MIS recebe mostra de vídeo experimental argentino

Seleção da curadora Clara Garavelli reflete sobre as línguas que unem as comunidades brasileira e argentina, e sobre a relação entre as linguagens escrita, literária, poética, ensaística, audiovisual e a propriamente videográfica.

 

Nos dias 19 e 20 de agosto, o MIS – instituição da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo – recebe a mostra Entre línguas: vídeo experimental argentino. A mostra é realizada em parceria com o Instituto Cervantes e a FIILE (Fundação Instituto Internacional da Língua Espanhola). A seleção de vídeos será apresentada no Auditório LABMIS (66 lugares) e a entrada é gratuita, com retirada de senha na recepção do museu.

Entre línguas: vídeo experimental argentino, que conta com curadoria de Clara Garavelli (professora da Universidade de Leicester/Reino Unido), apresenta uma seleção de vídeos experimentais argentinos que refletem sobre as línguas que unem duas comunidades, a brasileira e a argentina, e também sobre a relação entre as linguagens escrita, literária, poética, ensaística, audiovisual e a propriamente videográfica. Os trabalhos compilados propõem uma compreensão particular do mundo e de nossa existência, partindo de uma reflexão sobre a(s) língua(s) e a/as linguagens.  O título da mostra incita indagar “entre línguas”, porque se instala entre o espanhol, o português e a língua que costuma legitimar a vídeo produção em nível global: o inglês.

 

O vídeo experimental na Argentina, como prática em constante mutação que lida com as tensões entre o campo videográfico, o artístico e o cinematográfico, explora as fronteiras estruturais da imagem em movimento. E assim, contemplando esta confluência, foram selecionados os artistas participantes. Há realizadores que já se estabeleceram como parte do “cânon” do vídeo experimental nacional, como Graciela Taquini, Gustavo Galuppo e Carlos Trinlnick. Outros, destacados especialmente como artistas plásticos, entre os que podemos mencionar Graciela Sacco e Andrea Racciatti. Enquanto vários outros participam habitualmente do circuito propriamente cinematográfico, como é o caso de Javier Olivera, Gastón Duprat e Mariano Cohn.

 

Apesar de apresentarem obras históricas que datam dos anos sessenta e dos noventa até nossos dias, a programação não está estruturada cronologicamente, mas responde a eixos temáticos que giram em torno da língua, da linguagem e dos grandes interrogantes e paixões que atravessam nossa existência. Sob os títulos de Retórica, Relatos e Taxonomia, os programas do primeiro dia exploram diferentes processos de construção do discurso, tanto escritos, orais, quanto audiovisuais. Para o segundo dia de projeções, propõe-se um diálogo fluente entro o literário e o videográfico com o fim de indagar sobre temas universais como o amor, a paixão e a alteridade.

Confira abaixo a programação completa.

19 de agosto (sexta-feira)

18h
Retórica
(Duração total: 00:40:14; Classificação livre; Formato Digital)

Vídeos que refletem sobre o estudo e a sistematização dos procedimentos e técnicas de utilização da linguagem escrita e audiovisual.

Escrever, ler, escutar (Leticia El Halli Obeid 2003) – Duração: 00:06:00

Les lunettes (Paulo Pécora 2003) – Duração: 00:03:38

O efeito Kuleshov (Jacobo Sucari 2011) – Duração: 00:09:13

Teremos transmutado (Pauli Coton 2014) – Duração: 00:06:23

Usos do suplício (Arturo Marinho 1995) – Duração: 00:09:40

Interestratos (Juan Bobbio e Andrea Racciatti 2009) – Duração: 00:06:00

 

19h
Relatos (
Duração total: 00:46:93; Classificação livre; Formato Digital)

Vídeos que exploram diversas formas de narrar ou onde o ato de narrar em si vira um acontecimento.

Relatos (Leticia El Halli Obeid 2005) – Duração: 00:08:30

O sublime/banal (Graciela Taquini 2004) – Duração: 00:12:33

Contam (Christian Delgado 2009) – Duração: 00:03:00

STOCK (O Último Dia de C.) (Rubén Guzmán 2007) – Duração: 00:06:00

Conversation piece (Gabriela Golder 2013) – Duração: 00:17:30

 

20h
Taxonomia
(Duração original: 01:36:02 – será realizada uma versão especial de 01:22:00; classificação livre; Formato Digital)

Enciclopédia 2000 (Mariano Cohn, Adrián De Rosa, Gastón Duprat 2000)

Sinopse: Utilizando a estrutura de uma enciclopédia com cenas variadas não conectadas entre si, este filme mostra uma espécie de “radiografia” da sociedade argentina dos anos noventa. Ao mesmo tempo, põe em dúvida o significado aparente das coisas, e nos aproxima, com humor e ironia, a uma singular ideia do mundo moderno. O vídeo ganhou o Grande Prêmio do Salão Interdisciplinar do Museu Castagnino de Rosário (2000)

 

20 de agosto (sábado)

16h
Retórica (reprise) –
Duração total: 00:40:14 – Classificação livre; Formato Digital

Vídeos que refletem sobre o estudo e a sistematização dos procedimentos e técnicas de utilização da linguagem escrita e audiovisual.

