MIS realiza duas edições do “Clube de Leitura de HQs”

Durante as férias, e como parte da programação paralela da mega exposição Quadrinhos, o Educativo MIS, do Museu da Imagem e do Som, realiza o Clube de Leitura de HQs, encontros para discussão, análise e reflexão de quadrinhos nacionais e internacionais, de diversos gêneros. Podem participar maiores de 14 anos e a leitura prévia não é obrigatória para a participação. Ao todo, 20 vagas estão disponíveis e a retirada dos ingressos deve ser feita com 1h de antecedência.

A primeira edição do clube acontece dia 11 de janeiro, às 15h, com a série de graphic novels Scott Pilgrim – Contra o mundo, do canadense Bryan Lee O’Malley. Lançada no Brasil pela Companhia das Letras em 2010, a série foi dividia em três volumes: o primeiro volume inclui as histórias de: “A Preciosa Vidinha de Scott Pilgrim” e “Scott Pilgrim – Contra o Mundo”. O segundo volume contém: “Scott Pilgrim e a Tristeza Infinita” e “Scott Pilgrim Entra na Linha”. O terceiro e último volume, contém as histórias de: “Scott Pilgrim Contra o Universo” e “A Hora e a Vez de Scott Pilgrim”. 

Scott Pilgrim é o nome do personagem principal, um roqueiro adolescente cuja vida parece um jogo de videogame. Ele se apaixona por Ramona Flowers, garota com um passado misterioso. Mas, para ficar com ela, Scott terá que enfrentar os Sete Ex-Namorados do Mal.

O segundo encontro ocorre dia 18 de janeiro, também às 15h, com a leitura de “Maus”, de Art Spiegelman, e de “Palestina – Uma nação ocupada”, de Joe Sacco.

Maus (“rato”, em alemão) é a história de Vladek Spiegelman, judeu polonês que sobreviveu ao campo de concentração de Auschwitz, narrada por ele próprio ao filho Art. O livro é considerado um clássico contemporâneo das histórias em quadrinhos. Foi publicado em duas partes, a primeira em 1986 e a segunda em 1991. No ano seguinte, o livro ganhou o prestigioso Prêmio Pulitzer de literatura. A obra é um sucesso estrondoso de público e de crítica. Desde que foi lançada, tem sido objeto de estudos e análises de especialistas de diversas áreas – história, literatura, artes e psicologia.

Nas tiras, os judeus são desenhados como ratos e os nazistas ganham feições de gatos; poloneses não-judeus são porcos e americanos, cachorros. Esse recurso, aliado à ausência de cor dos quadrinhos, reflete o espírito do livro: trata-se de um relato incisivo e perturbador, que evidencia a brutalidade da catástrofe do Holocausto. Spiegelman, porém, evita o sentimentalismo e interrompe algumas vezes a narrativa para dar espaço a dúvidas e inquietações. É implacável com o protagonista, seu próprio pai, retratado como valoroso e destemido, mas também como sovina, racista e mesquinho. De vários pontos de vista, uma obra sem equivalente no universo dos quadrinhos e um relato histórico de valor inestimável.

Palestina, é resultado de uma longa viagem que o autor fez ao Oriente Médio. Durante dois meses, Sacco coletou histórias nas ruas, nos hospitais, nas escolas e nas casas dos refugiados. Presenciou violentos confrontos dos soldados com a população e entrevistou vítimas de tortura. Conversou com militantes, com outros já conformados com a situação, com idosos e com crianças. 

Palestina representa um desafio: provar que se pode fazer uma reportagem em forma de quadrinhos. O livro arrancou elogios entusiasmados de toda a crítica, inclusive daquela não especializada em quadrinhos. Do New York Times ao The Nation. Entrou para o currículo de diversas universidades norte-americanas. E, por fim, ganhou o American Book Awards.

Fonte: MIS