Mostra Ninguém teria acreditado: Alvim Corrêa e 10 artistas contemporâneos é destaque na Pinacoteca de SP

Tem exposição nova na Pinacoteca de São Paulo: “Ninguém teria acreditado: Alvim Corrêa e 10 artistas contemporâneos”, que explora temáticas comuns às obras de ficção científica, como invasão alienígena, ao exibir as ilustrações de Corrêa para o célebre livro “A Guerra dos Mundos”, de Herbert George Wells, que influenciou radicalmente a imaginação de todos em relação à figura do extraterrestre e da guerra entre humanos e alienígenas.

A seleção dos trabalhos propõe um paralelo entre as visões fantásticas e sombrias de Corrêa e o imaginário da arte contemporânea, e amplia a discussão para aspectos que atravessam a história, como colonialismo, guerra, violência, preconceito, medo e desejo.

A curadoria é de Fernanda Pitta e Laurens Dhaenens, um desdobramento da parceria da Pinacoteca com a Netwerk Aalst, da Bélgica. A seleção de 43 obras de Alvim Corrêa, Alex Cerveny, Cabelo, Denilson Baniwa, Fernando Gutiérrez Huanchaco, Guerreiro do Divino Amor, Ilê Sartuzi, Luiz Roque, Rivane Neuenschwander, Runo Lagomarsino e Wendy Morris evidencia a complexa relação entre humanidade, novas tecnologias e natureza.

Importante ressaltar que a obra sem título (2012) feita de neon e veludo, do artista Cabelo, que está na mostra, é uma das 16 aquisições realizadas pela Pinacoteca de São Paulo em novembro de 2021, por meio do Programa de Patronos.

Alvim Corrêa (Rio de Janeiro, 1876 – Bruxelas, 1910) teve uma carreira breve, morreu jovem e a maior parte de seus trabalhos se perdeu em um naufrágio. O ápice de sua trajetória foram as ilustrações da famosa edição em francês, de 1906, do livro “A Guerra dos Mundos”, de Herbert George Wells, que narra uma invasão de marcianos na Terra.

Não se sabe ao certo como Alvim Corrêa conheceu a obra, mas segundo relatos do próprio Wells, Alvim, fascinado pela história, realizou uma série de ilustrações e foi até a Inglaterra visitá-lo para mostrar os desenhos.

A iniciativa do brasileiro deu certo e resultou numa edição de luxo de 500 exemplares com 32 ilustrações em papel couché amarelo e 105 ilustrações, 42 delas publicadas como gravuras destacáveis no livro. Na mostra, o visitante poderá conferir um exemplar dessa publicação em francês, edições brasileiras recentes, de 2016 e 2017, além de uma projeção das gravuras que explicita o seu caráter precursor de um imaginário cinematográfico.

Também serão expostos raros estudos do artista, pertencentes à coleção Alexandre Eulálio, do CEDAE Unicamp, crítico literário e grande responsável pela divulgação do trabalho do artista no Brasil, juntamente com José Roberto Teixeira Leite e Pietro Maria Bardi.

Convites de mostras organizadas por Eulálio e por Bardi, um cartaz do anúncio do livro “A Guerra dos Mundos”, além de fotos de Corrêa completam a seleção documental. A reunião dos trabalhos inclui também 11 desenhos eróticos da série “Visions Érotiques” que Corrêa publicou no início do século 20 sob o pseudônimo Henri Lemort.

Na mostra, a visão dos dez artistas contemporâneos é colocada em diálogo com os desenhos, pinturas e ilustrações de Alvim Corrêa, cujas obras levam à reflexão sobre a exploração e as lutas, sobre o medo e o desejo para o campo do ficcional e do fantástico, de seres humanos contra os marcianos ou contra seres monstruosos advindos de nossa própria imaginação.

Os trabalhos contemporâneos também exploram, por meio de diferentes abordagens da ficção, da fantasia e da imaginação, questões que estão no pano de fundo da história de Wells.

Sartuzi, Neuenschwander e Lagomarsino, por exemplo, apresentam em seus trabalhos figuras incomuns com o objetivo de explorar o sentimento humano de repulsa e atração pelo diferente, além da violência, medo e preconceito.

Cabelo, por sua vez, apresenta desenhos e um neon onde trabalha narrativas e imagens de seres fantásticos que povoam a sua imaginação. Cerveny também explora seres imaginários e os astros siderais, em ilustrações feitas para poemas do livro “Vejam como eu sei escrever”, de José Paulo Paes, pertencentes ao acervo da Pinacoteca.

Cópias da Bíblia Manual para falar com Deus (2018-2021), que se acredita ter sido transmitida por seres-extraterrestres aos latino-americanos, transcrita e ilustrada pelo artista peruano Fernando Gutierrez Huanchaco, estão disponíveis para o público durante a visitação.

A exposição ainda traz o vídeo Zero (2019), de Luiz Roque, que apresenta uma distopia em um roteiro que considera a extinção e um mundo pós-humano. Faz parte também da curadoria o trabalho da artista Wendy Morris, natural da Namíbia, que apresenta uma instalação inédita realizada a partir de sua pesquisa sobre a relação entre colonialismo, escravização, feminismo e resistência.

A curadoria também inclui dois trabalhos em vídeo inéditos: Kopheneue (2021), de Denilson Baniwa, e Estudo para um diagrama superficcional: Suíça vs Amazônia, uma guerra supernutricional (2021), de Guerreiro do Divino Amor. As produções trazem visões sobre uma guerra total e apocalíptica mais do que presente, o da destruição do meio-ambiente e das culturas tradicionais que o preservam.

Catálogo

A exposição “Ninguém teria acreditado: Alvim Corrêa e 10 artistas contemporâneos” conta com catálogo ricamente ilustrado, com texto dos curadores Fernanda Pitta e Laurens Dhaenens, um ensaio de Dhaenens e textos dos artistas contemporâneos Denilson Baniwa e Wendy Morris, que também possuem trabalhos na mostra. A publicação possui 80 páginas e está disponível na loja física e on-line do museu.

Serviço

Ninguém teria acreditado: Alvim Corrêa e 10 artistas contemporâneos

Curadoria: Fernanda Pitta e Laurens Dhaenens

Artistas: Alvim Corrêa , Alex Cerveny, Cabelo, Denilson Baniwa, Fernando Gutiérrez Huanchaco, Guerreiro do Divino Amor, Ilê Sartuzi, Luiz Roque, Rivane Neuenschwander, Runo Lagomarsino e Wendy Morris.

Período: até 11 de abril de 2022

De quarta a segunda, das 10h às 18h

Ingressos com horário marcado e vendas pelo site da Pinacoteca. Aos sábados, a entrada é gratuita, mas deve ser reservada com antecedência pelo site.

Fonte: Pinacoteca de São Paulo