Escrever, ler, escutar (Leticia El Halli Obeid 2003) – Duração: 00:06:00

Les lunettes (Paulo Pécora 2003) – Duração: 00:03:38

O efeito Kuleshov (Jacobo Sucari 2011) – Duração: 00:09:13

Teremos transmutado (Pauli Coton 2014) – Duração: 00:06:23

Usos do suplício (Arturo Marinho 1995) – Duração: 00:09:40

Interestratos (Juan Bobbio e Andrea Racciatti 2009) – Duração: 00:06:00

 

17h10
Relatos (reprise) –
Duração total: 00:46:93,  Classificação livre; Formato Digital)

Vídeos que exploram diversas formas de narrar ou onde o ato de narrar em si vira um acontecimento.

Relatos (Leticia El Halli Obeid 2005) – Duração: 00:08:30

O sublime/banal (Graciela Taquini 2004) – Duração: 00:12:33

Contam (Christian Delgado 2009) – Duração: 00:03:00

STOCK (O Último Dia de C.) (Rubén Guzmán 2007) – Duração: 00:06:00

Conversation piece (Gabriela Golder 2013) – Duração: 00:17:30

 

18h20
Fragmentos de um discurso amoroso
(Duração total: 00:46:09, classificação livre; Formato Digital)

Reflexões sobre o amor, o desamor, e suas formas de enunciá-lo.

Lagoa (Mariela Cantú 2012) – Duração: 00:07:20
Os reflexos frágeis (Gustavo Galuppo 2010) – Duração: 00:05:00
A vida que deixo atrás (Javier Olivera 2011) – Duração: 00:04:00
Uyuni (Andrés Denegri 2005) – Duração: 00:08:14
Facão de campo (Dolores Espeja 2000) – Duração: 00:05:19
2050 cartas de amor (Arteprotéica 2004) – Duração: 00:08:40
Nem uma só palavra de amor (El niño/O menino Rodríguez 2011) – Duração: 00:08:16

19h30
Adaptações (
Duração total: 00:48:70. Classificação 14 anos; Formato Digital)

Vídeos que trabalham intertextualmente com a literatura.

Argumento (Carlos Trilnick 1992) – Duração: 00:11.00
Bocanada (Graciela Sacco 1994) – Duração: 00:09:00
Sardinhas (Carlos Essman 1997) – Duração: 00:03:24
Noite e Névoa (Arturo Marinho e Andrea Ostera 1997) – Duração: 00:03:28
O Aleph (Narcisa Hirsch 2005) – Duração: 00:01:10
Compartilhar a pastagem (Marula Di Como 2007) – Duração: 00:05:50
Chapeuzinho vermelho (Juan Fresán 1964) – Duração: 00:15:58

20h40
Fala da curadora Clara Garavelli e da artista e pesquisadora Mariela Cantú (15 min.) seguida da exibição de Ensaio

A criação de um mundo (Gustavo Galuppo & Carolina Rimini 2015; classificação livre; Formato Digital)

Sinopse: A presença de uma paisagem indiferente e a exposição de dois pontos de vista se desdobram no decorrer de uma viagem para narrar a possibilidade de um encontro amoroso.Transitando um limite algo impreciso entre a intimidade do diário de viagem, o caráter iniciático da road movie, e a reflexão poética do ensaio cinematográfico, A criação de um mundo tenta pôr em forma a ideia de um encontro possível.O que foi provavelmente visto e o ali pensado substituem as ações de um itinerário incerto no qual duas figuras ensaiam ideias em torno da alteridade, da possibilidade do amor e do nascimento de um mundo compartilhado.

Duração: 01:27:29 – foi realizada uma versão especial de 50 minutos. Os realizadores são de Rosário. Galuppo conta com uma ampla trajetória dentro do vídeo experimental.

Sobre a curadora

Clara Garavelli, nasceu em Rosário (Argentina). É doutora pela Universidade Autônoma de Madrid e professora da Universidade de Leicester (Reino Unido). Seu trabalho aborda os limites da linguagem audiovisual e às relações entre o campo artístico e cinematográfico, com especial interesse no campo do cinema e no vídeo argentino contemporâneos. Publicou o livro Vídeo Experimental Argentino Contemporâneo: Uma Cartografía Crítica (EDUNTREF 2014) e co-editou Reflexiones fragmentadas: pensar los Estudios Culturales desde España (Verbum 2012) e Poéticas del movimientoAproximaciones al cine y video experimental argentino (Libraria 2015). Seus trabalhos sobre cinema e cultura visual aparecem em revistas como Bulletin of Hispanic Studies, Ol3Media, Revista Cine Documental, Studies in Hispanic Cinema, New Cinemas e Imagofagia. É membro do conselho editorial da revista Secuencias. Revista de Historia del Cine (UAM-Maia edições). Participou como júri do Festival Internacional de Vídeo Arte (FIVA 2012 & 2013) e tem sido curadora de várias mostras de cinema e de vídeo experimental.

 

Serviço:
ENTRE LÍNGUAS: VÍDEO EXPERIMENTAL ARGENTINO
DATA 19 e 20 de agosto de 2016
HORÁRIO 18h, 19h e 20h (19.08, sexta) e 16h, 17h10, 18h20, 19h30 e 20h40 (sábado, 20.08)
LOCAL  Auditório LABMIS (66 lugares)
INGRESSO Gratuito – retirada de senha com uma hora de antecedência na recepção do MIS
CLASSIFICAÇÃO livre 14 anos

 

 2.missp

 

Fonte: MIS-SP
Imagem: Divulgação