MAE: premissas para a gestão institucional

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O plano de gestão que está em desenvolvimento no Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da USP para o período de 2014 a 2018 dá continuidade a propostas delineadas em gestões anteriores e busca avançar em cinco vetores que consideramos fundamentais para uma instituição museológica universitária:

  • ampliar e aprofundar as problematizações científicas a partir dos estudos dos acervos institucionais e da geração de novas abordagens acadêmicas referentes à arqueologia, etnologia e museologia, com vistas ao refinamento sistemático dos programas que estão sob a responsabilidade do museu; 
  • fundamentar as ações técnico-científicas de ensino, pesquisa e extensão inseridas e contextualizadas na dinâmica de processos curatoriais relativos aos seus campos de conhecimento e acervos, ancoradas nas reciprocidades entre docentes, técnicos e estudantes;
  • fomentar projetos que contemplem a divulgação científica, a inclusão sociocultural e a acessibilidade aos bens culturais, com o objetivo de reverberar a sua missão institucional nos cenários das políticas públicas da educação e da cultura;
  • qualificar sistematicamente os processos e as atividades administrativas, com o propósito de especializá-los em relação às expectativas de um museu universitário e, ao mesmo tempo, inseri-los nas rotas orientadas à inovação e à governança empreendedora;
  • desdobrar as estratégias de visibilidade institucional a partir da articulação e sistematização de seus indicadores acadêmicos junto à Administração Central da Universidade, bem como no que tange aos órgãos de fomento e de preservação e às associações nos campos da arqueologia, etnologia e museologia, nacionais e internacionais.

Esses cinco vetores têm sustentado as diretrizes do planejamento estratégico institucional e têm permitido que o MAE contribua com a USP no que diz respeito às questões inerentes às humanidades, à educação para o patrimônio cultural e, em especial, à compreensão sobre a relevância simultânea dos enfoques regionais e internacionais.

Nos 25 anos que separam a fusão das instituições pregressas (o MAE é fruto da fusão do ex-Museu de Arqueologia e Etnologia, do Instituto de Pré-História, dos setores de Arqueologia e Etnologia do Museu Paulista e do Acervo Plinio Ayrosa da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, ocorrida em agosto de 1989), que gerou um novo museu e o MAE do momento atual, superamos desafios consideráveis, mas, paulatinamente, redesenhamos a nossa estrutura organizacional, ancoramos de forma decisiva a oferta de ensino de graduação e pós-graduação, implantamos processos expositivos e de ação educativo-cultural de forma sistemática, multiplicamos os estudos sobre as coleções e ampliamos o perfil e o escopo da biblioteca, entre muitas outras rotas percorridas.

Notadamente, procuramos qualificar as interlocuções interdisciplinares, os contatos interinstitucionais e a cumplicidade entre os objetos interpretados e os olhares interpretantes, inerente ao perfil de um museu que atua a partir das indagações que emergem dos estudos das expressões culturais das sociedades ao longo do tempo e do espaço geográfico.

Com acervo representativo do Brasil indígena (do período pré-colonial às sociedades indígenas contemporâneas), da América pré-conquista colonizadora, das influências africanas e afro-brasileiras e da Antiguidade clássica mediterrânica e do Oriente Médio, as coleções arqueológicas e etnológicas do MAE permitem o tratamento de questões que transitam entre as explicações universais relativas à condição humana e às abordagens singulares sobre os indivíduos e as sociedades no que se refere às formas de subsistência, de celebração e de expressão artística.

Nesta gestão do museu, de acordo com essas premissas, pretendemos ampliar o nosso espaço institucional com o propósito de melhor abrigar os projetos de pesquisa e os laboratórios temáticos e de desenvolver as ações de salvaguarda e comunicação do acervo institucional de forma mais qualificada, como também é nossa intenção desdobrar a contribuição do MAE para a formação profissional nos nossos campos de atuação.

Certamente, o nosso desafio mais significativo está em garantir a excelência das atividades institucionais nas suas diferentes dimensões que, por sua vez, explicitem a importância deste museu para a Universidade de São Paulo.

Maria Cristina Oliveira Bruno é diretora do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da USP

Fonte: Espaber USP