Mercado aquecido amplia espaço para criadores brasileiros

N3 Mercado de arte
Cadeira dos irmãos Campana, “certeza de bom investimento”, segundo antiquário George Sampaio

Num país onde a economia ocupa a sexta melhor posição no ranking mundial, o mercado de artes e antiguidades tem seu quinhão reservado. No ano passado, a Associação Brasileira de Arte Contemporânea (Abact) festejou um crescimento do volume de negócios com arte contemporânea da ordem de 44% entre 2011 e 2012 e só nesse último período, São Paulo e Rio de Janeiro movimentaram, juntas, cerca de R$ 140 milhões por meio das suas feiras do segmento. Ainda assim, a julgar que as vendas no país correspondem a apenas 1% (R$ 1,2 bilhão) do que se comercializa mundialmente, conclui-se que os artistas nacionais têm excelentes perspectivas pela frente.

Thiago Gomide, diretor da Bolsa de Arte, que atua especialmente no segmento de leilões de arte moderna e contemporânea do Rio de Janeiro, promove entre três e cinco eventos por ano. “O mercado de arte está crescendo como nunca cresceu. A visibilidade do país como emergente associada à alta qualidade artística nacional tem garantido aos criadores brasileiros uma valorização constante”, diz Gomide, que cita nomes consagrados como Lygia Clark (1920 -1988), Hélio Oiticica (1937 -1980) e Mira Schendel (1919- 1988).

Segundo Gomide, o momento é tão bom que dele se beneficia até mesmo o jovem artista que acabou de sair da faculdade de artes plásticas. “Temos produção em quantidade suficiente e atravessamos um momento de grande valorização no exterior.” Ele, no entanto, afirma que a manutenção da tendência de alta é dependente do desempenho da economia interna.

N3 foto
Obra de Beatriz Milhazes, artista contemporânea brasileira que, ao lado de Adriana Varejão, é destaque em leilões

A leiloeira da Casa Amarela, Silvia de Souza, que trabalha com modernistas e contemporâneos como Adriana Varejão e Amélia Toledo – cuja valorização anual estima em 15% -, diz, no entanto, que o mercado de arte sofreu uma certa estagnação a partir de meados de 2012. Ainda assim acredita que o crescimento sustentado dos últimos dez anos gerou consequências positivas, como a profissionalização das casas leiloeiras – que passaram, segundo ela, a oferecer melhores preços e a explorar mais a internet, facilitando a possibilidade de se investir em novos talentos.

Fonte:  Valor Economico