Museu Afro Brasil lança programa para aproximar público do acervo

O Museu Afro Brasil inaugura a primeira edição do programa Leituras do Acervo, uma votação aberta ao público e que irá eleger um tema presente no acervo do museu para ser aprofundado por todos os setores da instituição no decorrer do ano de 2018.

A participação popular no programa se dará por meio de uma enquete, disponibilizada no site do museu, através da qual os participantes poderão escolher uma das três seguintes áreas que deverão ser trabalhadas com maior profundidade no decorrer do ano de 2018: Manuscritos históricos do século XIX, Coleção Design e Tecnologia no tempo da escravidão e  arte contemporânea de artistas afro-brasileiros e africanos.

A partir da escolha do tema, equipes do museu realizarão estudos e ações de [enquete] pesquisa, conservação e documentação sobre os objetos que compõem o segmento escolhido. Com as informações coletadas, as equipes escolherão um objeto para ser apresentado no encontro presencial “Leituras do Acervo”, durante o qual os participantes terão a oportunidade de acessar outras camadas de informação a respeito desse objeto.

“Com essa proposta, o Museu Afro Brasil objetiva construir, interdisciplinar e coletivamente, um conjunto de informações provenientes dos mais variados campos do saber a respeito de determinados objetos. Tal atividade permitirá ampliar e facilitar o acesso às informações sobre o acervo do Museu para pesquisadores, artistas, estudantes e demais interessados, a partir de um comprometimento conjunto com a democratização e a produção de conhecimento”, destaca Ana Lucia Lopes, coordenadora do Núcleo de Planejamento Curatorial do museu.

Manuscritos Históricos do Século XIX
O Museu Afro Brasil possui uma coleção única e inédita de manuscritos do século XIX, com informações valiosas relacionadas à vida de escravizados, às fazendas, e a época em que trabalhavam. Nesta proposta, aprofundaremos o estudo desses documentos, oferecendo de forma online, um dossiê contendo a imagem do manuscrito original, sua paleografia (transcrição) e informações históricas pontuais, não apenas relacionada ao documento, mas também ao contexto.

Design e Tecnologia no tempo da escravidão
A coleção Arte, Adorno, Design e Tecnologia no tempo da escravidão é constituída por diversos artefatos domésticos, de fazendas, de engenhos de açúcar, de ofícios urbanos tais como mesas de lapidação de pedras preciosas, forjas de ferreiro, moendas de açúcar, prensas de folha de tabaco, moendas de milho, formas de queijo e rapadura, plainas de marceneiros, além de maquinário de diferentes momentos da economia colonial. Nesta proposta, o objetivo é abordar o conceito de tecnologia e design que está por detrás do conjunto destes objetos, dando outra perspectiva da história do Brasil, destacando a contribuição do negro no campo de trabalho, em termos de conhecimentos científicos, tecnológicos e intelectuais de matriz africana que vieram para o território nacional através da população em condição de escravização.

Arte Contemporânea
O que é arte contemporânea? Uma produção marcada por uma temporalidade específica? Uma forma de experimentar técnicas? Um modo de extravasar as instituições? Um conjunto de questionamentos sobre algum tema específico? Esse amplo leque de questões, frente à coleção do Museu Afro Brasil, nos possibilita olhar para a produção de artistas afro-brasileiros e africanos de muitas e variadas formas. Voltarmo-nos para o tema “Arte Contemporânea” é um modo de melhor conhecer nosso acervo, compreender as tensões que o constituem e evidenciar seus diferentes significados para nossa história da Arte.

A votação que definirá qual tema será aprofundado pelo Museu Afro Brasil poderá ser feita até o dia 20 de maio no site oficial do museu

Fonte: Museu Afro Brasil