Tim Burton comenta a exposição no Museu da Imagem e do Som, em SP

Tim dirigiu produções como Edward Mãos de Tesoura e A Noiva Cadáver.
Ele está no Brasil e falou ainda sobre o Carnaval.

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O Museu da Imagem e do Som, em São Paulo, está expondo os trabalhos de Tim Burton. O diretor, responsável por filmes como Edward Mãos de Tesoura e A Noiva Cadáver, está no Brasil e conversou com a repórter Janaína Lepri.

A história não acontece com todo mundo, mas de vez em quando, aparece alguém com um talento diferente. Eu estou falando de alguém que nem precisa mostrar o rosto para ser reconhecido. Um cineasta, por exemplo. Estou falando de Tim Burton.

Ele conseguiu criar um universo completamente à parte, mas que a gente reconhece logo de cara. E, se fosse possível abrir o baú de memórias do Tim Burton, daria de cara com as criaturas estranhas de seus filmes.

Pode até parecer que não tem nada a ver uma com as outras, mas se a gente prestar atenção, vai notar que saíram da cabeça do mesmo criador.

Pode ser o Edward, aquele, das mãos de tesoura, a noiva cadáver, os operários da fábrica de chocolate ou os personagens de “Batman”, que Tim Burton transformou em um cavaleiro das trevas de verdade. Todos carregam o DNA do diretor, queira ele ou não.

“Eu nunca penso nisso porque quando eu comecei a desenhar, fazer filmes, qualquer coisa, eu nunca pensei que eu tinha um estilo particular, eu apenas faço o que faço, então quando as pessoas começaram a falar sobre isso eu me senti um pouco desconfortável, porque para mim é muita mais uma manifestação emocional do que racional”, diz o cineasta.

E com Tim Burton, tudo começa num pedaço de papel. “Eu tenho problemas para me comunicar, então eu sinto que para mim, eu me comunico pelos desenhos, e eu não gosto de diários, mas sempre ando com um bloquinho de notas onde quer que eu vá, então, para mim, é como o meu diário”, afirma Tim Burton.

Essas notas nem sempre ficam em segredo, podem parar nas telas. E no cinema, não é só o desenho que identifica um legítimo Tim Burton. Tem a parceria com o ator Johnny Depp.

“Eu gosto de trabalhar com as mesmas pessoas às vezes, porque eu gosto de vê-las mudando de um personagem para outro”, diz.

Tem também a atmosfera soturna. O som, a cor ou também a falta dela. “Em filmes como ‘Ed Wood’ ou ‘Frankeweenie’ eles tinham que ser em preto e branco, para mim isso é parte do sentimento do que eles são. O primeiro filme que eu fiz foi preto e branco, mas eu também adoro cores, para mim é tão importante quanto os atores, ou qualquer outra coisa, é algo que sempre penso muito logo de início”.

Pensando assim, a gente entende porque Tim Burton amou o carnaval carioca, que ele viu de pertinho. “Aquilo é como um filme que eu queria muito ter feito! O ambiente, a música, o som, o visual, para mim é melhor que qualquer filme, de certa forma, porque é ao vivo, está acontecendo naquele momento, é algo que eu nunca vi antes na minha vida”.

Tim disse que certamente o Carnaval vai inspirar algum projeto futuro. O primeiro esboço ele fez e se já existe a “noiva cadáver”, agora nasceu a primeira “passista cadáver”.

SERVIÇO
O Mundo de Tim Burton
Data: até 15 de maio. De terça à sexta, das 11h às 20h, sábado, das 9h às 21h, e aos domingos, das 11h às 19h
Local: Museu da Imagem e do Som – Avenida Europa, 158 – Telefone: 2117-4777
Preço: grátis às terças-feiras, R$ 12, às sextas e domingos, e R$ 40, às quartas, quintas e sábados (venda pela internet)
Classificação livre

tim-burton-expo-450x338Exposição do cineasta Tim Burton fica em cartaz no MIS até maio

Fonte: G1