Museu alemão devolve obra de arte roubada pelos nazistas

Um museu alemão devolveu pela primeira vez um quadro que havia sido roubado pelos nazistas de um comerciante de arte judeu, e que foi entregue aos herdeiros do marchand.

A Universidade Concordia de Montreal, em nome dos executores do espólio de Max Stern (1904-1987), anunciou a restituição por parte da Staatsgalerie de Stuttgart de uma pintura do início do Renascimento pertencente a Stern.
Clarence Epstein, responsável pelo projeto de devolução, recebeu a obra em uma cerimônia na embaixada do Canadá em Berlim.
 
O quadro “Virgem e o Menino”, atribuído ao Mestre de Flémalle (1375-1444), identificado pelos historiadores como Robert Campin, havia sido doado ao museu de Stuttgart depois da Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
 
 
Stephanie Pilick/Efe
O quadro “Virgem e o Menino”, atribuído a Robert Campin (Maestro de Flémalle, 1375-1444), é exibido por autoridades canadenses
 
Desde 2003, a Universidade Concordia recuperou mais de 400 pinturas de Stern que caíram nas mãos dos nazistas após uma venda forçada em 1937.
 
Stern precisou fechar sua galeria de Dusseldorf em dezembro deste ano e fugir para Londres antes de se radicar no Canadá.
Depois de sua morte em 1987, a maior parte de seus bens foi legada à Universidade Concordia, à Universidade McGill em Montreal e à Universidade Hebreia de Jerusalém.
 
A restituição da obra pelo museu de Stuttgart ocorre no centenário da fundação da Galeria Stern em Düsseldorf por parte do pai de Max Stern, Julius.
 
Esta é a décima devolução nos dez anos do projeto de restituição, e sua recuperação ocorreu graças aos pesquisadores da Staatsgalerie de Stuttgart e do Escritório de Processamento de Reclamações do Holocausto do Departamento de Serviços Financeiros do Estado de Nova York.
 
“Descobrimos documentos importantes que convenceram o estado de Baden-Wurttemberg de que esta reclamação tinha bases muito sólidas”, explicou Epstein.
 
“O desafio é fazer com que vários museus que estejam em posse de pinturas de Stern sigam o exemplo de Staatsgalerie”, declarou o presidente da Universidade Concordia, Alan Shepard.