternagem, com seus aspectos físicos, emocionais e afetivos se multiplicam quando somados aos desafios da resistência e da ocupação de mulheres negras e periféricas em seus cargos de trabalho e em seu lugar no mundo. Para somar nesse diálogo, convidadas artistas, produtoras, empreendedoras e mães, propõem a troca de experiências sobre as contradições, potências e forças dessas raízes.

Ser educado na favela: Como as experiências, a afetividade e o repertório periférico podem promover processos educativos potentes dentro e fora do museu

Quando: 11 de agosto

Horário: 15h

Duração: 120 minutos

Local: Canal do Youtube do Museu das Favelas

De algum tempo para cá, a discussão sobre outras óticas de educação para além da educação formal tem ganhado espaço, e tem sido possível construir narrativas sobre esse tema através de experiências afetivas, familiares, subjetivas e sustentar os processos educacionais, através dessas vivências. Nesse encontro, profissionais da educação ajudarão no diálogo sobre processos educacionais que envolvem a arte-educação, processos de educação não-formal e as afetividades como um todo.

Ser resistência na favela – Bicentenário da Independência (Agenda Bonifácio): Resistência, os processos de aquilombamento e a Zona Leste de São Paulo.

Quando: 25 de agosto

Horário: 15h

Duração: 120 minutos

Local: Canal do Youtube do Museu das Favelas

Neste ano completam-se duzentos anos da dita Independência do Brasil, porém, a história da forma que nos é contada e por quem, convida a todos a refletir sobre outras perspectivas e contextos dessa mesma situação, principalmente, sobre a perspectiva da população negra.

Para essa construção, será realizado um paralelo entre os processos de resistência e aquilombamento, sobre a formação das favelas e periferias e sobre o movimento de povoação da Zona Leste de São Paulo, que é a zona que tem a maior índice populacional da cidade de São Paulo e carrega em um de seus bairros, o nome de José Bonifácio.

Classificação Indicativa: 10 anos Todas as atividades terão tradução em libras.

Sobre o Museu das Favelas

O Museu das Favelas, criado por meio do Decreto Estadual nº 66.194, de 8 de novembro de 2021, é um equipamento cultural que integra a Política Estadual de Museus da Secretaria de Cultura e Economia Criativa de São Paulo, sendo a CUFA – Central Única das Favelas uma grande incentivadora para a concepção do Museu. Desde janeiro de 2022, a gestão do equipamento cultural é realizada pelo Instituto de Desenvolvimento e Gestão – IDG, uma organização social de cultura.

O Museu das Favelas será sediado no Palácio dos Campos Elíseos, edifício tombado e localizado na região central da cidade de São Paulo. A instituição será um espaço para pesquisa, preservação e comunicação de memórias e histórias das favelas brasileiras. Atua no presente, na pesquisa e produção de conhecimento sobre o passado para inspirar possibilidades de novos futuros.

O Museu está em fase de concepção e implantação e seu planejamento prevê a criação de exposições permanentes e temporárias, programação cultural e educativa. Além disso, prevê os serviços de café, loja, biblioteca e centro de referência da memória e de formação e empreendedorismo. Contará ainda com espaços equipados para eventos de diferentes naturezas, aberto à proposição de grupos e coletivos das favelas.

A programação será gratuita, com a previsão de funcionamento de terça a domingo.

Fonte: Museu das Favelas