Maneiras de expor: arquitetura expositiva de Lina Bo Bardi

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O Museu da Casa Brasileira realiza a mostra Maneiras de expor: arquitetura expositiva de Lina Bo Bardi. No âmbito do centenário de nascimento da arquiteta ítalo-brasileira (Roma, 1914-São Paulo, 1992), o MCB aborda detalhes da trajetória de Lina Bo Bardi, especialmente após sua vinda para o Brasil, revelando como ela foi influenciada pela cultura popular do país e destacando seu importante legado para a museografia nacional.

“Apresentamos nesta exposição-homenagem, uma frente da múltipla atuação da arquiteta Lina Bo Bardi: exposições que desenhou, curou e realizou”, explica Giancarlo Latorraca, diretor técnico do MCB e curador da mostra. “Buscamos trazer uma visão ampla e não única desta ‘trajetória expositiva’, desde as experiências aplicadas no MASP 7 de abril, feitas com a fresca bagagem da cultura museológica italiana, às grandes mostras populares do SESC Pompeia.”

O encontro com o universo da arquiteta, abordado pelo viés da prática expositiva, se inicia pela indicação de alguns pontos fundamentais experimentados em sua primeira atuação profissional ainda na Itália e a chegada ao Brasil; outras “maneiras de expor” fora do ambiente museológico, com caráter mais comercial; sua contribuição ao “salto museológico” que representou o primeiro MASP da rua 7 de Abril, fundamental para o estabelecimento das bases da museografia moderna no território brasileiro; o “projeto de civilização” exposto por meio da descoberta do potencial da cultura popular brasileira a partir do período que viveu na Bahia; a “revolução museográfica” do Museu de Arte de São Paulo com suas elaborações expositivas; e, por fim, as exposições do SESC Pompeia, com os grandes “painéis” sobre design e cultura do cotidiano.

A exposição traz desenhos, cartazes e fotos originais de exposições realizadas por Lina Bo Bardi, além de 6 exemplares dos famosos cavaletes de vidro criados pela arquiteta. A partir da pesquisa feita em documentos e fotografias, e da construção de maquetes e expositores em escala, foram montadas ambientações que transformam as salas do MCB em modelos de aproximação de mostras como “Caipiras, capiaus: pau-a-pique”, “Bahia no Ibirapuera”, além das pinacotecas do MASP 7 de abril e MASP Paulista.

O público visitante terá o suporte de textos selecionados para conduzir a leitura das imagens e dos desenhos, com trechos das apresentações e anotações da própria Lina Bo Bardi, divulgados à época do lançamento de cada trabalho. Complementam a mostra cinco entrevistas em vídeo feitas com personagens que simbolizam a interação profissional com a arquiteta na realização de sua obra ou através dela, assim como três projeções de filmes de época referentes à Pinacoteca do MASP Paulista, e às exposições “Design no Brasil: história e realidade” e “Caipiras, capiaus: pau-a-pique”.

“Apresentações de acervos, coleções e mostras temporárias de Lina Bo Bardi expuseram arte antiga, moderna, popular, objetos arqueológicos, esculturas, objetos industrializados; cultura material e imaterial. Organizadas em arranjos intrigantes e misturando criticamente o conceito entre essas categorias, suas mostras visavam sempre à experiência do observador, buscando surpreendê-lo, convidando-o a interagir através da evocação dos sentidos”, destaca Giancarlo Latorraca.

Maneiras de expor reforça a vocação do Museu da Casa Brasileira ao trazer a público, de forma pioneira, a questão do desenho expositivo na obra de Lina Bo Bardi. Comprometido com a abordagem transversa das questões ligadas ao design e à arquitetura, o MCB, por meio dessa mostra, procura destacar a importância da criação de espaços e dispositivos desenhados exclusivamente para cumprir, com eficiência, a missão essencial de comunicação nos museus, visando trazer a público este aspecto nem sempre adequadamente explorado de sua obra.

“Esta iniciativa, que teve o apoio e incentivo da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, permitiu ao MCB implementar o modelo ideal em um de seus importantes eixos de atuação, internalizando a pesquisa e a produção de conteúdos. Toda a concepção e elaboração desta mostra foram realizadas pela equipe interna do museu, em uma importante frente de atuação, que reforça o compromisso assumido pela instituição no cumprimento de sua missão”, revela Miriam Lerner, diretora geral do museu. “A exposição traz um aspecto específico da brilhante contribuição de Lina Bo Bardi, que soube, sem preconceitos, apontar as possibilidades de construção de uma identidade para o design nacional embasada na valorização da produção da matriz cultural brasileira frente à produção internacional. Lina Bo Bardi, italiana, tornou-se, por opção, uma legítima brasileira. Uma opção que influiu, de forma impactante, nos rumos do desenvolvimento de nossa cultura.”

Fonte: Museu da Casa Brasileira