Inscrições abertas para curso de férias de História da Arte na Pinacoteca do Estado de São Paulo

Representações da História do Brasil nas
Exposições Gerais da Academia Imperial de Belas Artes 
 
Considerada por muito tempo o mais importante gênero da pintura, a representação de temas históricos contribuiu significativamente para a invenção das nacionalidades.  O curso abordará a presença da pintura histórica nas Exposições Gerais de Belas Artes (EGBA) do período imperial, verificando o processo de construção de uma memória nacional, identificando a inclusão e exclusão de temas. A partir da análise de algumas obras, buscar-se-á perceber não somente a construção de um discurso oficial, mas também pinturas que a ele escapam.
 
 
PROGRAMAÇÃO
 
 
17/07
O altruísmo português na civilização da América. 
 
Ao contrário dos outros países da América Latina, a pintura histórica brasileira privilegia o período colonial, destacando positivamente as grandes navegações, a descoberta do Brasil, a ação dos jesuítas e o amor das índias pelos brancos.  Nessa aula serão analisadas as obras: Camões no seu leito de morte (EGBA-1884), de Antônio Firmino Monteiro; A primeira missa no Brasil (EGBA-1862) e Moema (EGBA-1866), de Victor Meirelles; Nóbrega e seus companheiros, de Manoel Joaquim de Melo Corte Real (EGBA-1843); O último Tamoio, de Rodolfo Amoedo (EGBA-1884).  
 
18/07
Um tema tabu: as revoltas e a repressão colonial.
 
Embora muitas sejam as revoltas do período colonial, algumas duramente reprimidas, praticamente não serão apresentadas nas Exposições Gerais de Belas Artes, excetuando-se alguns trabalhos sobre a Conjuração Mineira. Estes surgem, principalmente a partir da década de 1870, em função do movimento republicano.  Também no final do século, a repressão à ociosidade será representada de forma surpreendente. Nessa aula serão analisadas as obras: Tomás Antônio Gonzaga (EGBA-1843), de João Maximiano Mafra; Resposta de Joaquim José da Silva Xavier (Tiradentes) ao Desembargador Rocha, no ato da comutação de pena a seus companheiros, depois da missa/ Esboço (EGBA-1876), de Leopoldino Joaquim Teixeira de Faria; Alvarenga Peixoto no desterro, O Capitão João Homem e O Vidigal, de Antônio Firmino Monteiro (EGBA-1884); O Tiradentes/ estudo de cabeça (EGBA-1884), de Francisco Aurélio de Figueiredo e Melo. 
 
19/07
A história militar e o poder Imperial 
 
Dentre os países envolvidos na tríplice aliança (Argentina, Brasil e Uruguai) contra o Paraguai, o estado imperial brasileiro foi o único a fazer altos investimentos na constituição da memória de seus feitos. A Guerra do Paraguai possibilitou aos pintores a realização de grandes obras, atualizando um gênero em desuso: a pintura de batalhas. Entretanto, mesmo se tratando de encomendas oficiais, é possível perceber em alguns momentos uma posição mais crítica dos artistas frente à própria guerra. Nessa aula serão analisadas as obras: Batalha de Campo Grande e A batalha de Avaí (EGBA-1879), de Pedro Américo de Figueiredo e Melo; Combate Naval do Riachuelo (EGBA-1872), Passagem de Humaitá (EGBA-1872) e a Batalha dos Guararapes (EGBA-1879), de Victor Meirelles; Um episódio da retirada da Laguna (EGBA-1884), de Antônio Firmino Monteiro. 
 
20/07
Escravidão, heróis populares e atos solenes da família Imperial.
 
Paralelamente às representações de atos solenes envolvendo D. Pedro I, D. Pedro II e a Princesa Isabel, encontram-se raras referências à escravidão e a heróis populares. Nessa aula serão analisadas as obras: Ato de coroação de Sua Majestade o Imperador (EGBA-1842), de François René Moreau; Juramento de Sua Alteza a Princesa Imperial como Regente do Império, na sessão extraordinária da Assembléia Geral no Paço do Senado, no dia 22 de maio de 1871 (EGBA-1875), de Victor Meirelles de Lima; Sua Majestade Dom Pedro I na Abertura da Assembléia Geral Legislativa, em 1826 (EGBA-1872), de Pedro Américo de Figueiredo e Melo; Navio negreiro fugindo de um navio de guerra brasileiro (EGBA-1884), de Émile Rouéde; Retrato do mestre de sumaca Manuel Correa dos Santos (EGBA-1841), de August Müller; Retrato do intrépido marinheiro Simão, carvoeiro do vapor Pernambucana (EGBA-1859), de José Correa de Lima.
 
Docente
 
Maraliz de Castro Vieira Christo. Doutora em História pela Universidade Estadual de Campinas (2005). Bolsista da Foundation Getty junto ao Institut National d’Histoire de l’Art de Paris (2003-2004). Recebeu o Grande Prêmio CAPES de Tese Florestan Fernandes, em 2006 (concedido à melhor tese defendida em 2005 no conjunto das grandes áreas de Ciências Humanas, Ciências Sociais Aplicadas e Lingüística, Letras e Artes). Fez estágio pós-doutoral na Universitat Jaume I de Castelló, Espanha, e na Escuela Nacional de Antropología e Historia-INAH, México (2009). É Professora Associada da Universidade Federal de Juiz de Fora e Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq.
 
Serviço:
Data: de 17 a 20/6/2012
Horário: das 15h às 17h
Local: Auditório Pinacoteca Luz
Valor do investimento: R$ 100,00
Número de vagas: 120
Informações:www.pinacoteca.org.br