MIS espera público maior que o de Kubrick na exposição sobre David Bowie

Começou nesta sexta-feira(31) a aguardada exposição “David Bowie” no MIS (Museu da Imagem e do Som de São Paulo). Traçando um panorama na carreira dele, o projeto insere o público no processo criativo do tal “camaleão do rock” que serviu como referência a diversas gerações tanto no aspecto musical, quanto artístico. Em entrevista ao UOL, o diretor da instituição André Sturm comenta a elaboração, as expectativas e a experiencia sensorial que a mostra promete.

Em menos de seis meses, essa é a segunda grande exposição de cunho altamente pop realizada pelo MIS. Tendo recebido mais de 80 mil pessoas na do cineasta Stanley Kubrick encerrada no último dia 12, o museu espera ultrapassar tal marca atingida. “Não sei dizer um número, mas esperamos que supere os 80 mil do Kubrick”, diz Sturm. Para isso, dependendo da procura, os horários da bilheteria deverão ser estendidos ainda nas primeiras semanas.

Organizada originalmente pelo renomado museu londrino Victoria & Albert, “David Bowie” conta com 300 itens do acervo original do músico, o “The David Bowie Archive”. Os curadores Victoria Broackes e Geoffrey Marsh afirmam que, embora tendo cedido suas obras, Bowie em momento algum palpitou ou se envolveu de alguma forma com o projeto.

Entre os objetos, estão set lists, manuscritos, instrumentos e desenhos, 47 figurinos, trechos de filmes e shows ao vivo, videoclipes e fotografias. Assim, os personagens criados por ele, sua visão de arte, as performances ao vivo mais marcantes e as demais passagens de destaque em sua trajetória ilustrarão os corredores do espaço situado na avenida Europa.

A cenografia não obedece criteriosamente os mesmos moldes da original, tendo sido estabelecidas algumas adaptações por conta da própria disposição de espaço do MIS. O que Sturm antecipa em termos de experiência nova é o componente de sensorialidade: quem chegar à mostra receberá um fone de ouvido cuja função não é a de áudio guia, mas de aproximar o som de “David Bowie” aos ouvidos do público. Cada espaço terá uma música específica e os vídeos oferecidos poderão ser escutados com facilidade, sem que seja necessária a comum disputa por fones entre os visitantes.

“David Bowie”, que fica em cartaz até 20 de abril, ainda contará com uma programação paralela com shows e DJ sets no MIS e com a exibição de todos os longas-metragens em que o músico participou, incluindo também documentários que abordam sua trajetória. O público poderá ver “Fome de Viver” (1983), “Labirinto, A Magia do Tempo” (1986) e “Furyo, Em Nome da Honra” (1983) e os docs “David Bowie”, “The Story of Ziggy Stardust” (2012) e “David Bowie – Five Years” – este último exibido pela BBC em 2013, focando naqueles que são considerando os mais prolíficos anos da carreira dele (1971, 1975, 1977, 1980 e 1983).

Histórico de negociações

Este é o terceiro ponto de parada da exposição no mundo. Embora o MIS tenha sido o primeiro museu fora de Londres a fechar o contrato para a vinda ao Brasil, a galeria AGO em Toronto acabou exibindo as peças por seis semanas no final de 2013. Sturm conta que assinou o contrato para trazer a mostra em 2012, quando a própria exposição no V&A, intitulada por lá “David Bowie is”, ainda era um esboço — o que acabou colocando a instituição brasileira na frente de outros renomados museus internacionais. “Se eu fosse negociar agora, só conseguiria data para 2018 [risos]”, comenta.

Viajando em caixas especiais com proteção térmica e todo aparato necessário para a conservação, as peças chegaram ao Brasil pouco antes do Natal e foram encaminhadas a um depósito do museu, onde permaneceram até o fim da exposição de Stanley Kubrick. “Quando começamos a desmontar a exposição, já começamos a montar a do Bowie, com duas equipes separadas”, diz o diretor, mencionando as datas apertadas entre o fim de uma e o começo de outra. “Mas deu tudo certo. Fico muito contente por poder trazer esse projeto porque vai além de gostar ou não de rock. O Bowie é um artista amplo e completo, e influenciou muito a cultura ocidental.”

David Bowie

Quando: até 20 de abril; bilheteria terças a sextas, das 12h às 20h; sábados, das 11h às 21h; domingos e feriados, das 11 às 20h

Onde: MIS (Museu da Imagem e do Som de São Paulo) | Avenida Europa, 158 – Pinheiros

Quanto: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia). Às terças-feiras a entrada no MIS é gratuita.

Informações: 11 2117-4777 ou www.mis-sp.org.br/

 

Fonte: Guia Uol