Museu da Casa Brasileira prorroga mostra Campos de Altitude

O Museu da Casa Brasileira prorrogou o prazo de visitação da mostra Campos de Altitude até 18 de abril, trata-se de um recorte especial sobre a forma de habitar nos morros cariocas. Utilizando-se de uma linguagem visual poética inspirada pela técnica de projeção usada por Abelardo Morell em Câmara Escura, a fotógrafa Kitty Paranaguá apresenta as tensões entre o público e o privado enquanto contrapõe a vivência cotidiana de moradores das comunidades cariocas às paisagens acessíveis em 13 pontos de observação de diferentes.

Inspirada pelo trabalho ‘Câmara Escura’, de Abelardo Morell, a fotógrafa decidiu contrapor a vista dos moradores de morros do Rio de Janeiro às suas vivências cotidianas. De que forma? Fotografando o exterior a partir dos pontos de observação de 13 casas e projetando a imagem deste campo externo sobre seus moradores.

O resultado foi a descoberta de que as vidas se entrelaçam, a comunidade é uma extensão das moradias e o limite entre o público e o privado é tênue. Há uma tensão impedindo os moradores de usufruírem destas paisagens, que lhes é acessível aos sentidos, mas muitas vezes, só se revela na forma de privações. É como se, metaforicamente, a luz da paisagem que invade suas casas lhes ofuscasse de forma impositiva.

Para Giancarlo Latorraca, arquiteto e diretor técnico do MCB, os registros feitos por Kitty incitam os visitantes a refletir sobre a ausência de políticas públicas de habitação, que excluiu da cidade formal grande parte da população. “Temos aqui documentado moradas fora do ‘asfalto’, relegadas à ocupação de territórios excludentes e ao mesmo tempo privilegiados. Um retrato marcante sobre este morar brasileiro, alguns de seus habitantes a paisagem majestosa do Rio de janeiro”, comenta Latorraca.

As projeções sobre as moradias e os corpos que nelas habitam, em conjunto com os depoimentos coletados em áudio, desvendam um recorte da cidade. A exposição do MCB apresenta 15 fotografias produzidas nas comunidades Pavão Pavãozinho, Tavares Bastos, Chapéu Mangueira, Cantagalo, Vidigal e Rocinha.

Fonte: Museu da Casa Brasileira