Museu convida público para dançar com obras do acervo

No lugar do aviso “não toque nas obras”, o convite é para dançar com elas. É essa a proposta que os curadores da mostra Museu Dançante, em São Paulo, oferece ao público.

Com abertura nesta terça-feira (27), às 20h, a exposição foi montada com 40 obras do acervo do MAM (Museu de Arte Moderna) e coreografias da SPCD (São Paulo Companhia de Dança), cujos movimentos estão sendo criados “em tempo real” até o fim da mostra.

“A ideia é modificar o museu para a dança e pela dança”, diz Felipe Chaimovich, curador do MAM. Assim, enquanto a sala Paulo Figueiredo ganhou estruturas para os bailarinos subirem pelas paredes, a grande sala do museu recebeu obras com espaços entre elas para que as pessoas possam dançar.

15026442Intervenções dos bailarinos da São Paulo Companhia de Dança, no MAM, para o espetáculo Museu Dancante / Eduardo Anizelli/Folhapress

“A cultura corporal do museu é repressiva: as pessoas colocam as mãos para trás, não podem tocar em nada, são vigiadas. Podem aprender com a dança novas formas de habitar fisicamente o museu”, diz Chaimovich.

As obras foram escolhidas segundo três temas que remetem aos princípios coreográficos: gravidade, desequilíbrio e flutuação. O que pode ser facilmente percebido num corpo que dança, ganha as formas mais ou menos óbvias das peças expostas –de uma escultura inflável de Franklin Cassaro, passando pela peça “Pulmão”, de Jac Leirner, ao neoconcretismo de Hélio Oiticica (1937-1980).

“O neoconcretismo brasileiro rompe com a geometria rigorosa a partir do desequilíbrio da forma. É o desequilíbrio que leva ao movimento em uma coreografia”, exemplifica Chaimovich.

Além de dançarem entre os trabalhos, estimulando o público a se sentar nas cadeiras de praia do coletivo carioca Opavivará!, os bailarinos da SPCD farão ensaios abertos das performances –os horários dos ensaios e apresentações estão no site mam.org.br.

As coreografias foram criadas pelo potiguar Clébio Oliveira, que atualmente vive e trabalha em Berlim, e pelo carioca Rafael Gomes, do corpo de bailarinos da companhia. Em comum, os dois trabalham com experimentações e diálogos entre dança, artes visuais, música, moda e performance.

“Estar no museu é experimentar um encontro mais direto com o público no processo de trabalho e também é a possibilidade de dialogarmos com essa vertente contemporânea da dança que pensa a performance”, diz Inês Bogéa, diretora da SPCD.

Aos domingos, os bailarinos ultrapassarão os limites físicos do museu, saindo do MAM para a marquise do parque Ibirapuera –onde fatalmente cruzarão com dançarinos de hip-hop, que se encontram no local para ensaiar aos fins de semana.

“As pessoas vêm ao parque para ter um pouco de liberdade corporal na cidade. Queremos que tenham isso também no museu”, diz Chaimovich.

MUSEU DANÇANTE
QUANDO abertura nesta terça (27), às 20h. De ter. a dom., das 10h às 18h (entrada até às 17h30)
ONDE MAM, parque Ibirapuera, av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, portão 3, tel. (11) 5085-1300
QUANTO grátis
CLASSIFICAÇÃO livre

Fonte: Folha de S.Paulo