MIS-SP organiza oficina sobre o Feminino no cinema, na literatura e na psicanálise

Caravaggio Judith Beheading HolofernesFoto: “Judite e Holoferne”, 1599

A partir de conceitos centrais da psicanálise e de obras do cinema e da literatura, o curso desenhará diversos contornos do eterno e enigmático campo do Feminino. Como perguntava Freud, “o que quer uma mulher?”. A partir dessa questão, serão trilhadas as ideias de Complexo Edípico, Falo, Falta, Desejo, Escritura e Fabulação para mapear um campo conceitual e crítico a partir do qual abordaremos textos, imagens e sons.

Em termos literários, o intuito será o de analisar de perto duas obras da literatura brasileira contemporânea: Relato de uma busca, de Bernardo Kucinski, e Lívia e o cemitério africano, de Alberto Martins. Nos dois romances, a personagem feminina, quando se ausenta, é (re)construída a partir do olhar masculino, marcado e maculado pelo desaparecimento da filha (no livro de Kucinski) ou da cunhada (em Lívia).Interessa refletir sobre como a ausência da mulher contribui para a reconfiguração do narrador e/ou protagonista e para criação de um imaginário sobre o feminino.

Os impasses contemporâneos serão também abordados pelo cinema documental e de ficção, focando, entre outros, as obras de Eduardo Coutinho, Agnès Varda e Luiz Fernando Carvalho. Jogo de cena, As praias de Agnès e Lavoura arcaica serão algumas das obras colocadas na roda em que o Feminino se constitui, se dilacera e, talvez, possa renascer de uma outra maneira.

O curso terá um total de seis aulas, distribuídas em três módulos de duas aulas cada.

Programa do curso
1º módulo – Psicanálise, cinema e literatura: Maria Lucia Homem
2º módulo – Literatura brasileira e crítica literária: Rita Palmeira
3º módulo – Teoria de cinema e análise fílmica: Ilana Feldman

Critério de seleção: ordem de chegada das inscrições

Sobre as professoras
Ilana Feldman é pesquisadora, crítica e professora. É doutora em Cinema pela ECA-USP, com passagem pelo Departamento de Filosofia, Artes e Estética da Universidade Paris VIII, tendo desenvolvido a tese Jogos de cena: ensaios sobre o documentário brasileiro contemporâneo. Atualmente, realiza pós-doutorado em Teoria Literária no Instituto de Estudos da Linguagem da UNICAMP, com pesquisa sobre cinema, testemunho e autobiografia.

Maria Lucia Homem é psicanalista, pesquisadora do Núcleo Diversitas FFLCH/USP e professora da FAAP. Pós-graduação em Psicanálise e Estética pela Universidade de Paris VIII / Collège International de Philosophie e Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP. Autora de No limiar do silêncio e da letra. Traços da autoria em Clarice Lispector e participação em Leitores e leituras de Clarice Lispector (Hedra), Estranhas Travessias (Edifieo), entre outros.

Maria Rita Palmeira é doutora em literatura brasileira pela USP (2009), com tese sobre literatura brasileira contemporânea, e mestre em Teoria Literária pela Unicamp (2000). Foi professora da Facamp (2001-2011), do Centro Universitário Belas Artes (2011) e da Escola Superior Diplomática (2010-2011), e professora temporária na USP (2012). É pesquisadora do projeto Conexões Itaú Cultural: mapeamento da literatura brasileira no exterior desde 2008 e parecerista das revistas Arredia, Via Litterae e Estudos de literatura brasileira contemporânea. É editora-assistente da Três Estrelas, selo de não ficção da Folha de S. Paulo.

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Fonte: MIS – SP